Mercado de Gado vai nascer em Almoster

Vai nascer em Almoster - perto da EN350, na estrada que liga a nacional ao Candal - um mercado para comercialização de pequenos ruminantes – cabras, ovelhas, cabritos, etc. “A ideia da feira de gado surgiu de uma candidatura da Terras de Sicó e que contempla a criação de dois mercados de gado, além daquele que já existe em Vila Cã”, referiu Paulo Reis Silva, presidente da Junta de Freguesia de Almoster.

Foi decidido, em 2017, criar mais dois mercados, um para servir os concelhos de Penela, Condeixa e Soure e outro para servir Alvaiázere e Ansião. O primeiro vai ser construído no Rabaçal e a localização do segundo ficou para ser decidida entre Alvaiázere e Ansião. “A ideia de se fazer em Almoster surgiu por dois motivos: primeiro, pela tradição que havia aqui do mercado de gado (e que acabou em 2016 devido à rusga que as autoridades cá fizerem) e segundo por ser o local mais equidistante entre os dois concelhos”, explicou o presidente.

Ainda não estão totalmente definidas as linhas orientadoras de funcionamento, contudo Paulo Reis Silva mostra-se confiante quanto à sua finalidade. “Estamos a pensar no pequeno produtor, que em casa cria o seu gado e passa assim a ter um sítio onde o pode vender”, adiantou. Outra vantagem que o presidente vê na criação deste mercado é o facto de o mesmo “poder trazer um certo movimento à freguesia”. Neste momento o Município e a junta de freguesia já identificaram os proprietários dos terrenos, “que se encontram disponíveis para vender”. O passo seguinte passa pela aquisição dos mesmos, por parte do Município.

Contudo, nem tudo são rosas e a “polémica” está instalada, tudo por causa do local escolhido para acolher este mercado. Ao que o Alvaiazerense averiguou junto de alguns almosterenses, e não só, estes não concordam com a escolha do local, indicando o recinto da tradicional feira dos 23 como sendo o ideal para o efeito. O presidente da junta de freguesia concorda que esse seria o local ideal, mas não é possível fazer-se lá. “Quando se começou a tentar implementar o projeto para o recinto da feira – não eram precisas muitas adaptações, visto que o recinto é plano e amplo – demos de caras com alguns constrangimentos a nível de ordenamento. O espaço é Reserva Ecológica Nacional, Reserva Agrícola Nacional e está marcado como leito de cheia do rio Nabão”.

Estando essa hipótese fora de questão, começaram a procurar outras alternativas. Nas zonas circundantes tudo tem os mesmo constrangimentos, e até ponderaram a parte mais alta do recinto, por trás do edifício do mercado. “Ter-se-ia de construir um acesso pelo lado da nacional – o que era possível – só que também tinha outras condicionantes, neste caso a distância às casas da Ponte-Velha”. Como a atividade está identificada como pecuária, a lei obriga a uma distância “mínima de 150 ou 200 metros”.

Começaram então a afastar-se da zona do recinto da feira até onde conseguiram encontrar um “sítio com área suficiente e onde não houvesse condicionantes que permitissem a implantação do projeto”. O espaço onde será instalada a feira de gado também tem condicionantes, “mas as quais podemos colmatar”, como é o caso do afastamento em relação à linha de água (que servirá de estacionamento e o edifício estará mais afastado) e “não podemos impermeabilizar muito o solo”.

Sendo uma candidatura “financiada a 100% por fundos comunitários” e que não traz qualquer custo para a junta de freguesia, o presidente deixa uma questão no ar “não podendo fazer no recinto da feira, é preferível fazer noutro local ou é melhor perdermos o projeto para um concelho vizinho?”.