A Fipal, empresa com sede em Ansião, alcançou este ano o estatuto de Grande Empresa atribuído pelo IAPMEI. O reconhecimento acontece depois de um percurso de forte crescimento, marcado pela aquisição de outras empresas e pela expansão da atividade para diferentes pontos do país.
Mas é em Alvaiázere que a empresa pretende concretizar um dos seus próximos grandes investimentos. Paulo Marques, gerente da Fipal, revela que está a ser estudada a construção de uma fábrica de rações de raiz no concelho.
“Quero construir uma fábrica de rações de raiz aqui em Alvaiázere. É a primeira fábrica que vou fazer de raiz”, afirma.
O projeto depende da existência de um terreno com as características necessárias e da obtenção das autorizações para avançar. Segundo Paulo Marques, já existe um terreno em análise, em Alvaiázere, mas será necessário garantir que o local permite a construção de uma unidade industrial com as dimensões previstas.
INVESTIMENTO PODE CRIAR 50 EMPREGOS
A futura unidade poderá representar uma nova realidade industrial para o concelho. Paulo Marques estima que a fábrica possa criar, numa primeira fase, pelo menos 50 postos de trabalho.
Apesar do elevado grau de automatização previsto, o responsável sublinha que a aposta será também na criação de emprego qualificado. “Se forem 50 postos de trabalho, são 50 postos de trabalho qualificados”, explica, apontando para a necessidade de engenheiros e outros profissionais especializados.
Para o gerente da Fipal, esta é uma das principais necessidades dos territórios do interior. A existência de emprego qualificado poderá contribuir para fixar pessoas que saem do concelho para estudar e encontram poucas oportunidades profissionais para regressar. “O problema é a gente conseguir reter as pessoas nestas zonas rurais ou nestes polos não urbanos”, considera.
ALVAIÁZERE COMO POLO DAS RAÇÕES
A intenção da Fipal passa por atribuir a Alvaiázere um papel específico dentro da estratégia de crescimento do grupo. A empresa pretende manter em Ansião o centro financeiro e o principal polo ligado à farinha de panificação. Alvaiázere poderá assumir-se como o polo das rações.
“Ansião é o principal polo financeiro e o polo da farinha de panificação. E Alvaiázere tenho todo o interesse em ser o polo das rações”, afirma Paulo Marques.
A escolha de Alvaiázere tem também um significado pessoal e histórico para o gerente da Fipal. A empresa nasceu pelas mãos do seu avô na freguesia de Almoster, no concelho de Alvaiázere, tendo iniciado a atividade precisamente no comércio de rações. Construir agora uma fábrica de rações de raiz no concelho seria, por isso, uma espécie de regresso às origens.
Foi já sob a liderança de Paulo Marques que a empresa avançou para a comercialização de farinha de panificação. Essa atividade tornou-se, entretanto, o principal negócio da Fipal e aquele pelo qual a empresa é hoje conhecida em Portugal e a nível Ibérico. A farinha representa cerca de 90% da faturação do grupo, enquanto as rações representam 10%.
A estratégia passa por aumentar o peso do negócio das rações, embora a farinha continue a ser a principal atividade.
A Fipal tem atualmente fábricas em Torres Novas, Batalha e Oliveira de Azeméis, além de outras estruturas de distribuição. A empresa já está presente em todo o território nacional, faltando apenas chegar aos Açores, onde pretende instalar uma unidade no próximo ano.
A futura fábrica de Alvaiázere seria uma unidade construída de raiz, “topo de gama” e “automatizada”.
“EM TRÊS ANOS A FÁBRICA ESTÁ FEITA”
Ultrapassada a primeira fase, o projeto poderá avançar num horizonte relativamente curto. “Assim que eu tenha o terreno, que é a primeira fase, o projeto e as licenças da Câmara para fazer a fábrica, em três anos a fábrica estará feita”, afirma.
A necessidade de um terreno com capacidade para receber um edifício com cerca de 35 metros de altura é uma das principais condicionantes. “Eu não quero um terreno ao pé da autoestrada. Eu quero um terreno em Alvaiázere, que dê para fazer um edifício com 35 metros de altura. Para se fazer uma fábrica a sério”, salienta.
