PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE
DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO
DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO
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10 de Março (parte I)

31 de Janeiro de 2024

A 10 de Março próximo vamos ser chamados a escolher o futuro governo de Portugal.

Numa situação normalizada com o passado, estas eleições deveriam ser um passeio para o PSD/CDS (AD), pois com tanta asneira cometida nos últimos dois anos pela maioria PS em especial pelo seu actual líder Pedro Nuno Santos (PNS), a AD deveria estar nas sondagens com uma vantagem considerável do PS, mas não. Até pelo contrário!

Além de um empate técnico mas com ligeira vantagem para o PS o único partido que se destaca é o CHEGA. E porquê? Porque tem um líder carismático que tem um discurso muito bom e sendo um partido essencialmente de protesto diz o que o povo quer ouvir e de uma forma que o povo gosta de ouvir. Se perguntarmos ao André Ventura (AV) quais as medidas que deveria tomar para os problemas que apresenta, rapidamente veríamos o vazio daquele partido.

Porque uma coisa é apontar o que está mal e isso AV faz como ninguém, outra coisa é dizer como fazer melhor. Um exemplo. André Ventura apontou o ordenado mínimo para os mil euros numa legislatura, até aí muito bem. Mas há pergunta de uma jornalista de como arranjaria dinheiro para isso, Ventura não deu resposta pois não sabe como o faria mas diz que o iria fazer. Assim é fácil.

Mas o CHEGA e André Ventura, serão os grandes vencedores de 10 de Março. Se a direita tiver maioria sem a vitória do PSD, o futuro de Portugal passará por novas eleições pois Montenegro disse que só governaria se ganhasse as eleições. A continuar assim a vitória da AD, será difícil, mas não é impossível. Esta última semana com o caso do governo da Madeira sofreu um rombo muito forte na credibilidade do PSD. Uma maioria de direita sem o CHEGA é impossível, mas um governo de esquerda sem maioria caí de imediato.

Por isso o CHEGA vai ser uma peça essencial no futuro xadrez político, disso não tenham a menor dúvida.

A opção da AD parece-me uma excelente ideia pois o CDS tem excelentes quadros políticos que fazem falta ao parlamento. Agora é tempo de melhorar a comunicação e fazer passar a mensagem e é aqui que esta coligação falha redondamente, por exemplo. Fazer uma cerimónia no Porto da criação da AD no mesmo dia do encerramento do congresso do PS foi do mais ignóbil que vi em matéria de estratégia de comunicação política. A máquina do PS nessa matéria é imbatível. O PS tem o condão de se juntar e cerrar fileiras para o combate político como ninguém. Vejase o caso de António Costa. A seguir a Sócrates foi o pior Primeiro Ministro que Portugal teve. Saí do governo com suspeitas de corrupção e favorecimento de terceiros mas mesmo assim é aplaudido de pé e bajulado no congresso. Só numa máquina muito unida e bem montada isso era possível. No PSD este cenário era impossível.

Outro erro de comunicação da AD foi ter realizado a sua convenção (que até correu bem, com boas intervenções), num espaço pequeno onde a maioria dos participantes tiveram de ficar de pé ou sentados nas escadas e para piorar sem espaço para as televisões… Pior não podia acontecer. Isto é amadorismo puro.

Se a AD não melhorar a sua comunicação e imagem, bem pode dizer que as suas listas são boas (e são de facto as melhores) que a mensagem não chega aos Portugueses, e depois não há nada a fazer.

Mas vamos ter um mês cheio de casos e casinhos e de combate político duro. Vamos ver no que isto dá. Até lá …um Abraço!