Numa época em que sentimos que a democracia pode entrar em colapso, por caminhos arriscados, principalmente pela não vivência das dificuldades extremas e do medo do antigo regime, revela-se cada vez mais urgente uma educação nos valores da cidadania e de consciencialização para a possível perda de liberdade e suas terríveis consequências.
E como a cultura e a educação são as maiores armas de luta contra o obscurantismo e a opressão, nesta edição, ouvimos educadores do antigo Colégio Vera Cruz, CVC, e do atual Agrupamento de Escolas de Alvaiázere, que muito contribuíram para a formação de várias gerações.
Do CVC foram recordadas pessoas de elevado valor e muita visão, o fundador do Colégio, Francisco dos Santos Almeida e o seu Diretor, José Augusto Rangel, tendo sido feito, mais uma vez, o apelo, de serem devidamente reconhecidos, pelos órgãos autárquicos, numa “justa homenagem ao Ensino/ Educação no Concelho de Alvaiázere” através de uma obra artística colocada em lugar de destaque na Vila.
Reforço esse apelo, deixando o meu testemunho pessoal da importância da criação arrojada do CVC, já que no seu encerramento, em 1974, eu e os meus colegas tivemos de procurar outras localidades como, Ourém, Tomar, Pombal, para continuar os estudos. Fica a esperança que um dia seja feita a merecida homenagem a esta instituição, que teve uma relevância excecional no panorama educacional e cultural, local, regional e até nacional.
E com este sentimento de justa homenagem, recordo Sebastião Salgado, natural do Brasil, que partiu no dia 23 de maio, com 81 anos, em Paris, onde vivia, deixando-nos um legado extraordinário como fotógrafo a preto e branco, na área fotojornalista e documental.
O seu trabalho esteve patente em exposições itinerantes por todo o mundo, resultantes de viagens que fez a mais de 120 países.
Em Portugal, no Centro Cultural de Belém em 1993 apresentou uma exposição, que ainda hoje retenho na memória, algumas imagens, pelo forte pacto com a sociedade mais desprotegida. Também tive o privilégio de visitar “Génesis”, em 2015, na Cordoaria Nacional, onde revela o estado mais primitivo da natureza e do Homem valorizando a dimensão ecológica, educativa e inclusiva.
Uma exposição que demorou cerca de oito anos a preparar, com viagens a locais de difícil acesso, como no Congo, Amazónia, Antártida.
Em Almada, até ao dia 24 de agosto, está patente uma exposição, que tem fotos suas, “Venham Mais cinco – O Olhar Estrangeiro sobre a Revolução Portuguesa (1974-1975)”.
Visitar esta exposição será uma devida homenagem a um Homem com uma carreira singular, reconhecida internacionalmente e uma visão única sobre o Mundo, na busca da perfeição, da cultura e da educação para todos.