Há precisamente um ano, aquando da tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), deixamos aqui algumas dúvidas e incertezas sobre o futuro imediato do mundo num cenário emoldurado pelas afirmações, promessas e ameaças que ele então fizera.
Entre elas e a par de outras é de realçar, no plano internacional, o prometido fim da guerra na Ucrânia em poucos dias e o termo do conflito Israelo-palestiniano. E se relativamente a este último Trump conseguiu praticamente pôr-lhe termo, obtendo um cessar fogo, já no que toca à Ucrânia o conflito manteve-se e agravou-se de forma visível, sobretudo no tocante à destruição de infra-estruturas e morte de civis, de fontes de energia e ocupação de algumas faixas territoriais pela Rússia. À primeira vista, poder-se-ia concluir, sem levar em consideração as nuances específicas de cada um destes conflitos, que Trump conseguiu realizar 50 por cento dos objectivos a que se propôs, o que, ainda assim, não pode deixar de considerar-se positivo.
Mas sabendo-se do gigantismo do seu narcísico ego, estará Trump satisfeito com este resultado ao fim do seu primeiro ano de mandato? É claro que não, pois ele não se basta com um só êxito, nem desistirá enquanto o Comité do Nobel não deliberar atribuir-lhe o tão publicamente desejado prémio da Paz e o mundo o não reconhecer como o artífice da nova era, em suma, um novo César.
A prova de que não está, é que ainda muito recentemente manifestou ao Primeiro Ministro da Noruega, país onde são atribuídos os Prémios Nobéis, a sua frustração por, apesar de já ter impedido oito guerras (?!), não ter sido galardoado, em 2025, com o Nobel da Paz que foi atribuído a Maria Corina Machado pela promoção e defesa dos direitos do povo venezuelano.
Note-se que numa recente visita à Casa Branca, em 15 de Janeiro, Maria Corina Machado ofereceu a Trump a sua medalha do nobel como gesto de gratidão pela operação militar norte-americana realizada em Caracas no início desse mês, apesar do Comité do Nobel, autónomo e independente do governo norueguês, já ter esclarecido que o prémio é pessoal e intransmissível.
O mais caricato deste episódio é que, dias antes da referida visita, o próprio Trump tinha referido à estação de TV americana “Fox News” que seria uma honra receber de Corina Machado a medalha do Prémio Nobel da Paz atribuído à líder oposicionista venezuelana.
A referida operação militar sobre a Venezuela, ordenada por Trump, foi realizada por forças especiais americanas que prenderam o Presidente Nicolás Maduro e sua esposa sob a acusação de cometimento dos crimes de narcotráfico e de terrorismo, tendo os mesmos sido levados e aprisionados nos EUA para aí serem julgados.
Após esta operação militar externa, Trump voltou a concentrar as atenções sobre a Gronelândia, insistindo na sua aquisição a bem ou a mal por, segundo ele, ser indispensável à defesa e controle das rotas marítimas do Ártico.
Mais recentemente, no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, Trump lançou o Conselho de Paz para promover a cooperação internacional na resolução de conflitos, focado inicialmente na Faixa de Gaza, mediante o alegado pagamento de mil milhões de dólares por cada membro que aceite fazer parte dele.
Tais actos mais não traduzem senão a manifesta apetência de Trump em ditar as novas regras da coexistência entre Estados, a seu bel-prazer e segundo os seus interesses, se necessário pela força, fazendo tábua rasa da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional o que não augura nada de tranquilizador.