Opinião

Ainda com as feridas de Pedrógão por sarar, nova tragédia assombrou o País, neste Outubro escaldante. Temperaturas elevadas, em véspera de chuva anunciada, empurraram o País para um autêntico inferno, em mais uma noite de terror, com dezenas de mortes. Repetição impensável. Confrontações díspares. Pinhais e eucaliptos a mais, agricultura a menos. Aquecimento global e fenómenos extremos. A violência das chamas e a fragilidade do ataque. A brutalidade e o desespero. Com erros e culpas da estrutura Estado. Outros “boys”, menos competência. Uma coisa é a realidade, outra é a querela política.

“Outubro quente traz o diabo no ventre.” É assim que o povo, na sua imensa sabedoria, sinaliza o mês que agora acaba.

Este ano, tem-se revelado extraordinário. Extraordinário pelas altas temperaturas e seca extrema em quase todo o país, pela tragédia que a todos enlutou e, até, pelo facto de, pela primeira vez, um primeiro-ministro de Portugal ser acusado de uma série de crimes.

Assim, lembrei-me de escrever um ou dois apontamentos sobre este mês que deve o seu nome à palavra latina octo (oito), dado que era o oitavo do calendário romano, que começava em março.

Escrever para um jornal ou para discursar é preciso estar bem-disposto e bem inspirado, o que nem sempre é oportuno. O que acontece neste momento comigo.

Há dias ouvi umas coisas na televisão e logo me inspirei no que havia de escrever para o nosso Alvaiazerense, mas, como não peguei de imediato no lápis e não aproveitei a ideia, a inspiração desapareceu.

A maioria dos nossos leitores quando ler estas linhas já terá conhecimento dos resultados daquelas que foram as décimas segundas eleições autárquicas. Também já terão ouvido todos os líderes partidários e é provável que tenham chegado à estranha conclusão: não houve derrotados. Só vencedores!

A “Banda de Alvaiázere” como é conhecida a Filarmónica Stª Cecília de Alvaiázere, é a instituição mais antiga do Concelho, sabia?

É verdade. Fundada em 11 de Outubro de 1923, prestes a completar 94 anos, a Banda de Alvaiázere tem sido ao longo deste quase século de existência, a principal Associação com cariz cultural do nosso Concelho.

Com pequenos períodos menos bons ao longo da sua longa história de vida, vive hoje com uma energia e juventude extraordinárias.

Já é sina! Agosto quente e incêndios todos os dias. Cada ano parece pior que o anterior. Desta vez com dias de ventos muito fortes. Mais de cem suspeitos detidos pelas autoridades, levanta-nos dúvidas de vários tipos. Maníacos? Vinganças? Negócios? Política? Quem souber que responda. Entretanto a reforma da floresta é arma de arremesso entre as forças politicas que somam incapacidades e culpas ao longo dos tempos de democracia. Por favor, entendam-se porque anos como este, são vergonha e empobrecimento nacional!

As promessas eleitorais e a prática no exercício das funções, normalmente não bate a bota com a perdigota. Vejamos alguns exemplos em Alvaiázere, tendo como protagonista um dos actuais candidatos, face à sua prática do passado e o que propõe para o futuro.

Como já tenho uma certa idade, uma vez que nasci no ano de 1937, já passei por algumas gerações. Já vivi em épocas que se discutia um palmo de terra, a partilha de águas de rega, jogavam-se umas cartas nas tabernas e muitas outras coisas. Pois estas pessoas podiam-se considerar de cultura reduzida. Ora por vezes serviam-se de maus tratos, a cultura era reduzida e lá a porrada servia para resolver situações, que nunca ficavam resolvidas e claro iam para Tribunal e, logo a cadeia os esperava.

Para estas celas lá iam os incultos que nem o nome sabiam fazer.

Foi eleita uma nova Direcção do Grupo Desportivo de Alvaiázere, a maior associação desportiva do Concelho, que organizou as comemorações do seu 38º aniversário, tendo como referência a criação de estatutos próprios. Na realidade o grupo desportivo fez 40 anos, já que no início se serviu dos estatutos da Assembleia de Alvaiázere (vulgo Clube), tendo efectuado o primeiro jogo como equipa federada em Abril de 1977.

Pode parecer tarde (e talvez seja), mas não queria deixar de escrever sobre a nossa FAFIPA.