Durante duas semanas, 19 voluntários trocaram as férias por baldes de tinta, ferramentas e muito trabalho. Entre os dias 12 e 26 de julho, a associação sem fins lucrativos Just a Change voltou a Alvaiázere para reabilitar três habitações degradadas nas freguesias de Pelmá e Pussos S. Pedro. Mais do que reparar paredes, telhados ou pavimentos, a missão voltou a transformar a vida de três famílias que viviam sem condições de conforto, segurança e salubridade.
Foi o terceiro ano consecutivo de intervenção da associação no concelho. A missão decorreu em simultâneo com outra em Ansião, num modelo de “campo partilhado”, que permitiu otimizar recursos e aumentar o impacto social da iniciativa.
RESPOSTA COMEÇOU APÓS A TEMPESTADE KRISTIN
O regresso do Just a Change a Alvaiázere aconteceu na sequência do trabalho desenvolvido este ano junto das famílias afetadas pela tempestade Kristin.
Segundo Mariana Borges, responsável de Comunicação e Marketing da associação, a resposta de emergência permitiu perceber que alguns casos exigiam uma intervenção muito mais profunda.
“Em 2026, o Just a Change esteve presente na região no suporte às comunidades afetadas pela tempestade Kristin. Na sequência das casas apoiadas no contexto SOS tornou-se evidente que, em alguns casos, a intervenção teria de ir além do apoio de emergência”.
No âmbito do programa Just SOS, a associação interveio em sete habitações no concelho de Alvaiázere, apoiando 18 beneficiários, com a participação de 31 voluntários e um investimento superior a 55 mil euros. A operação estendeu-se também aos concelhos de Tomar, Ferreira do Zêzere e Ansião.
CASAS COM GRAVES PROBLEMAS DE SEGURANÇA
Quase seis meses após a tempestade, os voluntários voltaram ao concelho para reabilitar três habitações que apresentavam problemas comuns a muitas situações de pobreza habitacional.
Falta de isolamento térmico, infiltrações, tetos, pavimentos e paredes degradados, bem como condições insuficientes de higiene e conforto faziam parte da realidade encontrada pelas equipas.
Num dos casos, a situação era particularmente preocupante. “Um dos casos tinha divisões com tetos com fissuras e em risco de colapso, o que, se não fosse solucionado, poderia pôr em perigo a vida do beneficiário que habita nesta casa”, revela Mariana Borges.
As obras incluíram limpezas profundas, reparação de pavimentos, paredes e tetos, substituição de loiças sanitárias, reparação de telhados, colocação de isolamento térmico através de pladur, instalação de portas e janelas e pinturas interiores e exteriores.
O objetivo passou por melhorar a eficiência energética das habitações, mas também proporcionar melhores condições de saúde, conforto e bem-estar aos seus moradores.
UM PROJETO CONSTRUÍDO COM A COMUNIDADE
A seleção das famílias resultou de um trabalho conjunto entre a associação, a Câmara Municipal, as juntas de freguesia e outras entidades locais.
“São estas organizações que possuem maior conhecimento do território e das suas necessidades”, explica Mariana Borges.
A responsável sublinha que cada intervenção envolve igualmente fornecedores locais, técnicos de obra, vizinhos e voluntários da região, tornando cada projeto num verdadeiro esforço comunitário.
UMA CASA DIGNA MUDA MUITO MAIS DO QUE PAREDES
Para o Just a Change, a reabilitação das habitações representa apenas o início da mudança. “Sabemos que a casa é um ponto de partida para uma vida melhor”, afirma Mariana Borges.
A associação recorda que mais de 600 mil pessoas vivem atualmente em situação de pobreza habitacional em Portugal, o equivalente a uma em cada 16 pessoas.
Os resultados do Relatório de Impacto de 2024 demonstram essa realidade. Um ano após as intervenções, 82% dos beneficiários consideram que a sua vida melhorou muito, 80% afirmam que as condições da habitação melhoraram significativamente, 86% sentem mais orgulho na sua casa e 87% reconhecem que passaram a ter melhores condições para trabalhar ou estudar.
Além da obra, a associação mantém acompanhamento de muitas famílias através de uma rede de parceiros sociais e de voluntários que continuam a visitar os beneficiários e a acompanhar a sua situação ao longo do ano.
CONTINUIDADE DEPENDE DA PARCERIA LOCAL
A associação manifesta vontade de continuar a intervir em Alvaiázere, mas lembra que isso depende da articulação entre várias entidades e da existência de financiamento.
“Se o interesse e a oportunidade dos diferentes agentes estiverem alinhados, temos toda a motivação para continuar a desenvolver a nossa missão em Alvaiázere e reabilitar mais casas e vidas neste concelho”, afirma Mariana Borges.
Depois de três edições consecutivas, a presença do Just a Change começa a consolidar-se no território. O trabalho desenvolvido demonstra que, quando instituições, autarquias, voluntários e comunidade se unem, é possível devolver dignidade a quem vive em condições precárias e fazer da casa um verdadeiro lugar de segurança, conforto e esperança.









