António Gonçalves

As promessas eleitorais e a prática no exercício das funções, normalmente não bate a bota com a perdigota. Vejamos alguns exemplos em Alvaiázere, tendo como protagonista um dos actuais candidatos, face à sua prática do passado e o que propõe para o futuro.

Tal como se previa, em Alvaiázere já começou a propaganda política face às eleições autárquicas do próximo dia 1 de Outubro. E esse facto nota-se no frenesim de pequenas obras para encher o olho aos incautos, e principalmente para já, no tom dos discursos das cerimónias do dia do concelho. Auto elogios, ataques à oposição e críticos. Auto elogios no aspecto em que a governação é que faz (então estariam lá a fazer o quê?) e sabe fazer (elogios em causa própria é vitupério).

AUTÁRQUICAS...

Apesar de as eleições autárquicas apenas serem em Outubro próximo, o País, todo ele, já mexe em redor desse acontecimento.

A leitura de títulos e frases sem sequência, leva-nos muitas vezes ao engano. Foi algo que me aconteceu, quando li que um tal senhor vinha editar um livro em que prestava contas aos portugueses.

Todos sabemos que a língua portuguesa é muito rica...

Geringonça foi a palavra escolhida por Paulo Portas para denegrir o apoio parlamentar do PCP e BE para a formação e sustentação do actual governo. É conhecido o génio de PP para a intriga, principalmente a política. Pena que não queira ligar os factos e as figuras, tal como os cria, à pessoa do seu inspirador. E para mim, o seu grande inspirador quase sempre é a sua figura retratada no espelho, quando a ele se vê. Só que aí não tem a virtude de o reconhecer.

O perigo da hipocrisia, do cinismo e da mentira na democracia, é o podermos cair novamente na ditadura por descrença do povo. Ver um ex-primeiro ministro, uma ex-ministra das finanças e outros ex-governantes do anterior governo pronunciarem-se sobre o actual governo e sobre as medidas que ele vai tomando de acordo com os compromissos que fez com os portugueses e com os outros parceiros da coligação parlamentar, é de nos fazer pasmar.

A mais de um ano das próximas eleições autárquicas, já se nota um corrupio fora do comum de autarcas, futuros candidatos, máquinas partidárias. Autarcas e futuros candidatos a percorrerem todas as festas e romarias, bailes e bailaricos com a família completa a acompanhar. Futuros candidatos a imitar-lhes os passos, a mostrarem-se sorridentes e cheios de simpatia, que é preciso cativar o eleitorado. Carrancas e mau feitio têm tempo de vir depois. Começam a chover promessas de futuras obras, algumas impossíveis de concretizar, outras para inglês ver nos jornais.

O público e o privado

A única reforma eficaz que o governo PC/PP conseguiu fazer na Administração Pública durante os quatro anos do seu mandato, foi cortar nos vencimentos, nas reformas e pensões e instigar os empregados do privado contra os funcionários públicos. Coisa que para qualquer um não seria tarefa difícil, sabendo-se que os funcionários públicos são a cara da Administração e esta não tem grande simpatia na população. E a razão é porque têm de cumprir e dar a cara por todas as asneiras que os governos fazem.

OPÇÕES...

Como a opção é uma escolha entre duas ou mais coisas que se não podem ter juntamente, opto por não aderir ao acordo ortográfico e escrever como sempre me ensinaram os excelentes professores que tive em língua portuguesa. Mas em questão de opções existem muitas e variadas ideias:

Há quem opte pelo bem-estar e vida dos portugueses e há quem opte, pelo contrário, pelo estar bem do poder económico e financeiro;

Há quem opte pela saúde, educação, e justiça para as pessoas e há quem opte pela saúde e justiça das instituições financeiras;