Filipe Antunes dos Santos faleceu no passado dia 6 de maio, aos 92 anos. Natural de Pelmá, no concelho de Alvaiázere, e residente entre Coimbra e Ansião, deixa um percurso ligado ao ensino, à cultura, à escrita e ao serviço público, marcado sobretudo pelo facto de ter sido o primeiro presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere eleito após a Revolução de 25 de Abril de 1974.
Nascido a 13 de setembro de 1933, Filipe Antunes dos Santos foi padre, professor, autarca e escritor. Frequentou o Curso Teológico no Seminário Maior de Coimbra e licenciou-se em História pela Universidade de Coimbra. Ao longo da vida exerceu funções docentes em Moçambique, Alvaiázere, Ansião, Coimbra, Oliveira do Hospital e Bragança, tendo também sido Leitor de Português na Universidade de Nancy-Metz, em França.
Em 1976 presidiu à segunda Comissão Administrativa da Câmara Municipal e, nesse mesmo ano, foi eleito presidente da autarquia, funções que desempenhou até 1985, num período de profundas mudanças políticas e sociais no país e no concelho.
Era casado com Valentina Santos, pai de três filhas e avô de quatro netos. Embora vivesse em Coimbra, mantinha uma forte ligação à região, passando fins de semana e férias em Ansião, onde continuava próximo da comunidade e da vida cultural local.
Na última edição de O Alvaiazerense, numa entrevista publicada a propósito da comemoração do 25 de Abril, recordava o ambiente vivido em Alvaiázere após a revolução. “A emoção que senti foi pela confiança que o nosso Povo acabava de depositar em mim”, afirmou. Sobre o concelho nessa época, dizia que “o nosso Concelho se via privado de quase tudo aquilo a que tinha direito”.
Ao longo da entrevista, destacou também o esforço desenvolvido durante a década em que liderou o município, numa altura em que faltavam infraestruturas básicas em muitas localidades. “Sempre acreditei na força da vontade e, em dez anos, muita coisa mudou para benefício do nosso Povo”, frisou.
O Município de Alvaiázere manifestou “profundo pesar” pela morte do antigo autarca, destacando o seu contributo “em prol do concelho, da democracia, da cultura e da valorização do território”. Em reconhecimento pelo seu percurso, foi decretado luto municipal nos dias 7, 8 e 9 de maio, com a bandeira municipal hasteada a meia haste.
Também o Município de Ansião lamentou o falecimento de Filipe Antunes dos Santos, recordando-o como uma personalidade de “reconhecido mérito humano, académico, cultural e cívico”. Na nota de pesar divulgada, a autarquia destacou o seu percurso ligado ao ensino, à valorização da língua e cultura portuguesas e à defesa das gentes do Interior.
Homem de vasta sensibilidade cultural, colaborou regularmente na imprensa regional e publicou várias obras ao longo da vida. O seu livro mais recente, “Tons Conjugados em singular plural”, foi apresentado no final de janeiro, em Ansião, durante a Feira dos Pinhões.
Em 2023, o Município de Ansião distinguiu-o com a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro, reconhecendo o contributo dado à cultura, à educação e à valorização do concelho.
Filipe Antunes dos Santos foi também colaborador de opinião do jornal O Alvaiazerense, uma ligação que manteve até aos últimos tempos da sua vida, através de textos marcados pela literatura, reflexão, memória e atenção à realidade local. Com a sua morte desaparece uma das figuras mais marcantes da vida pública, cultural e cívica da região nas últimas décadas.