PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE

DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO

DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO

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Singela Homenagem

EDITORIAL

No dia 6 de maio morreu, de forma inesperada, o nosso saudoso amigo e colaborador, Filipe Antunes dos Santos, nascido no lugar e freguesia da Pelmá, Alvaiázere.

Um Homem que deixou uma marca profunda em Alvaiázere e região, sendo recordado com respeito pelos seus alunos da Escola Preparatória Duarte Pacheco Pereira e por ter sido o grande impulsionador da construção das novas instalações, agora Escola Básica e Secundária, Dr. Manuel Ribeiro Ferreira, e pela dedicação, inexcedível zelo e competência, com que exerceu as funções de Presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere, eleito após o 25 de Abril, num tempo extremamente exigente, já que a população, antes do 25 de abril, vivia em condições miseráveis, habitando casas na sua maioria sem luz elétrica, nem água e com acessos muito precários, pelo que o trabalho foi árduo, nos três mandatos em que exerceu as funções de timoneiro de Alvaiázere.

Dedicou-se com entusiasmo a reorganizar todos os serviços da Câmara Municipal, e outros serviços públicos concelhios, com apelo constante para se conseguir instalações condignas para estes, assim como na busca de melhor qualidade de vida para a população alvaiazerense. Estruturou a vila de Alvaiázere conseguindo com coragem, força e determinação construir a via secundária,” Rua Nova”, que possibilitou dinamizar e alargar a vila. Outra obra arrojada foi a idealização e concretização da construção da estrada que rasgou a serra, possibilitando aos visitantes uma vista deslumbrante, como foi o extraordinário testemunho deixado no livro, “Diário XIV” do grande escritor, Miguel Torga, numa visita que fez a Alvaiázere no dia 29 de maio de 1984,” Do alto da serra a contemplar enternecido metade da Estremadura, do Ribatejo e da Beira. De tanto amar esta pátria já nem sei às vezes distinguir nela o grande do pequeno, o belo do feio, as fragas do húmus. Aconchego os olhos num largo panorama de carrascos como se os deitasse num leito de feno. E graças a Deus que assim acontece, que do Minho ao Algarve toda a paisagem me sabe bem. Sou dos poucos portugueses que se podem gabar de, sempre que como tal se identificam, o serem de Portugal inteiro.”

Colaborou na criação e ou dinamização de muitas associações do concelho, como a Filarmónica de Santa Cecília, Rancho Folclórico da Casa do Povo de Maçãs de D. Maria, criando um dos maiores eventos do concelho, atualmente a “FAFIPA”. Apoiou o desporto com a realização do Estádio Municipal “José Maria Lopes da Silveira e Castro”, a cultura com a construção da Biblioteca Municipal, a economia com a construção do Mercado Municipal. Além da vida exemplar como profissional, destacou-se como um homem multifacetado, ocupando o seu tempo livre ao artesanato, tapeçaria a ponto cruz, tendo participado em diversas exposições, colaborou com assiduidade no nosso Jornal e editou 20 livros, com sentido de cidadania, “Escrever o que a alma “vê, ouve e lê sem poder ignorar”, é estar presente com a sua cidadania de trás para a frente”.

O seu funeral realizado no dia 7 de maio, de Ansião para a sua terra natal, foi uma sentida manifestação de pesar e reconhecimento com a presença das autoridades locais e também do Jornal, “O Alviazerense”, que deixa um abraço de força e coragem, neste momento de dor, a toda a família, em especial à sua esposa Valentina, que carinhosamente chamava de “Tinita”, às suas três filhas, “Rosita, Teresinha e Fabi” e aos seus quatro netos.