Opinião

Para me debruçar sobre este título de “NÃO ESTÁ CERTO”, actualmente há tanta coisa sobre que nos debruçarmos que por vezes até temos dificuldade em escolher o assunto sobre o qual temos de nos vincular. Mas enfim, alguma coisa há de sobressair.

Em minha casa tenho alguns exemplares de jornais diários dos anos 1960 e outros bem acondicionados, tais como Diários de Notícias e Século.

Mais uma vez os resultados das eleições europeias a 26 de maio, levam a várias reflexões pelos políticos e cidadãos, e mais uma vez a abstenção em resultados foi vencedora, e no sentido político esta palavra significa uma participação passiva do cidadão negando-se a fazer uma escolha política e a ter opinião.

Num país de plena democracia é um ato reprovável, e principalmente uma falta de ética para com aqueles que lutaram e até perderam a vida pela luta da conquista ao direito de voto sem restrições.

No passado mês de abril, o diretor de Estudos Nacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Álvaro Santos Pereira, afirmou ao Parlamento que “A corrupção e o compadrio foram, claramente, um dos responsáveis por este país ter ido à falência”.

Confesso que achei um pouco exagerado, mas face ao que se passou, numa Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão e recapitalização da CGD, onde um (duplo!) comendador gozou, sim gozou, com todos os portugueses, ao dizer que nada deve e nada tem, já começo a dar crédito …

Mais um artigo sobre “para onde vais Alvaiázere, de onde vens ou para onde te levam”. Parece repetição mas não é. É continuação face ao pouco espaço de que dispomos para dar a nossa opinião. E a nossa opinião sobre o rumo que têm dado, e pelos vistos continuarão a dar a esta terra onde nascemos e que amamos, não é de maneira nenhuma agradável nem meritória.

Pensamento livre foi sem dúvida a maior conquista do 25 de abril. Exprimir livremente o nosso pensamento sem mordaças e ter a possibilidade de escolher livremente quem nos governa são direitos só conseguidos depois de muitos dos que nos antecederam há quase meio século conhecerem a guerra, a censura e a prisão. É preciso não esquecer o passado e refletir para que não se volte aos tempos de opressão e de falta de democracia. É preciso fomentar os ideais do 25 de abril por vezes adormecidos.

Saio hoje, nesta crónica, um pouco da minha linha de “orientação” dos artigos que escrevo, mas o que tem acontecido nos últimos dias nestes lindo País, leva-me a isto.

E porquê? Pelos episódios recentemente vividos por todos Nós.

Comemorou-se este ano o 45º aniversário do 25 de abril. Devia ser sinónimo de maturidade da nossa democracia. Por vezes, questiono-me se ainda terá algum significado a sua celebração. Os ideais de liberdade, solidariedade, fraternidade e igualdade, bebidos na revolução francesa, mantêm- se ou é tudo uma ilusão?

No presente mês de abril, assistimos a uma situação que contraria esses ideais.

É inadmissível que alguém, neste caso o governo de todos, decrete a desigualdade e a falta de solidariedade nacional.

Alvaiázere, de onde vens, para onde vais… ou te levam?

Neste ano de 2019 ainda nada escrevi para o nosso Jornal, “O Alvaiazarenese”. Mas, desta vez, que até estou bem disposto, vou escrever alguma coisa, sobre o estado actual (politicamente) como vai o nosso país. Quase todos os dias leio alguns jornais diários e neles encontro alguns artigos acerca do estado político, isto é como vai a governação, deste nosso rectângulo. E, como não podia deixar de ser, é só greves e mais greves de tudo o que pode ser. Enfim, nada está bom. Enfermeiros, médicos, professores, tribunais, repartições… e não só. Brinca-se com tudo.

Em pleno século XXI, o avanço da tecnologia e do progresso já mostrou que não consegue resolver os problemas do mundo, fome, miséria, desigualdade social, idosos sem assistências, degradação ambiental, vítimas de violência, crianças abandonadas, entre outros. Apurar as responsabilidades destas situações é dificil, apontamos na maior parte das vezes o dedo para os governos, porém a responsabilidade é de todos nós.

Continuamos a fomentar o ter como mais importante que o ser, urge revertermos esta situação, numa sociedade com uma inversão de valores.