Rui Oliveira

Voltou a vida a Alvaiázere! É cíclico, nos meses das férias escolares a vila fica despovoada e deserta, mas em Setembro renova-se e a vila volta a fervilhar. As “andorinhas” voltam sempre no Outono!

A 4 de Agosto foi batido o recorde de temperaturas, desde que há registos, em pelo menos 25 estações meteorológicas do nosso País. Tem sido frequente o aumento de fenómenos extremos de temperatura, com secas e incêndios devastadores. Ressaltam as tempéries inusitadas nos países escandinavos, como Finlândia, Noruega e em especial a Suécia, com incêndios devorando florestas, algumas muito próximas da região ártica. O termómetro na Sibéria chegou aos 40 graus. Na Califórnia, são milhares os hectares queimados, com incêndios que duram há várias semanas.

Um famoso escritor espanhol, há tempos, numa entrevista a uma revista portuguesa, chocou-nos com “o mundo é um sítio perigoso, cheio de filhos da puta”. A recente aventura dos 13 jovens tailandeses que ficaram encurralados numa caverna, mostrou como é grande a solidariedade mundial e como pode mobilizar quereres e vontades por objectivos nobres. O mundo sofreu e acabou por suspirar de alívio com o final feliz. Este “sítio perigoso” pode ter coisas muito más, mas também tem coisas belas e comoventes que nos fazem chegar as lágrimas aos olhos.

Nesta coluna, mensalmente, tentamos destacar o que de mais relevante sucede à escala mundial, nacional e local. É evidente que a subjectividade é determinante na escolha, e o que pode ser marcante para nós, poderá não ser para o caro leitor. Também não é garantido o rigoroso cumprimento em todas escalas, seja por falta de tema, ou de espaço ou na maioria dos casos, de inspiração.

Nos finais de Maio, fomos autenticamente “bombardeados” com mensagens relativas ao Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD). Genericamente estas novas leis destinam-se a defender a privacidade dos cidadãos, no tal mundo, cada vez mais global, que através do marketing digital, nos “assalta” frequentemente com telefonemas, mensagens e emails, com infinitas e variadas propostas.

Em Abril, destacamos a nível internacional, os tempos conturbados na relação Oeste-Leste com os aliados americanos, franceses e ingleses, talvez para se afirmarem internamente, a “desafiar” a Rússia lançando misseis contra alvos específicos na Síria, alegadamente relacionados com armas químicas. Tudo com medida e contenção, havendo o cuidado de pré-avisos que possibilitaram o salvaguardar dos interesses russos na zona. Pertinente a questão da guerra da Síria durar há sete anos e os aliados só se lembrarem da humanidade quando são usadas armas químicas. O importante será como se mata?

Nos próximos meses de Abril e Maio decorrerá o prazo para entrega do IRS que cada vez está mais automático. Este ano já não haverá entrega em papel e claro que obrigará os info-excluídos a recorrer a ajuda. Seja o próprio, ou tenha que valerse de amigos, familiares ou mesmo dos serviços das Finanças, será essencial contemplar o chamado IRS solidário. Falamos da parte do imposto que o contribuinte pode ofertar quando preenche a declaração de rendimentos. Assim pode encaminhar 0,5% do imposto para uma instituição, sem qualquer custo.

No mês de Fevereiro assistimos a um gesto simbólico de primordial importância para o mundo. As duas Coreias deram início aos Jogos Olímpicos de Inverno lado a lado, com os participantes vestidos de branco e sob a mesma bandeira, a da Coreia unificada transportada por atletas dos dois países. Ouviu-se uma música tradicional coreana querida por ambos os lados e considerada como o hino de uma Coreia unificada. No final da cerimónia, também foi interpretada o “Imagine” de John Lennon, já considerado o hino global da paz. Que seja mais do que simples tréguas olímpicas!

Iniciámos o ano com a disputa interna no PPD/PSD, num frente a frente de visões distintas da social-democracia (?). Esquecendo as quezílias estéreis, uma das principais questões acabou por se centrar nas vantagens e desvantagens de um hipotético bloco central. Ironicamente e por coincidência a Alemanha após quatro meses das eleições parece ter como solução governativa a formação de um novo bloco central. Lá, como cá, as juras e outras discussões teóricas em muitas das circunstâncias não passam de meras conjecturas vãs, face à realidade.

Sempre que um ano termina, é inevitável e recomendável uma retrospectiva. Dois mil e dezassete foi marcante pela negativa, face aos trágicos incêndios ocorridos, alguns muito perto do nosso concelho. Os dias 17 de Junho e 15 de Outubro ficarão registados para sempre na memória nacional, pelos piores motivos, esperando que nunca mais se repitam, aliás, é o mínimo que se exige ao Estado.