Dr. José Garcia dos Santos Marques de Freitas homenageado no Dia Mundial da Proteção Civil

Em cerimónia solene, no dia 1 de março, na Casa Municipal da Cultura de Alvaiázere, onde foi feita a homenagem ao Dr. José Garcia, com a entrega pela Presidente da Câmara, Arq. Célia Marques que lhe dirigiu uma felicitação muito especial considerando-o “um ilustre Alvaiazerense com uma notável passagem por funções na área da proteção civil, de forma honrosa”. Destacou ainda a importância que a sociedade civil, no seu conjunto atribui à Proteção Civil. Congratulou-se pelas iniciativas que decorreram durante a semana e pelo culminar destas por se revestirem da maior importância, numa homenagem ligada à Proteção Civil. Salientou que “Sensibilizar, formar, educar para a proteção civil é determinante, para garantir a segurança dos nossos cidadãos no futuro”.

O Dr. José Garcia agradeceu a homenagem e sensibilizado partilhou o seu sentimento de nostalgia e de alegria por receber esta num espaço agora Casa da Cultura, onde outrora funcionou, durante anos, o Colégio Vera Cruz e passaram centenas de alunos.

Já depois desta sessão solene o Dr. José Garcia explicou a surpresa para si do anúncio da atribuição desta medalha, “Quando a Sra. Presidente da Câmara Municipal me enunciou as circunstâncias e razões que justificavam a intenção de me ser atribuída a Medalha do Concelho, fiquei naturalmente surpreendido; mas, sendo eu um dedicado Alvaiazerense, e também por enorme consideração pessoal, seria impossível não aceitar a deferência da Câmara e do Município. Já quanto ao significado desta atribuição referiu humildemente, “naturalmente, que tal distinção, tendo-me sido atribuída na minha terra Natal tem para mim especial significado, pelo que só posso mostrar Gratidão e que tal constitui uma Honra mas também um enorme acréscimo de responsabilidade.

Mas permita-me ainda uma consideração sobre este ato que se fundamentou no meu exercício profissional enquanto Dirigente do INEM e pelo contributo na área da Proteção Civil, a nível nacional, e ocorreu no âmbito das Comemorações do Ano Mundial da Proteção Civil que com grande brilho decorreram em Alvaiázere.

O INEM, e como agente de Proteção Civil é uma grande Instituição que merece as maiores Honras, apreço e reconhecimento, e que de todos é bem conhecida, sempre ao serviço da Saúde no nosso País.

Ora, sendo apenas mediano aquele meu desempenho, o maior significado está na forma como o Executivo Camarário nesta nossa Terra, evidencia bem a cuidada Atenção a todas as manifestações de interesse para o Município, como são as pertinentes questões de Proteção Civil que hoje se colocam e todos conhecemos”.

José Garcia, mais conhecido fora de Alvaiázere por Marques de Freitas, nasceu a 28 de agosto de 1945, no lugar do Pé da Serra, mesmo à beira da Vila de Alvaiázere, lugar de morada de seus Avós Paternos, sendo de Caxarias o seu lado materno.

Cedo passou a residir com seus Pais na Vila, na Rua de Santo António e depois em casa construída junto ao cinema, e ao Hospital novo. Havia já uma vivenda contígua e seriam posteriormente construídos o edifício dos correios e o quartel dos Bombeiros Voluntários.

A Avenida José Mendes de Carvalho não era alcatroada e o movimento reduzido a meia dúzia de viagens dos sempre mesmos dois ou três automóveis que por ali, cuidadosa e lentamente circulavam o que proporcionava excelente pista de corridas para as bicicletas de então.

E assim despreocupadamente decorreu a sua infância com frequentes visitas a Caxarias, desde muito cedo com imensos amigos, que ficaram para a vida, e se foi avançando na instrução escolar; a primeira classe ainda na Escola Conde de Ferreira - junto aos Paços do Concelho – e, depois, na escola cujo edifício ainda hoje existe junto ao atual Quartel GNR. E recordou “Eram enormes aquelas amoreiras que ainda estão junto à Igreja Matriz. E era quase impossível a sua escalada para apanhar as folhas alimento único dos bichos da seda. No Inverno a vida de todos era mais difícil, já que as cavaquitas e ramos encontrados pelo caminho e que cada aluno trazia para a lareira não eram suficientes para aquecer e secar as calças molhadas da chuva. E não havia substituição nem dos sapatos, cujas solas se adivinhavam já muito gastas”.

O falecimento precoce de seu Pai alterou as rotinas e, uma consequente mudança temporária de residência para junto de seus avós maternos implicou a necessidade de ficar interno por um ano no Colégio Vera Cruz em Alvaiázere e, no ano seguinte no Colégio Fernão Lopes em Vila Nova de Ourém. Regressado a Alvaiázere e com a abertura do 6.ºano (hoje 10.º) e do 7.º ano depois, ficou concluído o curso do Liceu. Reprovada a admissão à faculdade em Coimbra. E justificou “naquele tempo reprovava-se a sério…” Seguir-se-ia já em Lisboa, um ano sabático e dispensado do respetivo exame, por efeito de repetição da cadeira de filosofia, foi admitido para a Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, designação dada à época.

