PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE
DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO
DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO
DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO

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30 de Abril de 2022

Em 2022 já são mais os anos vividos em democracia do que em ditadura mas comemorar o 25 de abril, Dia da Liberdade e da Democracia, ainda fará sentido? Fiz a mim mesmo esta pergunta ao visionar o comentário semanal de Marques Mendes na televisão, Não é que, e enquanto ele dissertava sobre o 25 de abril, apareceu no ecrã, em letras garrafais, a legenda: “Dia da Liberdade e da Revolução dos Escravos”? Sim, valha-me santa Engrácia, dos Escravos! Como é de supor, escangalhei-me a rir. Um erro pode acontecer, mas será que quem escreveu a legenda sabe realmente o que foi o 25 de abril ou é uma coisa de tal forma distante que confundiu cravos com escravos?

Quem parece andar também muito confuso e esquecido dos valores de abril é o decano dos deputados portugueses que não consegue ver ou entender que decorre uma guerra na Ucrânia há dois meses, com milhares de mortes, cidades destruídas e milhões de refugiados. Questionar-se sobre se haverá alguma invasão ou quem a perpetra, quando a mesma já está reconhecida por várias instituições credíveis é, no mínimo, bizarro. Aqui, neste quadrante político, acredito que uma revolução dos escravos seja necessária e bem vinda.

Disse um dia Winston Churchill que “ a democracia é a pior forma de governo, à exceção de todos os outros já experimentados ao longo da história.” Efetivamente, e por muitos defeitos que tenha, ao podermos exercer a liberdade de, mesmo fechando os olhos à barbárie e contrariando a maioria, entaramelar umas idiotices para justificar a falta de lucidez é uma coisa fenomenal.

Por outro lado, podemos dizer que a democracia é, também, o mais exigente de todos os regimes, onde a comunicação social tem um papel preponderante.

Há cem anos era mais fácil manipular e escamotear a realidade mas hoje, com a informação hora a hora, é muito mais difícil. Se podemos afirmar que só é cego quem quer ou não tem formação, temos também de estar atentos e informados para ajuizarmos de forma mais correta e não culpabilizarmos os agora “maus”, pois os “bons” aquecem as casas, fazem funcionar as suas economias graças ao gás e petróleo dos anteriores, para além dos milhões de euros em material de guerra que lhes venderam e venderão.

No fundo é tudo uma questão de interesses e quem se lixa é, neste caso e em primeiro lugar, o povo ucraniano.