À falta de melhor tema nestes tórridos primeiros dias de verão, vou abordar um assunto que, por estes dias, apaixona a alma lusa de todos os meus compatriotas e de alguns muitos milhares de simpatizantes. Refiro-me à Copa ou ao Mundial de Futebol 2026 a decorrer, desde onze de Junho, em três países, nomeadamente no Canadá, México e Estados Unidos da América (EUA).
Esta é, até agora, a maior edição de mundiais de futebol contando com selecções representativas de 48 países distribuídos por doze grupos de quatro participantes, sendo apurados para os oitavos de final os dois primeiros de cada grupo, juntamente com os oito melhores terceiros.
A selecção portuguesa integra o Grupo K, juntamente com o Congo, o Uzbequistão e a Colômbia, tendo, até à data em que escrevo (dia de S. João), realizado dois jogos e obtido um empate (1-1) e uma vitória (5-0) contra o Congo e o Uzbequistão, respectivamente.
Nos tempos que antecederam o início do Mundial, Portugal era referido pela generalidade da imprensa portuguesa como uma das selecções candidatas a vencedora do torneio integrando o ranking das dez melhores equipas participantes.
Após o primeiro jogo com o Congo, em 17 de Junho, o resultado e a exibição de Portugal foram decepcionantes e frustraram as expectativas da maioria dos portugueses que prontamente descarregaram as suas desilusões para cima dos jogadores, mormente do capitão, Cristiano Ronaldo (CR) e do seleccionador, Roberto Martinez.
É certo que só a frustração das expectativas anteriormente criadas e alimentadas por alguns opinadores permite explicar que, após o primeiro jogo, os melhores jogadores de sempre no contexto futebolístico nacional e mundial, a jogarem nas melhores ligas de futebol, passassem a ser pouco mais do que uns medianos artífices da suprema arte futebolística. Claro que isto não é verdade e quem percebe de futebol – que não é o meu caso – sabe que as aptidões técnicas individuais não se esvaem de um dia para o outro. O que acontece muitas vezes é que sendo o futebol um jogo de equipa, nem sempre o resultado do desempenho colectivo neste ou naquele jogo corresponde ao somatório das aptidões e desempenhos individuais. E quando assim sucede, de um momento para o outro, os melhores e mais capazes passam a ser os piores.
Foi mais ou menos isso que, a meu ver, aconteceu no primeiro jogo de Portugal contra o Congo no qual a selecção portuguesa esteve muito aquém daquilo que seria suposto e razoável esperarmos dela, sem garra, sem criatividade, sem fulgor e, acima de tudo, sem sincronismo colectivo gerador de uma dinâmica catapultadora de um resultado positivo.
Daí a tentar encontrar as vítimas responsáveis por este desaire monumental de uma nação futebolisticamente venturosa e promissora foi um ápice e à cabeça da lista surgiram, pois claro, o capitão, Cristiano Ronaldo, e o seleccionador, Roberto Martinez. O primeiro porque já não joga como jogava nem corre o que corria, falhando oportunidades flagrantes de golo, esse momento mágico, apoteótico e de êxtase geral dos adeptos, e o segundo porque não teve coragem para o substituir a ele e a mais alguns.
Ainda que o resultado da equipa tenha frustrado as expectativas legítimas dos seus vários milhões de apoiantes, a verdade é que há alguma injustiça no endosso dessas críticas, pois, apesar de sabermos que CR já fez 41 anos e denota menor fulgor que o de outrora, a verdade é que continua a ser um dos melhores do Mundo, o maior goleador português e de mundiais de futebol.
E a prova disso é que no segundo jogo, frente ao Uzbequistão, Portugal jogou bem e ganhou folgadamente, tendo Ronaldo marcado dois golos e sido considerado o melhor atleta em campo. Por isso as perspectivas continuam em alta e Portugal tem tudo para fazer história neste Mundial. Força Portugal!