A Sociedade Filarmónica Alvaiazerense de Santa Cecília comemorou, no passado dia 26 de outubro, 102 anos de história: mais de um século de música, dedicação e divulgação do concelho. O aniversário foi festejado com uma missa em memória dos dirigentes, músicos e associados já falecidos, seguida de romagem ao cemitério e de um almoço de confraternização no restaurante O Brás, onde se juntaram várias gerações de músicos e amigos da coletividade.
Durante o almoço de aniversário, foi entregue a Gonçalo Pereira uma lembrança pelos 25 anos de serviço à Filarmónica, num gesto de reconhecimento pela dedicação e contributo prestado ao longo de um quarto de século.
Mais do que um aniversário, foi uma celebração da resiliência desta associação. A Filarmónica Alvaiazerense, fundada em 1923, atravessou décadas de mudanças, mas nunca perdeu o compasso certo. Continua a ser uma verdadeira escola de música e de valores, onde os mais novos aprendem com os mais velhos e onde a tradição se reinventa a cada ensaio.
O objetivo da Filarmónica continua a ser o mesmo que moveu os fundadores: “despertar nas crianças e nos jovens o gosto pela música e divulgá-la através da Banda e da Orquestra Ligeira”, afirmou o presidente da direção, Manuel Francisco, em declarações ao jornal O Alvaiazerense.
“BANDA ESTÁ EM CONSTANTE RENOVAÇÃO”
Com 60 músicos ativos, entre os 9 e os 75 anos, “por sinal neta e avô”, a Filarmónica é hoje um exemplo de continuidade geracional. A renovação passa também pela Escola de Música, que conta com 29 alunos e garante o futuro da banda. “A Escola é imprescindível”, uma vez que “a banda está em constante renovação”. Uns saem por motivos profissionais, outros entram cheios de vontade.
O último ano foi de forte atividade e de conquistas. O balanço é “francamente positivo”. A direção investiu na melhoria das instalações e na aquisição de novos instrumentos, entre os quais três tímpanos e dois clarinetes. O calendário musical foi intenso, com atuações dentro e fora do concelho, em localidades dos distritos de Castelo Branco, Guarda e Santarém.
Um dos momentos altos foi a atuação na FAFIPA, onde a Filarmónica teve o “privilégio de ser a primeira banda filarmónica a partilhar o palco com a cantora Áurea”, um feito que encheu de orgulho toda a estrutura.
FILARMÓNICA APRESENTA GRUPO DE MÚSICA DE CÂMARA
Mas as novidades não ficaram por aí. Em resposta a um “apelo/ desafio” lançado pelo presidente da Câmara no ano passado, nasceu o grupo de música de câmara, que já se apresentou publicamente, a 19 de outubro, a convite da Confraria do Chícharo.
E o futuro promete manter o ritmo. No horizonte próximo estão a “comemoração dos 20 anos da Orquestra Ligeira” e a “substituição da carrinha de transporte de instrumentos por uma de maior capacidade”. Mas há também espaço para sonhar mais alto: gostariam de “realizar um intercâmbio internacional. Será possível?”, lançou Manuel Francisco, deixando no ar um sonho que espelha o dinamismo e a ambição da instituição.
A ligação à comunidade continua a ser um dos maiores pilares da Filarmónica. “A comunidade alvaiazerense gosta da sua Filarmónica e ao longo dos anos manifestou carinho para com ela, apoiou-a e ajudou-a com incentivos vários”. “Presentemente, esta mesma comunidade continua a ajudar a mantê-la viva” através do pagamento de cotas e outras ofertas. Prova disso é também “o município, que através do programa de apoio ao associativismo, permite a constante renovação de fardamento”, a “aquisição e manutenção de instrumentos” e o “funcionamento da Escola de Música com professores especializados nos diferentes instrumentos”.
Além disso, “para [a banda] se manter viva e ativa” são precisos músicos, “e esses, felizmente, têm aparecido e com dedicação a esta causa”. E há uma razão para isso: a Filarmónica é muito mais do que uma banda. É também uma Escola de Música que dá formação musical aos alunos para, posteriormente, poderem integrar a banda.
Mas a atividade da Filarmónica não é só música, ensaios e atuações. “Promovemos outras [atividades] sobretudo a pensar nos mais novos”, como a ida ao teatro a Lisboa em janeiro, um passeio pela cidade de Coimbra em outubro e o “já tradicional passeio de dois dias que realizamos há 25 anos”, salientou Manuel Francisco, evidenciando o “bom ambiente quer no trabalho, aulas, ensaios e atuações, quer nos momentos de convívio e lazer”. Por isso e muito mais deixa “um agradecimento aos colegas de direção pelo acompanhamento, disponibilidade e colaboração”, assim como “ao maestro por tanta dedicação e saber”.
Mais do que uma instituição centenária, a Sociedade Filarmónica Alvaiazerense de Santa Cecília é um orgulho coletivo e um património vivo de Alvaiázere. E se há algo que que estes 102 anos provam, é que enquanto houver gente disposta a tocar, a ensinar e a sonhar, a música nunca vai parar.

