Alvaiázere recebeu Congresso sobre História e Património da Alta Estremadura e Terras de Sicó

O Museu Municipal de Alvaiázere acolheu, no fim-de-semana de 21 e 22 de setembro, o Congresso de História e Património da Alta Estremadura e Terras de Sicó que inclui 23 comunicações, cuja área geográfica corresponde à Alta Estremadura (distrito de Leiria e concelho de Ourém) e às Terras de Sicó (Alvaiázere, Ansião, Condeixa, Penela, Pombal e Soure).

Promovido pela Associação Al-Baiäz com o apoio do Município, em especial do Museu Municipal, o programa teve início no sábado pelas 9h com a abertura protocolar, que contou com a presença da presidente da Câmara Municipal, Célia Marques, e a apresentação do coordenador científico, Saul António Gomes, que falou sobre a história local em tempos de história global. “A consciência da importância do conhecimento da História e do Património para a identidade local e para o desenvolvimento regional levaram a Al-Baiäz a tomar a iniciativa e a pôr em destaque temáticas como a arqueologia, antropologia e etnografia, a história, a história da arte, o património cultural e o património natural do distrito de Leiria, concelho de Ourém e Terras de Sicó”, frisou a autarca, agradecendo a presença de todos em “em especial à Al-Baiäz, na pessoa do Mário Rui, e à equipa do Museu pela motivação e dedicação para que este Congresso fosse possível”. Convidou ainda todos os presentes a marcarem presença no fim de semana de 11 a 13 de outubro para degustarem o nosso “património gastronómico”.

Os trabalhos propriamente ditos arrancaram com uma comunicação sobre “a cavidade do Algar da Água: resultados de três anos de investigações”, cuja temática foi apresentada por Alexandra Figueiredo. Seguiu-se a discussão sobre “a mineração romana: o caso da Gruta do Bacelinho (Alvaiázere) – documentário produzido por LABACPS-IPT e CAA Portugal”. Ana Raquel Salgado fez a abordagem do tema.

“A Carta Arqueológica das Caldas da Rainha: resultados preliminares de um projeto em curso” foi o assunto que se seguiu. Depois de um espaço aberto para questões e um intervalo para petiscar alguma coisa, o congresso continua com um painel sobre “a importância da educação patrimonial para a salvaguarda e reconhecimento do património local”, que teve como palestrantes Ricardo Lopes, Cláudio Monteiro e Alexandra Figueiredo.

“O raiar do I milénio a.C. na Alta Estremadura e Terras de Sicó: uma abordagem através da metalurgia” foi o tema que se seguiu pela mão de Raquel Vilaça, Xose-Lois Armada e Carlo Bottaini. Ainda no período da manhã Miguel Portela falou sobre “os arrendamentos das rendas de Penela, Ansião e Casal de Abiul e da Terça de Alvaiázere e Rego da Murta [1714-1748]” e Bruno Sampaio Lobo abordou “o chão como princípio do céu: metamorfoses em torno do Mosteiro da Batalha”.

A tarde começou com uma comunicação sobre “breves minutos sobre património”, por Rui Rasquilho, e prosseguiu com uma intervenção de Ricardo Charters D’Azevedo sobre “Catalogo das minas de ferro do concelho de Alvaiázere – situação até 1945”. Por seu turno, Nuno Oliveira Prates abordou “de Figueiró dos Vinhos para Alpiarça: a produção artística do pintor José Malhoa para a família Relvas” e Vera Magalhães falou sobre “iluminismo e arquitectura hospitalar – o hospital da Misericórdia de Leiria”.

“Ligações, presença e património do mosteiro de São Jorge de Coimbra em terras de Penela nos séculos finais da Idade Média” foi a temática que se seguiu, numa intervenção de Aires Gomes Fernandes. Hermínio de Freitas Nunes continuou os trabalhos com uma comunicação sobre “o primitivo relógio medieval do Mosteiro de Santa Maria da Vitória da Batalha”. Já no final da tarde Manuel Augusto Dias falou sobre “o Culto Mariano no concelho de Ansião – a história de dois locais de peregrinações”. Ana Saraiva encerrou as comunicações deste primeiro dia com um painel sobre “arquiteturas do calcário na Alta Estremadura”.

Os trabalhos prosseguiram no domingo, pelas 9h, com Maria Cláudia Furtado Santos a falar do património escondido à vista de todos no concelho de Ansião. Seguiu-se, Isaura Santos que apresentou “Figueiró dos Vinhos na Idade Média: a repartição de Figueiró, Almofala, Aguda e Arega (sécs. XII-XV) a partir de algumas ligações familiares”. Já Carlos Fernandes trouxe “os cruzeiros da Via Sacra do Reguengo do Fetal a Fátima: duas séries por caminhos diferentes” e José Vieira Leitão apresentou “Anselmo Castelo Branco, o alquimista de Soure”.

Amilcar Coelho fez uma intervenção sobre “a alquimia do espaço e a exercitação das identidades”. Mais tarde Licínia Gomes da Silva falou sobre “a gestão da formação de professores na perspectiva da autonomia e flexibilidade curricular – a região como espaço educativo de educação para a inclusão”.

Houve ainda espaço e tempo para falar dos “fornos de cal de Pataias – uma luta pelo património local”, numa abordagem de Tiago Filipe Duarte Inácio. Maria Adelaide Furtado encerrou o colóquio com uma comunicação sobre “a simbologia nos sinos das torres sineiras do concelho de Alvaiázere”.