PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE

DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO

DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO

Região de Leiria cria rede de emergência para funcionar sem telemóvel nem Internet

A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria está a implementar um sistema alternativo de comunicações de emergência para garantir o contacto entre entidades de proteção civil e municípios em situações de falha das redes móveis e da Internet. A medida surge na sequência de episódios recentes que afetaram a região, como o apagão de abril de 2025 e a depressão Kristin, em janeiro.

O novo sistema abrange os dez concelhos da CIM Região de Leiria, incluindo Alvaiázere, e deverá estar concluído até ao final de maio. O investimento ronda os 74.850 euros, acrescidos de IVA, através de uma candidatura ao Programa Centro 2030.

RESPOSTA MAIS RÁPIDA EM SITUAÇÕES CRÍTICAS

Segundo a Comunidade Intermunicipal, o objetivo passa por garantir “comunicações fiáveis entre serviços fundamentais, mesmo quando as redes convencionais, como Internet ou telemóvel, falham”.

O sistema funciona através de uma infraestrutura autónoma que combina tecnologia via satélite com voz sobre IP. Na prática, permitirá manter as comunicações entre centros operacionais, municípios e equipas no terreno através de diferentes equipamentos, como telefones fixos, telemóveis ou smartphones.

O centro de operações ficará instalado no Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria, responsável pela gestão da rede e monitorização do sistema.

MUNICÍPIOS LIGADOS MESMO SEM ENERGIA

A solução foi desenhada para continuar operacional mesmo em cenários extremos. Além das ligações por satélite, o sistema inclui equipamentos distribuídos pelos dez municípios, kits móveis de emergência e, em alguns casos, alimentação autónoma para funcionar mesmo durante cortes de energia.

De acordo com a CIM, esta estrutura permitirá uma resposta “mais coordenada e eficaz” em situações como incêndios rurais, cheias ou acidentes graves.

À agência Lusa, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria, Carlos Guerra, destacou a importância estratégica do projeto.

“Vai permitir que os decisores políticos e todos os centros operacionais estejam ligados em situação de falha de comunicações ditas normais”, afirmou.

Carlos Guerra explicou ainda que o sistema permitirá às equipas no terreno transmitir imagens, som e dados em tempo real para o centro de comando, mesmo em locais sem acesso às redes convencionais. “Temos todas as operações ligadas por Internet e voz e também todos os centros de decisão de âmbito político e operacional”, sublinhou.

O projeto ganhou prioridade depois dos constrangimentos sentidos no apagão de 28 de abril de 2025, que deixou várias zonas do país sem comunicações, e também durante a passagem da depressão Kristin, em janeiro, que provocou danos e dificuldades operacionais em vários concelhos da região.

A criação desta rede alternativa pretende agora garantir maior autonomia e capacidade de resposta numa altura em que fenómenos extremos e falhas técnicas são cada vez mais considerados cenários possíveis pelas entidades de proteção civil.