Postes caídos ou partidos e fios espalhados pelo chão, árvores tombadas ou arrancadas, muitas casas com danos, telhados danificados, chaminés partidas, painéis solares destruídos, coberturas arrastadas dezenas de metros, portões arrancados, muros demolidos, estruturas destruídas, carros estragados, pessoas desalojadas, contentores e ecopontos do lixo arrastados e virados, muitas estradas obstruídas, sinais de trânsito arrancados, terrenos inundados e território sem eletricidade, telecomunicações e água. O concelho de Alvaiázere vive um cenário que o presidente da Câmara classifica como “catastrófico”, na sequência do embate da depressão Kristin na madrugada de 28 de janeiro. Centenas de habitações ficaram com danos estruturais significativos, há pessoas desalojadas e várias infraestruturas continuam afetadas, numa resposta inicial que foi assegurada apenas com meios locais, sem apoio regional ou nacional.
As fortes chuvadas registadas nos dias anteriores e posteriores à passagem da depressão Kristin agravaram significativamente a situação no concelho. Os solos já saturados não conseguiram absorver a água, provocando inundações em várias zonas, com maior incidência na freguesia de Pelmá. Campos agrícolas ficaram submersos, acessos locais condicionados e algumas habitações afetadas, aumentando os prejuízos para famílias e produtores e dificultando os trabalhos de limpeza e reposição da normalidade.
Em declarações prestadas na noite de 28 de janeiro à Lusa, João Paulo Guerreiro explicou que os agentes da Proteção Civil do concelho conseguiram, ao longo do dia, desobstruir as principais estradas e muitas vias secundárias. Ainda assim, permanecem muitos acessos secundários por limpar, sobretudo em zonas mais isoladas.
A autarquia montou uma zona de acolhimento que, àquela hora, acolhia cinco pessoas, com apoio médico e psicológico. O presidente da Câmara confirmou que o concelho estava sem eletricidade e com comunicações muito limitadas, o que dificultou a coordenação dos trabalhos e o contacto com entidades externas.
Segundo o autarca, a prioridade imediata passa pela remoção de “dezenas de milhares de árvores caídas”, pela garantia da segurança das populações e pelo restabelecimento da energia elétrica e das comunicações. A falta de contacto com a E-Redes e com as operadoras de telecomunicações obrigou a que o único meio de comunicação disponível fosse a rádio, usada apenas para questões operacionais e de comando.
Apesar da gravidade da situação, não há registo de vítimas. Ainda assim, vários edifícios municipais sofreram danos, praticamente todos atingidos de alguma forma pelo temporal, o que agrava o impacto na capacidade de resposta dos serviços locais.
João Paulo Guerreiro reconhece que o concelho estava preparado para um evento difícil, mas não para “uma ocorrência desta magnitude”. Reitera que a palavra certa para descrever o que aconteceu em Alvaiázere é “catástrofe”, sublinhando a dimensão dos prejuízos materiais.
O presidente da Câmara destacou o trabalho “exemplar” de todos os agentes da Proteção Civil, que atuaram com comunicações limitadas e sem energia elétrica. “Sozinhos, com os meios disponíveis no concelho, foi possível dar uma resposta eficaz neste primeiro dia”, afirmou.
O Plano Municipal de Proteção Civil encontra-se ativado e a autarquia aguarda agora apoio do Governo, com medidas dirigidas a particulares e entidades, que permitam responder às necessidades imediatas e avançar para a reconstrução do concelho. Para muitas famílias e instituições de Alvaiázere, os próximos dias serão decisivos para recuperar uma normalidade possível após um dos temporais mais severos de que há memória recente no território.







