Opinião

Alvaiázere tem sido “invadida” ultimamente por famílias que procuram no nosso sossego o seu modo de vida.

Segundo números não oficiais estima-se que mais de 200 pessoas estão a morar no nosso Concelho, contrariando assim a curva de acentuado despovoamento a que estamos sujeitos nos últimos anos e acima de tudo contrariando a elevada média de idade de Alvaiázere.

A denominada desertificação humana, e subsequente envelhecimento, é um tema que preocupa governantes e candidatos a sê-lo, como é o caso de Rui Rio, mas tudo não passando de um projeto de intenções.

Os autarcas do interior do país, cheios de boa vontade, procuram, com maior ou menor imaginação, captar gente. Por norma, apostam na disponibilização de infraestruturas que permitam a instalação de empresas. Não discordando, creio apenas que é uma aposta redutora: todos andam ao mesmo e os resultados, salvo peculiares casos, quase nulos.

Caros leitores, peço desculpa de há uns meses a esta parte nada ter escrito para o nosso Alvaiazerense. Mas agora que até estou um pouco inspirado, vou escrever algumas anotações das quais tenho cópias fotocopiadas.

Desta vez recordo a seguinte frase proferida por um político deste País em 1932 e que consta do seguinte:

“Há que regular a máquina do Estado com tal precisão, que os ministros estejam impossibilitados, pela própria natureza das leis, de fazer favores aos seus conhecidos e amigos”. Isto foi escrito numa entrevista ao jornalista António Ferro.

Iniciámos o ano com a disputa interna no PPD/PSD, num frente a frente de visões distintas da social-democracia (?). Esquecendo as quezílias estéreis, uma das principais questões acabou por se centrar nas vantagens e desvantagens de um hipotético bloco central. Ironicamente e por coincidência a Alemanha após quatro meses das eleições parece ter como solução governativa a formação de um novo bloco central. Lá, como cá, as juras e outras discussões teóricas em muitas das circunstâncias não passam de meras conjecturas vãs, face à realidade.

No passado mês de dezembro antes mesmo da época Natalícia, os deputados do PS, PSD, BE, PCP e PEV, decidiram de uma forma cobarde e abscôndita dos Portugueses, alterar a Lei que regula o financiamento dos partidos políticos, para que estes saíssem beneficiados nomeadamente em sede de IVA, promovendo à custa de todos nós a sua sobrevivência financeira.

Já não bastava a controvérsia e injustiça do conteúdo em si, mas conseguiram aquelas almas deturpar a forma e fazer tudo de modo a que ninguém se apercebesse do golpe palaciano que estavam a montar.

No início de cada ano, é costume formularem-se desejos de dinheiro e saúde. Se, para o primeiro, é fundamental trabalho e sorte, para o segundo, para além de sorte e dinheiro é, por vezes, suficiente fechar um pouco a boca.

Talvez com a melhor das intenções, num ímpeto legislador e reformista, o governo decidiu controlar o que um cidadão, supostamente livre, deve consumir, elaborando para tal uma longa lista de alimentos, cerca de 60, desde as pizzas ao pastel de bacalhau, passando pelo pastel de nata ou pelo chouriço.

Sempre que um ano termina, é inevitável e recomendável uma retrospectiva. Dois mil e dezassete foi marcante pela negativa, face aos trágicos incêndios ocorridos, alguns muito perto do nosso concelho. Os dias 17 de Junho e 15 de Outubro ficarão registados para sempre na memória nacional, pelos piores motivos, esperando que nunca mais se repitam, aliás, é o mínimo que se exige ao Estado.

Se o estado tem falhado, também nós enquanto cidadãos temos falhado e muito.

Somos responsáveis pelo desordenamento florestal, pela falta de limpeza dos terrenos em especial em voltas das nossas habitações, não nos preparamos para este tipo de acontecimentos e quando assim é, é impossível às forças que têm como missão a nossa salvaguarda e a dos nossos bens por si só, estar em todo o lado.

NOITE DE ANJOS

O carro, vagarosamente, percorria a estrada que serpenteava a serra, enquanto os velhos faróis cortavam, com dificuldade, as neblinas que bafejavam os vales. As árvores, vestidas de branco, pareciam fantasmas que, aos olhos do petiz, abriam a porta ao mundo da fantasia.

Ao chegar a casa dos avós maternos, e após o primeiro impacto que lhe tolhera os sentidos, o alçapão da curiosidade abriu-se e, sempre ancorado no olhar do avô José, que não o largava por um segundo, depressa começou a esquadrinhar tudo em redor.

No início de Novembro realizou-se a 2ª Edição do Web Summit, considerada a maior cimeira tecnológica do mundo e que trouxe milhares de empreendedores ao nosso País. A Inteligência Artificial (IA) esteve em destaque e a Sophia e o Einstein, tiveram um diálogo impensável há poucos anos. Trata-se de dois robôs humanóides que dialogam, têm gestos e tiques de pessoas e que nos avisaram “que vão ficar com os nossos empregos”. Pois! Na indústria há décadas que os robôs substituíram as pessoas.