Agentes de Proteção Civil Concelhia unidos no combate ao COVID-19 em Alvaiázere

Solar D. Maria em tempos de COVID-19

No concelho de Alvaiázere o maior surto da pandemia surge no Lar Residencial, Solar de D. Maria, e para darmos a conhecer o historial desta situação pedimos a colaboração das responsáveis deste que gentilmente, conforme algumas questões colocadas, esclareceram que o problema nasceu devido a uma utente que foi reencaminhada do Hospital dos Covões, com infeção respiratória e febre, ainda com tratamento para fazer no Lar. Como a febre continuava, foi enviada novamente para o hospital dos Covões, no entanto o Lar não obteve qualquer informação da efetiva realização de teste ao COVID-19. Assim, a primeira situação de que tiveram conhecimento, foi de um utente que foi enviado na tarde do dia 23 de março, para o hospital com problemas gástricos, e que ao ser submetido ao teste COVID-19, o resultado positivo foi comunicado ao Lar na noite de 25 de março.

Nessa mesma noite, avisaram a Saúde Pública e a equipa médica do lar (médico e enfermeiro) fizeram o isolamento dos utentes, que ficaram confinados ao espaço dos seus quartos.

Na manhã de 25 de março a Junta de Freguesia de Maçãs de D. Maria procedeu à desinfeção dos espaços exteriores, continuando a faze-lo regularmente.

Quanto à colaboração referiram a celeridade dos primeiros apoios por parte da Proteção Civil Municipal e dos BVA, no fornecimento de EPIS, recursos humanos e financiamento dos testes de COVID-19 para todos os utentes e colaboradores pela CMA.

Os primeiros testes a 30 de março deram resultados positivos: 28 utentes (3 destes internados no hospital) e mais 8 funcionários (incluindo a Gerente e o Enfermeiro do Lar).

Resultados negativos: 2 utentes; 7 funcionários (destes, uma ficou de baixa médica) e o médico em regime de avença.

Com oito funcionários a ficarem de quarentena, os principais problemas e preocupações, verificaram-se na falta de recursos humanos, principalmente na lavandaria e na cozinha. A gerência contratou imediatamente uma lavandaria e um restaurante Take-Way, para assegurar tratamento de roupas e refeições.

O Ministério da Segurança Social de Leiria, estabeleceu um protocolo com a Cruz Vermelha Portuguesa, no sentido de garantir o reforço dos recursos humanos em situações de emergia de COVID-19, às ERPIs (Estruturas residenciais para idosos e Lares residenciais licenciados), onde se insere este Lar.

Até terem repostas às graves lacunas de recursos humanos, o Lar viveu dias muito difíceis, que podemos constatar, com o contacto feito com a Diretora Técnica/Assistente Social que estava complemente em desespero para conseguir chegar a todo o lado.

Os recursos humanos conforme foram chegando iam atenuando as dificuldades, assim: dia 7/04/2020, 1 - auxiliar de Serviços Gerais; dia 08/04/2020 – 1 auxiliar de Serviços Gerais e 1 Auxiliar de Ação Direta; dia 09/04/2020 – 1 cozinheira; dia 16/04/2020 – 1 auxiliar de serviços gerais.

O apoio de uma psicóloga cedida pela Câmara Municipal de Alvaiázere, para os utentes e funcionários que mais necessitavam deste, também foi considerado de muito útil, assim como de dois enfermeiros, um auxiliar de ação médica e uma estagiária de enfermagem.

Outra dificuldade sentida pelo Lar foi a falta no mercado de equipamento de proteção, para além dos conseguidos pela gerência, outros foram cedidos por diversas entidades, como, Junta de freguesia, CMA, Proteção Civil, BVA, Segurança Social de Leiria, Farmácia Pacheco Pereira e da empresa Madeiras & Companhia de Ansião.

Outra ajuda focada como muito importante foi a desinfeção/descontaminação do Lar, efetuada no dia 11 de abril pelo GIPS-GNR em colaboração com a delegada de Saúde de Alvaiázere e da Proteção Civil.

Segundo as responsáveis do lar, a sua maior preocupação foi sempre o bem estar e saúde dos utentes, colocando a sua saúde e a vida pessoal para segundo plano.

Como balanço da situação presente, lamentaram a perda de alguns utentes, e congratularam-se com os recuperados e embora ainda tenham alguns utentes positivos, estes não revelam grandes sintomas.

Deixaram uma reflexão final, “a experiência pela qual passámos, ensinou-nos que não temos nada por garantido. Devemos unir-nos, colaborar com os outros e realçar o papel dos voluntários. Ainda temos uma voluntária no lar, que continua a apoiar-nos muito.

Que a vida é uma passagem e que devemos vivê-la com humildade e ajuda ao próximo. Que estes utentes merecem o melhor da vida e é por eles que trabalhamos dia a dia”.

E ainda um reconhecimento, “agradecemos também ao grupo AMMA, que nos trouxe uns miminhos para que tivéssemos uma Páscoa mais feliz (colaboradores e utentes) e ao Reverendo Padre André pela mensagem de esperança que nos transmitiu”.

Temos de concluir que nesta situação todos deram as mãos e criou-se uma onda de solidariedade que orgulha os Alvaiazerenses e permitiu ultrapassar de forma positiva os momentos dramáticos vividos.

O papel dos Bombeiros mais uma vez é crucial nestas situações, como esta de pandemia, e se existe instituição a quem podemos recorrer e ser sempre correspondidos, essa instituição é, sem dúvida, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alvaiázere. Neste sentido fomos ouvir o seu Comandante Mário Bruno sobre a situação do COVID-19 em Alvaiázere.

