Cerveja artesanal “Bruta” potencia nome do Concelho e das Terras de Sicó

O seu nome é “Bruta”, é natural de Alvaiázere, mas tem como objetivo levar o nome das terras de Sicó aos quatro cantos do mundo.

Alicerçada numa amizade com 30 anos, dois amigos de Alvaiázere - Fernando Balas e Bruno Furtado de Sousa - decidiram produzir “algo que dignificasse e prestigiasse o Concelho”, contou Fernando.

Este projeto concretizou-se recentemente, aquando da aquisição do equipamento necessário à realização da cerveja. O equipamento e o “saber fazer” foi comprado a um dos mais antigos e idóneos cervejeiros de Portugal que, também disponibilizou as receitas base para cada uma das referências da “Bruta”. “Contudo, houve adaptações da nossa parte, como alquimistas que somos, investigámos e desenvolvemos a nossa estratégia com dedicação e engenho para chegarmos à receita final, a qual nos orgulhamos de partilhar”, referiram.

O nome, “Bruta”, surgiu da vontade de criar uma marca forte: “Queríamos que fosse uma marca forte, que ficasse no ouvido e que tivesse impacto e nada como uma bruta para marcar a vida das pessoas”, contam.

Mas o que torna esta cerveja artesanal tão interessante e que potencia a região? A resposta é simples: o chícharo. Além do malte, lúpulos e água, decidiram introduzir a leguminosa numa das variedades, dando assim um cunho regional e local à cerveja.

Para já há três tipos: a “Triga”, que leva trigo; a “Mota” - testada e aprovada por cerca de 174 motards -, e a “Avz 1514” que leva chícharo. Para além destas há mais seis – umas já em produção, outras ainda em estudo. “Pretendemos fazer, ainda, uma para cada concelho da região de Sicó, com características especiais. Por exemplo, a de Ansião terá uma adição de pinhão e a de Penela conterá noz”, contaram os dois amigos.

Além da peculiaridade da adição de chícharo, também a rotulagem das garrafas é muito importante na promoção do nome do Concelho, nomeadamente a “Avz 1514”. 1514 é a data do foral de Alvaiázere e, como foi dito ao “Alvaiazerense”, “as nossas referências têm a ver com as datas dos forais dos concelhos, ou seja, a nossa cerveja é para um nicho de mercado muito específico mas, também, para as populações destes concelhos, em particular”.

A cerveja é do mais puro que há, não tem um químico, um melhorante ou conservante e até a água com que é feita é captada em altura para ser a melhor e mais filtrada possível. Todo o processo é feito pelos criadores - desde a moagem dos cereais até ao final, com o engarrafamento e carbonização. “Aqui fazemos tudo, exceto plantar o cereal”, referem. E um processo muito complexo que demora entre cinco a seis horas, a trabalhar em contínuo.

O feedback tem sido extremamente positivo, sendo “um produto que dignifica e prestigia o nome de Alvaiázere”, contam orgulhosos.

De momento, apenas é possível provar a “Bruta” em dois ou três pontos de venda espalhados no Concelho, e na sua página online em www.montesdopinioes.pt. Estão a ser feitos estudos de mercado, cautelosos, pois “ainda não temos produção suficiente para inundar o mercado ou atender a encomendas que nos possam aparecer”, concluem.

O futuro é encarado com prudência havendo, contudo, já há alguns contactos para promoção da “Bruta” no mercado da Saudade e na Ásia.

Catarina Oliveira