Homenagem ao Maestro António de Jesus Simões

No dia 3 de maio, antigos alunos, colegas, amigos e família, reuniram-se para homenagear o Maestro António de Jesus Simões, pensando este que vinha jantar com os amigos, Adelaide Elisa Santos, Valentina e Filipe Santos, mentores desta homenagem, o espanto ficou bem visível quando encontrou uma sala repleta, mas só depois de ouvir cantar o hino da escola Duarte Pacheco Pereira, da sua autoria, e com a passagem de um Powerpoint sobre aspetos mais relevantes da sua vida, começou paulatinamente a perceber do que se tratava. Da emoção inicial passou a comentar, de forma efusiva, as imagens que se sucediam e as histórias que as envolviam.

A organização intitulou a homenagem como um musical de afetos que teve início em 1972, com a abertura da Escola Preparatória Duarte Pacheco Pereira em Alvaiázere, hoje, Escola Básica e Secundária Dr. Manuel Ribeiro Ferreira.

O hino cantado por antigos alunos foi apresentado a 2 de março de 1973, numa homenagem de gratidão, dos professores e alunos à professora, Maria de Aguiar Lopes Vilão Vaz de Morais, diretora da escola nesse ano letivo 1972/1973.

Depois deste hino o professor António Simões continuou a escrever e a musicar poemas que os alunos apresentavam com alegria nos saraus da escola. E era com imensa paciência que ajudava os alunos a montar os espetáculos. Outra faceta do professor que encantava os alunos eram as aulas de fotografia, onde estes aprendiam a revelar fotos.

Com todas estas atividades, num Portugal a preto e branco, o professor António Simões transmitia a esperança aos seus alunos de um futuro melhor através das suas canções.

E no ano letivo de 1976/1977, num Portugal já livre e colorido, o maestro professor, formou na escola um grupo infantil de canto “a Malta” que gravou um disco em vinil, com duas faces e dois temas: Ó Zé levanta o pé e Canta alegre. Os alunos viveram com entusiasmo e loucura esta gravação e o disco na época foi um verdadeiro sucesso.

O professor António Simões deu continuidade à edição de discos em vinil, como “O Saltimbanco” e “O Alfaiate”, mas já noutras escolas.

Em 1981 escreveu a letra e música “Mãe eterna” que foi recordada como uma homenagem de todos os presentes, à mãe do maestro, sra. Dona Hermínia.

De realçar que na organização desta homenagem foi de extrema importância a colaboração e cumplicidade da irmã, Paula, para que estivessem presentes a mãe, filhos, irmãos, sobrinhos e restante família.

Não podemos esquecer o prestimoso e valioso trabalho prestado pelo maestro no Coro Alva Canto de Alvaiázere e principalmente a nível nacional pelo restauro de órgãos centenários, no entanto esta homenagem privilegiou o professor, que de forma simples lúdica, pedagógica e humorística captava a atenção de todos os alunos e contribuía para a sua formação integral.

E foi por tudo o já referido e por todas as outras facetas deste grande homem, que se atribuiu, de forma simbólica, um “disco de ouro”, entregue pela aluna, Adelaide Elisa Santos, que referiu ”hoje decidimos atribuir um “disco de ouro” ao nosso Maestro, carregadinho de afeto, aquele que nos fez juntar este grupo de amigos, familiares, colegas e alunos, todos com boas recordações de momentos alegres e felizes, momentos de ouro”.

De seguida usou da palavra, Vítor Serpa, que relembrou que a amizade deste com o homenageado vinha desde os tempos de infância, década de 60, quando ia de férias e aos fins de semana para a casa do seu avô “Chico Caetano” que vivia em Pousaflores. O António Simões auxiliava na celebração da missa, o saudoso Padre Melo, sentindo um grande orgulho pela ação do amigo. Recordou ainda a bondade e a amizade do Padre Melo e a importância deste na formação do jovem Simões.

O amigo e conterrâneo, João Patrício, como é habitual, de forma teatral, saltou para uma cadeira e transmitiu, que adiou todos os seus compromissos para poder participar neste encontro do coração. E enalteceu o amigo “tu nasceste para te eternizares nos nossos corações. Ninguém é como António Simões, uma enorme figura de Alvaiázere, Ansião, Pousaflores, chega até Coimbra, vai até Braga e ao estrangeiro com os seus órgãos. É das poucas pessoas que conheço que mantém o mesmo brilho em relação às coisas mais comezinhas como às coisas grandes”. Enunciou uma infinidade de trabalhos efetuados pelo Maestro demonstrando a sua habilidade. Classificou-o como um homem generoso, culto, músico, poeta, escritor de humor e teatro. Rematou, “É capaz de dar aos outros o que é seu sem pedir nada em troca” e uma estrondosa salva de palmas confirmou o referido.

O distinto maestro e professor agradeceu emocionado a todos os presentes, e com a simplicidade que o caracteriza referiu “este dia ficará guardado para sempre no meu coração”.

O tempo passou veloz, nesta partilha de afetos, e no final ficaram os resistentes que ao som da sua viola recordaram com alegria e saudade velhas canções.

Teodora Cardo