A Santa Casa da Misericórdia de Alvaiázere vai avançar com uma intervenção profunda no Lar Francisco Caetano da Silva, num investimento de 388.564,42 euros, financiado pelo PRR (Plano de Recuperação e Resiliência). A obra pretende responder a necessidades há muito identificadas e melhorar significativamente o conforto e a segurança de quem vive e trabalha na instituição.
A coordenadora geral da Santa Casa, Paula Reis, explica que o projeto inclui “pintura interior e exterior, aplicação de isolamento térmico exterior, colocação de portas interiores, janelas, adequação de instalações sanitárias, implementação de medidas de autoproteção, bem como substituição do telhado e melhorias da rede de águas e rede elétrica”.
A responsável lembra que o estado do edifício é conhecido por todos. “O estado de degradação do atual edifício é notório e bem conhecido de todos os utentes, familiares e entidades tutelares e políticas”, sublinha. A Misericórdia já tentava há vários anos construir uma nova estrutura residencial, mas as candidaturas ao PARES e ao PRR não tiveram sucesso. Por isso, esta obra surge como solução imediata. “Esta candidatura, além de permitir sanar uma necessidade imediata e urgente de melhoria das instalações, permitirá que, no futuro, conseguindo-se a construção da nova ERPI, esta possua condições para manter o seu funcionamento”.
Entre os efeitos mais visíveis para quem ali vive e trabalha estará um ambiente interior mais confortável e eficiente. “Esta candidatura visa a melhoria do conforto térmico e acústico do edifício, promovendo a saúde dos utentes e funcionários”, afirma Paula Reis. Estão também previstas medidas de autoproteção e soluções para reduzir consumos energéticos e custos operacionais, tornando o edifício mais sustentável. A intervenção permitirá ainda um ligeiro aumento de capacidade, passando de 44 para 46 utentes.
Num setor marcado por fortes constrangimentos financeiros, o financiamento surge como essencial. “As dificuldades de sustentabilidade das IPSS são cada vez mais sufocantes (…). Como tal, este financiamento é fundamental, e imprescindível, para que se possa concretizar investimento no património onde estão instaladas as nossas respostas sociais”, refere.
A obra deverá iniciar-se em janeiro de 2026, após conclusão da fase de contratação pública. A instituição prevê que tudo esteja terminado até 30 de junho do mesmo ano, cumprindo o calendário exigido. Será um período exigente, admite a coordenadora. “O impacto será significativo, mas necessário. Tudo faremos para minimizar os naturais constrangimentos, garantindo as condições de conforto e salubridade”. A Misericórdia admite que poderá haver necessidade de ajustes pontuais, como a deslocalização temporária dos utentes do centro de dia e adaptações na cozinha.
Apesar da requalificação em curso, o objetivo de construir um novo lar mantémse intacto. “A ambição mantém-se (…). Não baixámos os braços e continuamos atrás do sonho”, garante Paula Reis, argumentando que o novo lar permitiria “aumentar exponencialmente a oferta de serviços, tão necessitados na nossa zona de ação”.
A instituição está a rever o projeto de arquitetura para que esteja preparado para futuras oportunidades de financiamento. O plano prevê 65 lugares em ERPI, 70 em serviço de apoio domiciliário e 20 em centro de dia, num investimento estimado em cerca de cinco milhões de euros, acrescido de IVA. “Considerando o valor de investimento, é impossível a realização da obra com capitais próprios, expetando-se que possam surgir oportunidades de financiamento a breve prazo”.
Atualmente, a Misericórdia de Alvaiázere apoia centenas de pessoas nas suas diversas valências: ERPI (53 utentes), serviço de apoio domiciliário (70), centro de dia (20), creche (57), unidades de cuidados continuados (21 no total), internamento particular (13) e hospital de ambulatório, onde realiza anualmente mais de 15 mil exames e consultas de especialidade.

