Gravações do filme “Para Além da Memória” valorizam o Concelho e os Alvaiazerenses

Alvaiázere foi palco, durante o mês de novembro, de gravações para o filme “Para Além da Memória”. Quem andou mais atento, provavelmente notou a presença de algumas figuras da televisão e do cinema a andar pelas ruas do Concelho, além de toda a equipa que com eles montou e filmou algumas cenas em espaços alvaiazerenses.

O filme, que inicialmente se chamava “A Teia”, mudou de argumento e posteriormente de nome. António Cardo, diretor, explicou ao jornal “O Alvaiazerense” que tinham previsto um filme, com um argumento escrito há cerca de 30 anos pelo maestro António Vitorino de Almeida, que se chamava “A Teia” e, de repente, foram confrontados com a estreia de uma novela com o mesmo nome. “Ficámos embaraçados com isso, tentei falar com a Sociedade Portuguesa de Autores e saber como as coisas funcionavam. Mesmo que, legalmente, se conseguisse contornar a questão, colocava-se sempre o problema de termos dois produtos a estrear na mesma altura com o mesmo nome e o mesmo tipo de formato”. António Cardo falou com o maestro, sugeriu-lhe que mudasse o nome do argumento, mas ele mostrou-se “inflexível”, nesse aspeto. O diretor do filme referiu que “com contratos assinados, compromissos e responsabilidades assumidas, até para com a Câmara Municipal de Alvaiázere (CMA), não podíamos quebrar ou perdíamos um dinheirão e o filme não se fazia”.

Perante este cenário, Miguel Babo, realizador do filme, escreveu um argumento todo novo, tentando incluir ao máximo as cenas que estavam previstas no anterior argumento. “Por exemplo, um acidente ocorre sempre, em qualquer filme. Aliás, a maior parte das cenas que pressupunham incluir Alvaiázere e Miranda do Corvo (onde também estamos a gravar) foram reescritas pelo Miguel Babo para introduzir no filme do maestro e quem leu este novo argumento (nomeadamente a atriz Lídia Franco) diz que está mais interessante que o anterior”, referiu António Cardo.

Depois do casting, realizado em julho na Casa da Cultura de Alvaiázere, o diretor do filme diz-se satisfeito com as pessoas que apareceram e que fizeram parte da equipa de figuração, pois, como o próprio afirmou, “interessa-nos envolver a comunidade alvaiazerense”.

Atrizes como Lídia Franco ou Gabriela Moreyra (da Globo) são algumas das caras conhecidas que passaram pelo Concelho para a gravação de algumas cenas, nomeadamente na mancha de carvalho-cerquinho, nos Gamanhos.

Um dos objetivos da gravação deste filme no Concelho passa pela valorização do mesmo, por “mostrar a todos esta zona”, daí a escolha de locais emblemáticos de Alvaiázere para a gravação. “Em conversa com a CMA foi-nos dito que pretendiam valorizar a mancha de carvalho-cerquinho e aí incluímos, por exemplo, uma cena do ministro da cultura que a visita”, referiu António Cardo.

A recolha bruta das gravações aconteceu até ao final do mês de novembro, mas demorará ainda cerca de seis meses até se fazer a montagem final das imagens e se poder ver no grande ecrã. “Estamos a trabalhar em dois sentidos: primeiro, para que o filme tenha os requisitos técnicos - som, imagem e formato - necessários para entrar no circuito comercial (Lusomundo e afins); segundo, que consiga entrar no circuito dos festivais de cinema pelo mundo fora, que é também interessante como forma de divulgação”, rematou o diretor do filme.