Fecho da Estação dos CTT provoca descontentamento no Concelho

O descontentamento é geral. População e autarcas estão desagradados com o fecho da Estação de Correios de Alvaiázere. O serviço passa agora a ser prestado na Papelaria Alternativa, na vila, em formato de Posto de Correios.

A Estação de Correios, que há 20 anos atrás foi requalificada e melhorada, fechou portas no mês de outubro. As razões apontadas, pelo Coordenador dos CTT da Região Norte, são as mesmas para todos os concelhos que, como o de Alvaiázere, fazem parte do interior: a diminuição dos lucros, a redução de serviços prestados e a falta de movimento que lhes permitam assegurar a continuação do serviço.

Vítor Joaquim, presidente da Junta de Freguesia de Alvaiázere, e Célia Marques, presidente da Câmara Municipal, são unânimes ao mostrarem o seu descontentamento com este encerramento e vão mais longe afirmando que todo este processo foi feito de maneira “pouco clara e pouco transparente”.

Quando, em meados de agosto, Vítor Joaquim foi contactado por um responsável dos CTT que lhe comunicou a intenção desta empresa encerrar a Estação de Correios em Alvaiázere, o presidente mostrou, desde logo, o seu desagrado perante tal situação. “Apesar de serem uma empresa privada, prestam um serviço público à população e toda a comunidade fica prejudicada com este encerramento”, afirmou. Na mesma reunião, o coordenador dos CTT questionou a junta para saber da sua disponibilidade para assegurar o serviço e o presidente disse que não poderia tomar “essa decisão sem a reunião de executivo e de assembleia de freguesia que apenas ia ser realizada no final de setembro”.

Feita essa reunião de executivo e assembleia, a 26 de setembro, foi enviado um email aos CTT a mostrar, de novo, o desagrado com a decisão, mas a garantir que “a junta se encontrava disponível para ter uma reunião com a empresa e aferir em que condições poderiam, a partir do fecho, prestar os serviços, fosse na junta ou no edifício onde se encontravam os CTT”.

Até à data desta reportagem, o presidente da Junta de Freguesia diz não ter obtido “qualquer resposta por parte da empresa em relação à deliberação, tanto mais que estranhámos a abertura do Posto de Correios no dia 1 de outubro. Houve uma falta de ética por parte dos CTT em não aguardar pela nossa decisão final e terem entregue este serviço a uma entidade privada”.

Em relação a todo este processo de encerramento da Estação, a presidente da Câmara assegurou, também, que “nunca o Município teve conhecimento das datas de fecho, nem do contacto com outras entidades para criar o Posto de Correios. Apenas nos foi comunicada, verbalmente, a intenção de fechar. Solicitámos os motivos para tal acontecer e até à data ainda não recebemos nada”.

Apesar da continuidade dos serviços que, para o Município “é aquilo que mais releva pois não queremos que a população fique sem os mesmos”, Célia Marques, confessou ao jornal que é “com tristeza que vejo o fecho da Estação porque o espaço era emblemático para a população e faz falta”. Sendo um serviço público, o mesmo poderia ter sido assegurado pela Junta de Freguesia ou até pela Loja do Cidadão - que abrirá em breve - mas a autarca diz que “faltou proximidade e colaboração com o Município”.

Já depois da abertura do novo Posto de Correios, tanto a Junta de Freguesia como a CMA, tentaram entrar em contacto com responsáveis dos CTT para saber o porquê da decisão da empresa, mas continuam sem obter respostas. “Continuamos contra o encerramento da estação, mas recetivos a receber o serviço, caso a empresa o decida”, concluiu o presidente da junta.

A autarca do Município rematou dizendo que “dificilmente poderemos reverter esta situação, contudo vamos entrar em contacto com o presidente da administração dos CTT e manifestar o nosso desagrado. Além disso, tenho intenção de levar este assunto a reunião de Câmara e à Comunidade Inter Municipal para perceber se há outros Municípios da região norte do distrito de Leiria com o mesmo problema porque, se assim for, julgo que será pertinente unirmonos e tomarmos uma posição em defesa dos nossos interesses”.

O jornal “O Alvaiazerense” contactou os CTT que, em comunicado pouco esclarecedor sobre o assunto, responderam que “os CTT têm vindo a reforçar os pontos de acesso por todo o país tendo mais 75 pontos CTT do que em 2014, ano da privatização (…). Visam proporcionar sempre uma melhor qualidade global nos serviços dos CTT (…), muitas vezes com vantagens de conveniência devido a horários de abertura mais extensos, muitas vezes em horários mais alargados e convenientes para as populações”.

Ana Catarina de Oliveira
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