Alvaiázere, Capital do Chícharo

Queremos continuar a crescer e a assumirmo-nos como a Capital do Chícharo

O evento “Alvaiázere, Capital do Chícharo” resulta da integração de outros dois de grande importância na história e promoção do Concelho: A FAFIPA (Feira Agrícola, Florestal, Industrial, Pecuária e de Artesanato), nascida em 1980, e o Festival Gastronómico do Chícharo, que teve origem em 2003.

Este ano, e pela primeira vez, o evento realizou-se em outubro, de 5 a 7, tendo sido notório o aumento de expositores. Foram cerca de 60 as empresas presentes na tenda empresarial, 65 produtores e artesãos, espaço de colecionadores, velharias, empresários agrícolas e do setor automóvel. Além destes, também esteve presente a Confraria do Chícharo e a Escola Profissional de Sicó, pólo de Alvaiázere.

A cerimónia de abertura do evento realizou-se no dia 5, na Casa Municipal da Cultura, pelas 11h e contou com as intervenções do presidente da Assembleia Municipal, Álvaro Pinto Simões e da presidente da Câmara Municipal (CMA), Célia Marques.

Perante uma sala bem composta, Álvaro Simões, foi o primeiro a discursar. Falou sobre a mudança da data do evento, referindo o seu agrado por este conseguir ter um “cartaz muito variado e com nomes de topo”. O presidente da Assembleia Municipal continuou referindo que este certame tem como finalidade mostrar o que de bom se faz no Concelho, nomeadamente através das associações que “sabem dignificar o nome de Alvaiázere”.

Entre felicitações à câmara municipal e à pessoa da presidente, Célia Marques, pelo trabalho que tem sido feito em prol do Concelho e da divulgação deste produto endógeno, Álvaro Pinto Simões disse que “os fundadores do Festival do Chícharo” não podem ser esquecidos, afinal é a eles que tudo isto se deve. Terminou a sua intervenção dizendo que o chícharo é “marca registada do concelho de Alvaiázere”.

A presidente da CMA fez a segunda, e última intervenção. Começou por se dirigir, individualmente, a todas as entidades presentes, felicitando-os por terem vindo à inauguração daquele que é o “principal evento do Concelho”.

Numa altura em que já não fazia sentido a realização destes dois eventos separadamente, Célia Marques, referiu que um dos motivos que levou à junção dos mesmos foi o facto de, ao longo dos anos, se ter percebido que era preciso “conciliar tradição e inovação para corresponder ao novo perfil de feira ambicionado pelos participantes e visitantes”. A FAFIPA, que vai na 38º edição, assume-se como uma montra do Concelho que, ao longo dos anos, tem vindo a crescer e a rejuvenescer. “Hoje em dia, as feiras são muito mais do que espaços para vender produtos, são importantes motores de atividade económica e comercial, não só para os setores que intervêm diretamente na dinâmica do certame, como para setores que beneficiam indiretamente com a sua realização”, explicou a presidente da CMA que pretende, deste modo, combater a desertificação humana , também sentida em Alvaiázere.

Ao longo dos últimos anos, têm-se vindo a perceber, um pouco por todo o país, que as “políticas de promoção e valorização de produtos agro-alimentares tradicionais de qualidade” têm tido muito sucesso e são “apontados como uma das alternativas ao desenvolvimento do meio rural”. É importante a potenciação dos produtos agrícolas tradicionais locais no desenvolvimento de regiões rurais mais frágeis, aliando-se a cultura e o património, como meio impulsionador deste território.

Célia Marques continuou o seu discurso, fazendo referência à melhoria no programa do certame que contou com um cartaz “mais diversificado, com concursos que estimularam a participação e a criatividade e com a envolvência das associações e de toda a comunidade alvaiazerense”.

Acerca da mudança de data para outubro, a presidente do Município, referiu que todos concordam que “esta é a melhor época para promover o chícharo pois podemos degustar o produto da época da colheita deste ano, o que não acontecia em junho”. Este ano celebrou-se o 16º Festival Gastronómico e para assinalar essa mudança foram recuperadas algumas experiências do modelo original e inicial do festival, nomeadamente “as visitas ao património, as exposições em vários espaços municipais, as montras dos espaços comerciais engalanadas para receber os visitantes e um estilo musical não tão comercial e pop alternativo”, em três palcos com sonoridades diferentes.

Célia Marques lançou um repto a produtores e setor da restauração. Além de ser necessário aumentar a produção, com mais jovens produtores a apostar nesta leguminosa e no seu potencial, é necessário que os restaurantes locais apresentem, à semelhança do que acontece em locais fora do Concelho, o chícharo ao longo de todo o ano nas suas ementas. “Precisamos de mudar mentalidades e acreditar em nós… o desafio está em cada um de nós!”, incentivou a presidente.

Frisou, de novo, a importância desta leguminosa para a estratégia de marketing territorial do Concelho, adjetivando o chícharo como “produto âncora de Alvaiázere”, referindo que “através desta leguminosa, que tem enquanto planta várias características que vão ao encontro do caráter resiliente do povo alvaiazerense, vamos conseguir criar vantagens competitivas”.

Alvaiázere é terra de produtos extraordinários e de elevada qualidade, como o mel, o vinho, o azeite, o queijo e o cabrito. Célia Marques terminou a sua intervenção apelando a todos os presentes para disfrutarem de Alvaiázere. “Provem Alvaiázere e o nosso património, comprem muito, levem um pouco desta terra para os vossos lares, mas acima de tudo, levem Alvaiázere nos vossos corações”, concluiu.

Depois de terminadas as intervenções, seguiram todos para o recinto do parque multiusos para visitar a mostra de produtos regionais, económica e de artesanato.

Ana Catarina de Oliveira