António Gonçalves

O perigo da hipocrisia, do cinismo e da mentira na democracia, é o podermos cair novamente na ditadura por descrença do povo. Ver um ex-primeiro ministro, uma ex-ministra das finanças e outros ex-governantes do anterior governo pronunciarem-se sobre o actual governo e sobre as medidas que ele vai tomando de acordo com os compromissos que fez com os portugueses e com os outros parceiros da coligação parlamentar, é de nos fazer pasmar.

A mais de um ano das próximas eleições autárquicas, já se nota um corrupio fora do comum de autarcas, futuros candidatos, máquinas partidárias. Autarcas e futuros candidatos a percorrerem todas as festas e romarias, bailes e bailaricos com a família completa a acompanhar. Futuros candidatos a imitar-lhes os passos, a mostrarem-se sorridentes e cheios de simpatia, que é preciso cativar o eleitorado. Carrancas e mau feitio têm tempo de vir depois. Começam a chover promessas de futuras obras, algumas impossíveis de concretizar, outras para inglês ver nos jornais.

O público e o privado

A única reforma eficaz que o governo PC/PP conseguiu fazer na Administração Pública durante os quatro anos do seu mandato, foi cortar nos vencimentos, nas reformas e pensões e instigar os empregados do privado contra os funcionários públicos. Coisa que para qualquer um não seria tarefa difícil, sabendo-se que os funcionários públicos são a cara da Administração e esta não tem grande simpatia na população. E a razão é porque têm de cumprir e dar a cara por todas as asneiras que os governos fazem.

OPÇÕES...

Como a opção é uma escolha entre duas ou mais coisas que se não podem ter juntamente, opto por não aderir ao acordo ortográfico e escrever como sempre me ensinaram os excelentes professores que tive em língua portuguesa. Mas em questão de opções existem muitas e variadas ideias:

Há quem opte pelo bem-estar e vida dos portugueses e há quem opte, pelo contrário, pelo estar bem do poder económico e financeiro;

Há quem opte pela saúde, educação, e justiça para as pessoas e há quem opte pela saúde e justiça das instituições financeiras;

"Como é bom viver aqui..." Slogan atractivo, incisivo, apelativo, poético até, mas que de realidade pouco tem para oferecer a quem queira realmente viver em Alvaiázere. Onde estão os empregos, o trabalho, a indústria, o comércio, as actividades, as diversões que possam chamar e fixar as pessoas na nossa terra? Ou o slogan apenas se quer referir ao sossego, ao ócio, ao silêncio, à natureza?

Será que no dia 1 de Maio passado os Alvaiazerenses que gostariam de ver a sua terra progredir sem a verem alterada e adulterada na sua identidade, na sua cultura e costumes, que gostariam de a não ver descaracterizada e desfigurada apesar de arquitectònicamente não se poder considerar uma jóia, acordaram de uma longa noite de pesadelo? Esperemos que sim até porque a partir dessa data têm à frente dos destinos do seu município uma pessoa dela natural, onde nasceram os seus antepassados. E que para aumento da nossa esperança tem como formação profissional a arquitectura.

A diferença de opiniões e a interpretação das situações é diferente de pessoa para pessoa, de interesse para interesse, e depende muitas vezes do que se quer defender. Não nos leva a outra conclusão as declarações dos nossos carrascos económicos dos últimos 3 anos. Enquanto os internacionais chegaram à conclusão que nos infligiram normas e obrigações que muito contribuíram para a perda da nossa dignidade, o nosso governo, o carrasco interno, mais feroz ainda que o externo, acha que não, que nunca fomos feridos na nossa dignidade.

PALAVRA - A palavra não é apenas um termo, um vocábulo, um conjunto de letras. A palavra, para os homens da minha idade, tem igualmente um significado de cumprimento, obrigação, honra. Antigamente, felizmente ainda hoje para muita gente, dar a sua palavra era prometer solenemente alguma coisa, era obrigar-se a cumprir um prometimento, o pagamento de uma dívida, a prestação de um favor, etc., etc.. Era como que um empenhamento da sua honra.

Desilusão!... Desistência!... Luta!...