Caro leitor, quando abrir esta janela estaremos a pouco mais de duas semanas da realização da primeira volta das eleições presidenciais, oficialmente marcadas para dezoito de Janeiro de 2026.
Com quatorze candidatos apurados, a ordem dos mesmos no Boletim de Voto (BV) far-se-á de acordo com o sorteio efectuado pelo Tribunal Constitucional (TC), em 19 de Dezembro, sendo estas as eleições presidenciais mais concorridas de sempre, desde o 25DEABRIL. Importa assinalar, contudo, que três desses candidatos ficaram, posteriormente, pelo caminho por irregularidades não sanadas na apresentação das respectivas candidaturas e não serão elegíveis.
Parece confuso? Claro que, se assim for, além de parecer, não se percebe porque razão, num dos actos eleitorais mais significativos, em que se elege o Supremo Magistrado da Nação, não houve o cuidado de acomodar os prazos de apresentação e regularização das candidaturas, por forma a efectuar o sorteio da ordem dos candidatos no BV apenas entre aqueles onze cujas candidaturas cumpriram todos os requisitos e exigências legais.
Com efeito, a eventual existência de candidatos inelegíveis no BV – se tal vier a verificar-se -, além de perturbadora, gera dúvidas e eventual dispersão de votos, crendo nós que talvez não seja difícil sanar essa eventual incongruência.
Durante o período de pré-campanha – a campanha oficial decorre de quatro a dezasseis de Janeiro de 2026 – realizaram-se múltiplos debates televisivos entre os principais candidatos, sendo que muitos deles, ao invés de contribuírem para melhor se perceber o posicionamento dos mesmos sobre a actualidade política e as questões inerentes ao exercício do mandato presidencial, preferiram entrar numa espécie de escalpelização e devassa do passado do outro e, não raro, ao pugilato verbal para se afirmarem melhores e mais capazes que o outro. Se isto contribuiu ou não para que os eleitores aprofundassem o seu conhecimento sobre as capacidades e competências dos candidatos para o exercício do cargo presidencial é assaz duvidoso, mas as urnas dirão qual o veredicto final.
Certo é que com este lote de candidatos e a avaliar pelas últimas sondagens, não haverá uma eleição à primeira do Presidente da República, havendo necessidade de recorrer a uma segunda volta entre os dois primeiramente mais votados para saber qual deles virá, então, a ser o preferido dos portugueses. E neste contexto, de múltiplos cenários, a escolha ainda é uma incógnita, mas não espantará muito se o futuro PR emergir dos quatro candidatos melhor posicionados no topo das sondagens, três dos quais de matriz política e um militar.
Quanto aos políticos nada a dizer, pois estão como peixes na água e os portugueses conhecem-nos. Já quanto ao militar, não se percebem muito bem as críticas de alguns sectores mediáticos que parecem considerar esse candidato como menos capaz e impreparado para o exercício do cargo tão só por, alegadamente, não ser político. Pareceme uma crítica injusta e infundada, quer porque em democracia todos os cidadãos usufruem de iguais direitos e deveres, como estabelece a nossa Constituição, quer porque, a ser eleito, não era o primeiro militar a merecer a confiança dos portugueses e a exercer o alto cargo de Presidente da República.
Seja como for, em democracia, a última palavra será sempre dos eleitores e, ainda que a duas mãos, estou certo que a sua decisão será a mais sábia e acertada.
Aproveito para desejar a todos um bom ano de 2026!