Paulo Marques considera que a localização de Alvaiázere não constitui um obstáculo, até porque a proximidade a Ansião e a existência de terrenos disponíveis são vantagens do concelho.
EMPRESA PASSOU DE DOIS PARA 332 TRABALHADORES
O anúncio do possível investimento surge num momento de crescimento expressivo da Fipal. Paulo Marques assumiu a empresa há 18 anos, quando esta faturava cerca de 800 mil euros e tinha apenas dois trabalhadores. Atualmente, o grupo emprega 332 pessoas e deverá fechar 2026 com um volume de negócios entre 80 e 100 milhões de euros.
O crescimento foi feito sobretudo através da aquisição de empresas. Só em 2025, a Fipal adquiriu três fábricas e, este ano, concretizou mais uma aquisição, estando outras duas em perspetiva até ao final do ano.
O grupo tem estruturas em vários pontos do país e iniciou também uma estratégia de internacionalização. Está presente em Espanha, Angola e Cuba e pretende expandir a atividade para outros países dos PALOP. A exportação representa atualmente cerca de 10% da atividade.
PRIMEIRA GRANDE EMPRESA DE ANSIÃO
O estatuto atribuído pelo IAPMEI coloca a Fipal num novo patamar empresarial. Para Paulo Marques, o reconhecimento tem também um significado particular por se tratar da primeira empresa de Ansião e do norte do distrito de Leiria a alcançar esta classificação.
“Foi bom a Fipal ser a primeira empresa do concelho de Ansião a ter o Estatuto de Grande Empresa”, destaca.
O novo estatuto implica alterações na forma de financiamento. A passagem de média a grande empresa significa deixar de ter acesso a alguns mecanismos destinados às PME, mas abre portas a outras formas de financiamento, como papéis comerciais e empréstimos obrigacionistas.
Apesar do crescimento do grupo, Paulo Marques garante que a sede e o centro financeiro continuarão em Ansião nos próximos anos. “Nos próximos cinco anos, seguramente, fica Ansião”, assegura.
“FAZ FALTA INDÚSTRIA EM ALVAIÁZERE”
É neste contexto que surge a aposta no concelho vizinho. Para o gerente da Fipal, Alvaiázere reúne condições para um investimento industrial de dimensão.
Além da disponibilidade de mão de obra, aponta os custos dos terrenos e a proximidade a Ansião como fatores favoráveis. Considera também que uma fábrica poderá contribuir para diversificar a economia local e criar emprego qualificado. “Faz falta indústria aqui em Alvaiázere. Quero fazer aqui uma fábrica de rações de raiz”, afirma.
O projeto pretende ainda aproximar a produção dos consumidores e criar uma rede de distribuição na região. A intenção passa por instalar lojas no norte do distrito que possam comercializar as rações e cereais produzidos na futura unidade, procurando oferecer preços mais competitivos.
Para Paulo Marques, a instalação da fábrica poderá ser também uma oportunidade para reforçar a capacidade de retenção de população num território que enfrenta os desafios dos concelhos do interior.
“Eu gostava que fosse para Alvaiázere”, resume o empresário. “O grande objetivo aqui vai ser Alvaiázere, se nos deixarem, se nos arranjarem um terreno para isso”.
A decisão está agora dependente das condições para a instalação da unidade. Se o terreno adequado for encontrado e o processo de licenciamento avançar, Alvaiázere poderá receber, dentro de alguns anos, uma fábrica que representa simultaneamente um novo investimento industrial e um regresso da Fipal às suas origens.
FIPAL EM NÚMEROS
17 DE ABRIL DE 1964
Data de fundação
80 M€
Volume de negócios atual
Pode chegar a 100 milhões de euros em 2026
332
Trabalhadores de todo o grupo
10%
Da faturação resulta das exportações
Espanha, Angola e Cuba são os principais mercados internacionais
90% | FARINHA
Principal área de negócio
Presença e reconhecimento a nível Ibérico
10% | RAÇÕES
Área que a empresa quer fazer crescer
Agora com uma presença sobretudo regional