Não tendo pedido qualquer adiamento de incorporação no serviço militar obrigatório, por entender que, afinal acabaria sempre por ter de ser incorporado, e com o casamento de que nasceriam três filhos, acabou por terminar o seu curso, licenciatura em Direito, à data com duração de cinco anos, já depois do serviço militar cumprido.

Terminado o estágio passou a exercer advocacia em acumulação com outras funções empresarias. E partilhou, “Na verdade, a vida despreocupada da infância e de enorme riqueza humana e experiência com a passagem pelos Colégios, foi-se enchendo de preocupações e sacrifícios, mas sempre com muitos desafios”.

Ainda não sabia que havia de viver, como todos nós, os tempos atuais de pandemia, que nos deixam sem respiração e sem saber a natureza do inimigo de contornos desconhecidos.

Na sequência do seu percurso académico, o Dr. José Garcia salientou a importância da criação do Colégio Vera Cruz para o ensino num tempo de grandes dificuldades.

“Na época, eram muito difíceis as condições económicas das famílias e muito penosos os esforços físicos dos alunos para frequentarem as poucas escolas primárias, no Concelho.

A frequência de estudos secundários só era acessível a alunos mais afortunados e só possível nas capitais de Distrito.

A nível nacional a taxa de analfabetismo, que era muito elevada, 36%, em 1960 indiciava graves dificuldades de acesso ao ensino/educação.

A grande maioria dos jovens desde muito cedo iniciava tarefas e trabalhos de auxílio às suas famílias.

A leitura era coisa de um ou outro cidadão mais culto e letrado.

É pois num ambiente de grande atraso económico, social e cultural que é fundado o Colégio.

E sabemos o que ele significou de Elevação para todos nós e para este Concelho que, a meu ver, se traduziu numa verdadeira transformação estrutural, lenta e silenciosa, ao longo de gerações, sem alardes nem espalhafatos, nem grandes holofotes para os jornais.

Dali só saiu BEM para todos.

Foi alfobre que deu resultados, muitos resultados; elevou a Terra, donde saíram personalidades em exercício de elevadíssimo relevo profissional e social, dentro e fora do Concelho, por esse Mundo, nas áreas da economia, da ciência, da gestão, da governação, civil e militar, dos serviços, do empresariado, da educação, das artes e, em geral, em todos os domínios.

Todos contribuíram para isso, os Professores, os Alunos e as suas Famílias que despenderam enormes sacrifícios e privações para poderem pôr os seus filhos a estudar.

Mas, os verdadeiros causadores e símbolos deste Extraordinário Movimento de Elevação, de Magnitude e de Excelência. foram os saudosos Prof. Francisco Almeida e Prof. Augusto Rangel, Fundador e Diretor do Colégio.

Admito que, nas circunstâncias, terá sido necessário ter coragem para fundar e dirigir um Colégio”.

E apelou, “Quem sabe se não assistiremos ainda a uma justa homenagem ao ”Ensino/Educação no Concelho de Alvaiázere“ e, através do talento artístico de um Alvaiazerense podermos evocar, todos os dias, em obra de arte numa praça da Vila as figuras daquelas Ilustres Personalidades? Gostaria de poder ver e admirar”.

Aqui fica o registo da sua grande admiração pelos fundadores do Colégio Vera Cruz e do seu prestimoso serviço em prol do ensino e da educação no concelho e região.

Antes de ingressar na sua atividade profissional, cumpriu o Serviço Militar de 1967 a 1971, como Oficial com Comissão em Moçambique.

Iniciou a sua atividade profissional e os seus estudos universitários em Lisboa, em 1965, tendo desempenhado funções técnicas na ex-Emissora Nacional.

Manteve longa carreira na área da Comunicação Social, com cargos de Direção e Administração na RDP - Radiodifusão Portuguesa, de Direção na RTP– Radiotelevisão Portuguesa, na Agência NP/Notícias de Portugal e Conselho Fiscal da LUSA - Agência de Notícias de Portugal, SA.

Ingressou na Setenave, Estaleiros Navais de Setúbal, com funções de gestão de pessoal e assessoria jurídica/contencioso.

Em outras áreas foi Presidente da Assembleia Geral da IMAVOX, editora discográfica, Vogal da Comissão Diretiva da Colónia Balnear Infantil O Século/ Feira Popular de Lisboa (Grupo Jornal O Século) membro do Conselho Nacional de Prevenção do Tabagismo e Consultor jurídico da EMEF/ Grupo CP - Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário.

