Exposição Fotográfica de Augusto Milana em Alvaiázere

“Visioni Fotografiche” é a mais recente exposição patente no Museu Municipal de Alvaiázere. Augusto Milana, jornalista italiano com mais de 40 anos de trabalho na RAI – cadeia de rádio e televisão pública italiana – é o autor e conta que, ao longo dos anos, a sua profissão se cruzou com uma grande paixão, a fotografia, “o que se traduz nesta mostra de alguma forma como um momento de síntese e de pluralidade de pontos de vista”.

Com um vasto arquivo de fotografias, que abrangem um largo período e situações entre as mais tormentadas do mundo, escolheu para esta exposição “espaços e situações mais tranquilas, luzes, natureza, monumentos, impressões vistas com olhos diferentes. Trata-se apenas de um instante fotográfico captado, por exemplo, após uma tempestade ou no decorrer de um evento, olhando para uma grande obra de engenharia humana ou fixando o olhar num monumento natural”. Cada fotografia da exposição, segundo o autor, pode ser “uma surpresa que pode ser fonte de estímulo para olhar com mais fascínio para o mundo que nos rodeia e suscitar interesse em salvaguardá-lo para as gerações futuras”.

Augusto Milana nasceu numa pequena vila, perto de Roma, Itália e descende de uma família de fotógrafos, nomeadamente o seu pai. Conta que, quando era pequeno, a fotografia “era para poucas pessoas e destinada apenas a ocasiões importantes da vida. Era um trabalho sujo que se fazia num ambiente escuro a manipular ácidos que não faziam propriamente bem à saúde”. Hoje, com 65 anos de experiências pessoais e depois da profissão de jornalista bastante preenchida, relembra que atravessou os anos das lutas estudantis, do terrorismo, da intensificação da atividade mafiosa e do primeiro grande processo contra a mais temida organização criminosa italiana acompanhando de perto os acontecimentos e fazendo para a rádio as crónicas dos mesmos.

Portugal, e mais concretamente Alvaiázere, surgiram na vida de Augusto por amor. A sua vida cruzou- se, há mais de 30 anos, com a de Maria Simões, natural do Vale da Couda, Almoster, e desde então que considera Portugal a sua segunda pátria. “Gosto muito que esta Mostra seja recebida em Alvaiázere, terra que muito amo e que é parte integrante de um país que há mais de 30 anos é a minha segunda pátria”. Sentindo um desejo de partilhar as próprias emoções com as pessoas que terão oportunidade de descobrir ou de se encontrar perante lugares bonitos ou repletos de história, “poderão imaginar uma objetiva que captou o instante ou que viu um detalhe que outras pessoas poderão não ter notado”, remata o autor.

Esta exposição, de entrada gratuita, pode ser visitada até 9 de fevereiro.

Ana Catarina de Oliveira