PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE

DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO

DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO

Requalificação da escola na reta final,mas prazo do PRR continua em risco

REQUALIFICAÇÃO DA ESCOLA DR. MANUEL RIBEIRO FERREIRA ENFRENTA CORRIDA CONTRA O TEMPO

A requalificação da Escola Básica e Secundária Dr. Manuel Ribeiro Ferreira, em Alvaiázere, aproxima-se da fase final, mas continua envolta em incertezas quanto ao cumprimento do prazo definido pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O alerta foi deixado pelo presidente da Câmara Municipal, João Paulo Guerreiro, durante a sessão solene do Dia do Município, realizada a 13 de junho.

Perante representantes de várias entidades, o autarca reconheceu que a empreitada enfrenta dificuldades e admitiu que poderá ser difícil concluir os trabalhos até 31 de agosto, data limite imposta pelo PRR.

“A obra está ali, está quase pronta. Não sabemos se conseguirá ou não cumprir os prazos do PRR”, afirmou.

João Paulo Guerreiro explicou que os constrangimentos sentidos ao longo dos últimos meses foram agravados pelas tempestades que atingiram a região. Segundo disse, a empresa responsável pela obra também sofreu os impactos desses fenómenos meteorológicos, o que contribuiu para alguns atrasos na execução.

Apesar disso, garantiu que os trabalhos continuam a avançar e sublinhou que o objetivo principal é entregar à comunidade escolar uma infraestrutura de qualidade.

“Queremos que toda a comunidade escolar de Alvaiázere possa, finalmente, usufruir de uma escola de excelência. Não queríamos que, por causa da pressa e da urgência, a escola não fosse de excelência”, referiu.

UM PROJETO MARCADO POR VÁRIOS CONTRATEMPOS

Durante a sua intervenção, o presidente da Câmara recordou o longo percurso que antecedeu o início da obra.

Segundo explicou, quando assumiu funções em 2021 existia já um projeto de reabilitação da escola avaliado em cerca de 2,1 milhões de euros. Apesar de a candidatura reunir condições para aprovação, acabou por não avançar por falta de verba disponível.

“Fui informado que a candidatura tinha condições para ser aprovada, mas não havia dinheiro para avançar”, recordou.

Mais tarde surgiu uma nova oportunidade de financiamento, mas o processo voltou a sofrer atrasos. Entretanto, os custos de construção aumentaram significativamente.

De acordo com o autarca, uma intervenção que há cerca de cinco anos estava estimada em 2,1 milhões de euros aproxima-se agora dos 6 milhões de euros.

“Uma obra feita por dois milhões e 100 mil euros há cinco anos custar-nos-á agora perto de seis milhões de euros”, afirmou.

João Paulo Guerreiro aproveitou ainda para chamar a atenção para as dificuldades que os municípios enfrentam atualmente na execução de obras públicas, devido ao aumento dos preços e à escassez de empresas disponíveis para assumir empreitadas.

RIBAU ESTEVES PEDE FOCO TOTAL NA EXECUÇÃO

As preocupações levantadas pelo presidente da Câmara mereceram resposta imediata do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro), José Ribau Esteves, que tinha visitado a obra antes da sessão solene.

Num tom descontraído, revelou que aproveitou a deslocação a Alvaiázere para verificar o andamento dos trabalhos.

“Quanto à escola, foi das obras que hoje visitei ilegalmente antes desta sessão solene. O portão estava aberto, havia pessoas a trabalhar”, contou.

O responsável da CCDR foi perentório na mensagem deixada ao município e ao empreiteiro. “Neste momento só têm de se preocupar com executar para chegar ao final de agosto e atingir os 100%”.

Aquele responsável reconheceu, no entanto, que existem mecanismos previstos para situações em que as obras não estejam totalmente concluídas dentro do prazo, referindo a possibilidade da chamada “conclusão substancial”, que pressupõe uma execução próxima dos 90%.

“O prolongamento em défice, a tal baldinha que se arranjou, que se chama conclusão substancial, é a previsão de ter aquilo, pelo menos, a 90%”, explicou.

Sem avançar mais detalhes, acrescentou que, caso a conclusão total não seja possível, existem caminhos que poderão assegurar a sustentabilidade financeira da operação.

“Qualquer número mais alto que o do dia anterior permitirá encontrar uma solução que garante a sustentabilidade financeira e a tranquilidade da Câmara na gestão desse importantíssimo objetivo”.

OBRA AGUARDADA PELA COMUNIDADE ESCOLAR

A requalificação da Escola Dr. Manuel Ribeiro Ferreira é uma das intervenções mais relevantes em curso no concelho. O estabelecimento de ensino serve centenas de alunos e constitui uma infraestrutura central para a vida educativa de Alvaiázere.

O atraso na conclusão dos trabalhos tem sido acompanhado com expectativa por alunos, famílias, professores e funcionários, que aguardam a conclusão de uma obra destinada a melhorar significativamente as condições de ensino e aprendizagem.

Para já, a prioridade passa por acelerar os trabalhos durante os meses de verão. Tanto a Câmara Municipal como a CCDR Centro mantêm a expectativa de que a empreitada consiga aproximarse das metas exigidas pelo PRR e que a nova escola esteja pronta para servir a comunidade educativa nas melhores condições possíveis.