O Comandante começou por referir que, “numa primeira fase, nenhum organismo estava preparado para isto em especial o Ministério da Saúde e a Direção Geral da Saúde. Os Bombeiros não faziam parte inicialmente do sistema de resposta a esta pandemia, cabendo essa missão ao INEM e à Cruz Vermelha com uma dúzia de ambulâncias e respetivas tripulações a nível Nacional. Esta situação foi prontamente contestada pelos Bombeiros pois já sabíamos que essa situação era insustentável e completamente inoperacional, porque são os Bombeiros que mais e melhor respondem às situações de pré-hospitalar a nível Nacional. Como resultado desta impreparação não nos foi ministrada formação adequada (ficando essa missão para os Corpos de Bombeiros que anteciparam esse cenário e se prepararam para o que aí vinha) e não nos foi distribuído equipamentos específicos (EPI’s) para este tipo de ocorrência”.

Sobre esta falta de equipamentos o comandante lamentou que, “muitas das Associações estão estranguladas financeiramente já que os EPI’s necessários estão a preços absurdos no mercado e não existe qualquer ajuda do estado para compensar as Associações. De salientar que, se não fosse a pronta ajuda da CMA para a aquisição de EPI’s, seria impossível respondermos às cerca de três dezenas de serviços COVID-19 que tivemos em março e abril pois cada Bombeiro custa cerca de 25 euros a equipar completamente e por ambulância no mínimo são 2 tripulantes. Nesta fase da pandemia em que o nível de contágio é comunitário, qualquer ocorrência deve ser encarada como suspeita de COVID-19 e os Bombeiros devem ir equipados de modo a cumprir todas as normas de segurança exigidas”.

O Comandante demonstrou ser cuidadoso afirmando que, “exigiu dos seus operacionais o cumprimento integral das recomendações em matéria de uso dos EPI’s de modo a garantir a sua integridade e segurança” e por isso “não tivemos até agora qualquer Bombeiro infetado apesar do número significativo de serviços efetuados como COVID-19 suspeitos ou confirmados”.

Sobre o futuro o Comandante manifestou a sua apreensão, “a situação está longe de estar controlada e teme os meses de Verão. É essencial que a população mantenha os níveis de cumprimento das regras impostas como o uso de máscaras e o afastamento social e que permitiram chegar aqui sem as situações de calamidade que assistimos nos países vizinhos”.

E concluiu sobre a ação dos Bombeiros de Alvaiázere, “o plano de contingência elaborado para o efeito está em vigor e sendo ele um documento dinâmico será facilmente adaptado para novos estádios da pandemia para salvaguardarmos em qualquer momento a população de Alvaiázere”.

Voluntariado de qualidade faz a diferença…

A falta de recursos humanos que se abateu sobre o Solar de D. Maria, com a pandemia, foi ultrapassada pelo trabalho de voluntariado, e começamos por salientar o da Diretora Técnica, Teresa Ferreira, que além de ser funcionária, também foi voluntária, pois trabalhava das 9 horas às 24 horas todos os dias de semana, sem folgas. Segundo esta até chegou a perder a noção do tempo. A sua dedicação total, muito contribuiu para a segurança de todos os utentes.

Para auxiliarem o médico, Bernardino, prestaram serviço em regime de voluntariado, Henrique Santos convidado pela Presidente da CMA e o Enfermeiro, Nelson Silva, que desde o primeiro momento que teve conhecimento da situação tomou a decisão de colaborar, pelo que se disponibilizou e convidou um colega e o mesmo explica, “obtive resposta positiva do Enf. André Brás que comigo colaborou na prestação de cuidados de enfermagem aos utentes do lar, onde também foi possível fornecer alguma orientação sobre procedimentos de segurança mais adequados na abordagem a esta tipologia de doentes”. Mais referiu que “foi com total satisfação, mas também com responsabilidade que colaborei de forma voluntária no restabelecimento da normalidade no lar”. Agradeceu ainda “a atenção dispensada por todos os colaboradores no lar, pela disponibilidade da autarquia e BVA na disponibilização de EPIs”.

Em regime de voluntariado a tempo inteiro revelou-se, de grande competência e dedicação, a jovem de Maçãs de D. Maria, de 22 anos, Selina Mendes, estudante na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Logo que soube ofereceu a sua ajuda e da experiência como voluntária referiu “ foi e continua a ser uma missão que ficará para sempre gravada no meu coração enquanto pessoa, e enquanto futura enfermeira”.

E confessou, “desde o primeiro dia eu vivi esta missão também com medo como todas as outras pessoas, mas a minha força de ajudar era maior que o medo de ficar infetada. Na verdade o meu maior medo era ficar infetada e não continuar a ajudar mais estes idosos, que todos os dias enchem o meu coração de amor e carinho, e fico de lágrima no canto do olho com as suas palavras e os seus agradecimentos”.

E continuou, “Durante estas semanas eu vivi várias emoções nesta fase epidemiológica, tenho aprendido bastante com esta equipa que me tem acompanhado todos os dias, funcionárias e voluntários a quem agradeço reconhecidamente, assim como às proprietárias do Lar D. Otilina Simão e D. Paula Branco e à assistente social, Dra. Teresa Ferreira, por me receberem de coração aberto e pelo apoio”. E concluiu agradecendo ainda aos pais, familiares, namorado, amigos, instituições, pela força que lhe deram e pelo reconhecimento do seu trabalho, assim como ao grupo de jovens AMMA, ao qual tem muito gosto em pertencer.

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