José Baptista

Escrevo ou não escrevo?

Confesso que, após quase dois meses de clausura, a disposição para a escrita não é das melhores.

Nesta altura do ano, gosto de andar por montes e vales. Gosto de sentir os cheiros de terra prenha e gosto de fotografá-la nos seus múltiplos aspetos ou semeá-la como se não houvesse amanhã.

Estando, assim, em modo de hibernação, “encontrei-me”, mais uma vez, com a poetisa Cecília Meireles, considerada uma das maiores do Brasil. Espero que gostem.

Leilão de jardim

Inevitavelmente, terei de escrever alguma coisa sobre o morto-vivo que nos anda a infernizar e que, sendo extremamente eficaz, paralisou a sociedade global: o Covid-19.

A palavra “vírus” é de origem latina e designava, no tempo do Império Romano, um veneno ou um líquido fétido de origem animal.

Como os vírus existem há milhões de anos, tiveram tempo para aperfeiçoar a arte de sobreviver sem viver. Só sobrevivem usando uma célula de algum ser vivo.

Nos últimos tempos, por vários episódios, muito se tem falado de racismo. Os portugueses são ou não são racistas?

Acredito que somos um dos povos menos racistas do mundo pelo simples facto de sermos a soma de várias “raças”: celtas, iberos, lusitanos, romanos, árabes, fenícios, suevos, visigodos, negros, etc.

Parece-me ser verdade que, no fundo de cada um de nós, mais ou menos escondida, encontraremos uma pitadinha desse vírus que não terá apenas cor negra.

Como passei o mês, à sombra da bananeira, a pensar na morte da bezerra é agora que a porca torce o rabo! Chegou o dia D e tenho de escrever o artigo.

Com paninhos quentes, para não meter a pata na poça, lembrei-me de histórias do tempo da Maria Cachucha e de coisas do arco-da-velha, mas é capaz de ser demasiada areia para a minha camioneta.

Se lavasse um pouco de roupa suja e escrevesse sobre os vira-casacas, chegando-lhes a roupa ao pelo, talvez fizesse boa figura, mas torço o nariz, não vá o diabo tecê-las.

Todas as regiões têm, para cada época festiva, uma tradição.

Na época natalícia, em casa de meus pais, os belhoses (bilhós) e as fatias paridas não faltavam.

Se os primeiros têm várias denominações conforme a região, velhozes, bilhós, belhozes, filhós, bilharacos, etc, as segundas, fatias paridas, também se designam por fatias de parida, pão de mulher parida, fatias douradas ou rabanadas.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

Um dos maiores problemas que a humanidade irá enfrentar nos próximos anos será a escassez de água potável.

Vários estudos evidenciam que as reservas deste precioso líquido estão a diminuir, ao mesmo tempo que as alterações climáticas estão a intensificar a pluviosidade em zonas onde ela não é necessária e que, consequentemente, no futuro, teremos um mundo mais seco, principalmente em regiões que já são secas.

As alterações climáticas são uma realidade indiscutível e torna-se fundamental pensar e desenvolver ações para minimizar o seu impacto, sem demagogias e populismos fáceis, alicerçadas no conhecimento científico.

Se os fatores que levam a essas alterações nem sempre são consensuais, quase todos concordam que a atividade humana tem um efeito preponderante na sua aceleração e que isso terá um efeito brutal na vida de milhões de pessoas.

Agosto está a terminar! Começamos já a sentir saudades do verão, da praia, do mar, das férias, do reencontro de amigos e das novas e, por vezes, fugazes amizades.

Sobre a amizade, reproduzo um dos mais famosos apócrifos de Fernando Pessoa, “O amigo aprendiz”.

Este poema, é identificado como tendo sido, pelo menos em parte, escrito por José Fernandes de Oliveira, conhecido como Padre Zezinho, um católico da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, que o intitulou de “Saudação do amigo.”

O astronauta Neil Armstrong ficou mundialmente famoso pois foi a primeira pessoa a pisar a Lua.

Ao pisar solo lunar, no Mar da Tranquilidade, a 20 de julho de 1969, durante a missão Apolo 11, terá dito a frase que entrou nos anais da História “Um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade”.

Este feito deixou para trás as viagens de ficção científica (lembram-se de Tintim “Rumo à Lua”, publicado em 1953?) e os vários mitos da cultura popular como, por exemplo, a transformação dos lobisomens na fase de Lua Cheia.