No âmbito de saúde, foi membro do Conselho de Direção do Instituto Nacional de Emergência Médica, organismo com competência, nessa área, nos domínios do apoio e socorro dos cidadãos, de acordo com as suas atribuições próprias, e agente de Proteção Civil.

Representou a RDP em várias organizações internacionais – UER - Union Européenne de Radio -Television, IMART- International Medical Association for Radio/Television e Igualdade de Oportunidades.

Foi Coordenador de Página do Trabalho do Jornal de Economia (já extinto) e dirigiu cursos de Formação Profissional em gestão a nível de empresas e recém- -licenciados.

Além desta vastíssima e diversificada experiência profissional, é um alvaiazerense com fortes ligações a Alvaiázere que acompanha a sua vida associativa, tendo sido Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Casa do Concelho de Alvaiázere (CCA) e da Associação das Casas Regionais em Lisboa (em representação da (CCA).

Nos seus tempos livres além de se dedicar ao associativismo também gosta de desporto, de leitura, radio, música e artes. É uma pessoa multifacetada dedicada a diversas áreas da cultura.

Para o Dr. José Garcia, “ter servido no INEM, e enquanto agente de Proteção Civil foi não só uma honra, mas também uma excelente oportunidade de trabalho profissional com aquisição de conhecimentos numa área, a da saúde, onde o principal objetivo é proporcionar os melhores cuidados de saúde às pessoas.

E revelou mais sobre o serviço prestado no INEM “aqui podemos reconhecer o BEM superior que resulta da sua ação para os profissionais que lutam, dia a dia e a cada momento para o bem dos seus semelhantes, nas mais variadas e, amiúde, nas mais difíceis situações. E cada um de nós passa por uma aprendizagem, que se apreende de como estar com o sofrimento dos nossos semelhantes.

Este foi o “saber” que adquiri enquanto servidor do INEM.

E que nunca mais passa!?

E, diga-se, já lá vão quase trinta anos!!

Atravessava-se, na altura um periodo de grande dinamismo, no Ministério da Saúde decorrente, naturalmente da aprovação da Lei de Bases, mas também de algumas alterações de organização e de atitude na gestão.

Refiro que o Ministério tinha à frente um ilustre Alvaiazerense: o Dr. Arlindo de Carvalho, um Ministro da Saúde sempre muito dedicado e preocupado com as questões da saúde em Portugal.

E com a sua Terra..!”

No final da nossa reportagem solicitamos se gostaria de deixar uma mensagem aos alvaiazerenses, tendo referido, “Bom, compreenderá que eu não tenho legitimidade para me dirigir em mensagem, aos meus concidadãos Alvaiazerenses. Mas, posso associar-me a eles nos seus anseios e nas suas preocupações que são minhas também.

E o que vejo e sinto é que temos razões para nos unirmos e, assim, vencer os difíceis tempos que estamos a viver.

Esta calamidade provocada pelo COVID – 19, a nível mundial, exige que as populações se protejam para preservação da saúde individual e pública, e que como resultado levou à desarticulação da nossa vida económica com consequências imprevisíveis que, infelizmente, se advinham muito penosas para todos.

Necessitamos, por isso, de esforços conjuntos com a participação de todos, começando pelo apoio aos nossos governantes autárquicos, incutindo-lhes a necessária confiança na ação.

Ao longo de minha vida pude observar o desenvolvimento no Concelho a nivel das suas infra-estruturas mas também de elevação cultural e de vida coletiva, resultante do esforço de todos os Alvaiazerenses e de Ilustres personalidades desta Terra que, ao longo de anos têm posto na administração autárquica o melhor do seu esforço e dedicação.

Seguramente, que a vida continuará e como sempre todas as nossas instituições como os Bombeiros, as autoridades administrativas, as associações culturais, a Casa do Concelho as escolas, os serviços de saúde e de apoio social a Misericórdia, todos os agentes privados da economia e, em geral, todos os Alvaiazerense vão manter o Concelho na senda do progresso.

Alvaiázere tem condições e valores humanos no seu seio para garantir que aqui se pode viver com Felicidade.

Assim, podemos todos meditar numa mensagem, sim é verdade, mas, naquela que as crianças das Escolas de Alvaiázere deixaram em unanimidade, e em grande apelo ao esforço comum para defesa de todos, nos seus magníficos desenhos, em exposição patente na Casa da Cultura por ocasião das Comemorações do Dia Mundial da Proteção Civil, em boa hora levadas a efeito pela Câmara Municipal, nesta Vila de Alvaiázere:

“TODOS SOMOS PROTEÇÃO CIVIL”

E, assim rematou a sua mensagem, na esperança de que as crianças sejam o garante da proteção civil no futuro.

Neste momento o Dr. José Garcia está reformado e exerce a profissão de Advogado.

O Alvaizerense agradece a disponibilidade ao Dr. José Garcia desejando que a sua longa experiência alicerçada no vasto e rico percurso profissional continue ao serviço dos outros por muitos anos de vida.

Teodora Cardo