Rui Oliveira

17 de Junho de 2017, ficará para sempre gravado, a negro, na memória de Portugal. Não há registo, na era moderna do nosso País, de tantas vítimas de um incêndio. Sabemos que as altas temperaturas favorecem o surgimento de incêndios e acabamos por nos conformar que todos os anos ardam largos hectares da nossa floresta, mas o que o País não aceita, nem pode admitir, são tantas mortes.

Maio de 2017 foi um mês muito especial para Portugal, que ficará para sempre gravado na nossa história, graças à vinda do Papa Francisco a quem os portugueses mostraram toda a sua admiração. É difícil resistir a figura tão inspiradora e motivadora, pela atitude plena de autenticidade e humildade.

Vivemos tempos conturbados. O clima de tensão a nível internacional assusta os mais frágeis e levanta interrogações sobre o futuro. No meio da tormenta ouvem-se sinos de alerta, no caso, a voz da prudente China lembrando que numa guerra nos tempos de hoje nunca haverá vencedores, só derrotados. Palavras sábias!

Desde que me lembre e já são mais de trinta anos de ligação ao “O Alvaiazerense”, em todos os meses de Março, é manchete de primeira página, a comemoração do aniversário dos Bombeiros Voluntários de Alvaiázere. E merecidamente! Se há associação primordial em Alvaiázere é a dos Bombeiros Voluntários. É uma evidência que não necessita de grande argumentário. Estamos certos, se algum dia, Alvaiázere tiver de deixar de ser concelho, por qualquer reforma administrativa austera, será mais tolerada pela população do que uma extinção ou mudança dos Bombeiros de Alvaiázere.

... assistimos a discussões estéreis sobre inverdades, pós-verdades, erros de percepções mútua, isto, porque como todos sabemos os políticos não mentem; fazem política e muito da política é precisamente aquilo a que assistimos. Já percebemos que um gestor recrutado no privado, fez exigências impensáveis e alguém imprudente as aceitou e até se dispôs a elaborar legislação à medida. A coisa correu mal e bastaria ter assumido a asneira e ficaria resolvida.

... sofremos as temperaturas gélidas próprias dos Janeiros, mas em contrapartida a política nacional esteve “quentinha”, com a querela da TSU. Foram visíveis as fragilidades da coligação que sustenta o governo, que faz acordos sem garantia de aprovação parlamentar, tal como, põe a claro que o tacticismo político, por vezes, manda a ideologia às “urtigas”. Qualquer das situações tem custos. Parece evidente que os motivos comuns que alicerçaram a “geringonça” estão gastos e são por demais notórias as diferenças entre os partidos que a constituem.

... ficamos admirados com o fim de mais um ano. Ainda temos fresca a recente entrada no temido ano 2000, com a ameaça “do fim do mundo” e já lá vão dezassete! O ano que agora finda teve factos deveras marcantes, que sucintamente vamos recordar. No plano interno, a eleição do prof. Marcelo, o Presidente dos “afectos”, cativado pela insólita “geringonça”, que se previa de curta duração e agora sem fim à vista.

... fomos surpreendidos com os resultados das eleições dos Estados Unidos. É certo que a Sra Clinton, teve mais dois milhões de votos que o Mr. Trump, mas o sistema eleitoral “à americana” com os Grandes Eleitores por estado, permite estas distorções. Podiam ser mais “espertos” estes americanos, mas eles lá sabem. Não se tratou de uma derrota política, mas de uma derrota da política.

... assistimos à vitória cristalina do português António, sobre o golpismo e o preconceito. Tinha de ser do Leste e mulher! É antiga a polémica sobre a paridade de mulheres e homens nos órgãos do poder. Certamente que haverá bons e válidos argumentos para os vários posicionamentos. Mas será o facto de haver menos mulheres nos órgãos de soberania, a grande questão do défice democrático? Não haverá outros sintomas bem mais graves, como a descriminação em termos laborais e remuneratórios?

... Tivemos boas notícias, neste mês de Setembro, pois ficámos a saber que a doença de Alzheimer dentro de 5 a 10 anos terá cura. Cientista português diz que os mecanismos por detrás da doença estão identificados e seremos a última geração com a doença. São novidades animadoras, que nos dão alegria e esperança.