Missão Trevo leva ajuda aos sem abrigo em Lisboa

O dia 16 de março ficará marcado para sempre na memória de 15 pessoas, a maioria jovens que se encontram a fazer a preparação para o Crisma e seus catequistas. Saíram de Almoster com destino a Lisboa para fazer o bem: distribuir ajuda a pessoas sem abrigo.

A ideia surgiu no âmbito da preparação dos jovens de Almoster para o Crisma. “Assumiu-se que este ano, designado de estágio, deveria ser marcado por atividades práticas, integradoras dos jovens numa vida plena, marcada por valores de partilha, solidariedade e cuidado para com o outro, num quadro de cidadania ativa”, disse Sónia Rodrigues, responsável pelo grupo Missão Trevo.

Além de corações cheios de amor para distribuir, este grupo levou mantas, cobertores, arroz, massa, açúcar, farinha, batatas, azeite, água, sumos, produtos de higiene pessoal, como giletes, gel e shampoo.

Mas a Missão Trevo não trabalhou sozinha. A Associação ASA (Apoio aos Sem Abrigo) foi a Associação parceira – pois a coordenadora dos catequistas, Susana Marques, já conhecia o seu trabalho no terreno – que acolheu o grupo de braços abertos, explicando o que era preciso fazer, pois não havia tempo a perder. Desde servir comida, distribuir alimentos ou outros artigos, apanhar o resto do lixo do chão ou simplesmente olhar nos olhos daquelas pessoas e dar-lhes uma palavra amiga, ouvindo as suas histórias, esta experiência foi, de certo, marcante para todos os envolvidos. “A passagem mais rica, para mim, foi ver os jovens a despojarem-se dos sapatos e do caderno de desenho para os darem a quem tão pouco tem. Eu não lhes tinha dito nada disso e eles nem me consultaram para tal. Foi o sentido de cuidado pelo outro a falar mais alto. Naquele momento senti que eles estavam conscientes do seu caminho e do seu papel na sociedade. Depois foi a postura dos jovens na rua. Não vi jovens entretidos com telemóveis, vi jovens a olhar nos olhos dos homens e mulheres de rua, vi jovens a escutar com atenção os problemas dos outros e a imprimir a esse gesto grande sentido de dignidade ao outro”, adiantou Sónia Rodrigues.

Durante todo o final de tarde e início de noite, este grupo participou em três momentos distintos de ajuda e nos quais viram de tudo: pessoas que já tinham sido bem-sucedidas na vida, como o professor de música que já tinha trabalhado no teatro com Filipe La Féria; mulheres e homens idosos, que até tinham casa, mas não tinham dinheiro para uma vida digna e que tinham fome; e pessoas a aproveitarem- se da boa intenção de quem dedica o seu tempo a ajudar os outros. “Mas isso, não me demove da Missão Trevo. Levar trevos a quem precisa deve continuar, é importante que continue”, referiu a responsável do grupo.

Todos concordaram que foi “uma viagem para a história”, não apenas por aquilo que foram fazer, mas por todo o contexto envolvente: a forma como levaram os bens, a boa disposição, os cobertores a servir de almofada para rentabilizar o espaço, entre muitas outras coisas.

Esta experiência gratificante não teria sido possível sem a ajuda de várias entidades, nomeadamente o Município de Alvaiázere, que ajudou com o transporte; o padre André Sequeira com apoio espiritual e também com a divulgação da iniciativa junto dos paroquianos e facilitando, desta forma, a recolha de bens; a escola E.B. 2,3/S de Carreira, que doou os cobertores para levar; várias pessoas individuais que, desde a época de natal, entregaram bens para distribuir junto dos mais necessitados e a Santa Casa da Misericórdia de Alvaiázere.

Ana Catarina de Oliveira