Gostaria de escrever sobre temas mais agradáveis e aliciantes à nossa condição social, sobretudo depois da passagem da tempestade “Kristin” pela nossa região que deixou quase tudo desarrumado, ou como diz o povo, de pantanas.
A verdade, porém, é que o mundo não para e, para mal de todos nós, os grandes senhores que o querem a seu jeito e à sua medida não desistem de o tentar mudar a favor dos seus reais interesses, ignorando regras e princípios da salutar e pacífica convivência entre Estados – o direito internacional – estabelecidos e aceites de boa-fé, mormente após a segunda Guerra Mundial, com a finalidade de preservar e manter a paz entre os povos.
Hoje em dia, por assim dizer, as armas, os mísseis e os drones falam mais alto e os países que os detêm arrogam-se o poder de os utilizar a seu bel-prazer para satisfação dos seus reais interesses, quiçá dos seus caprichos pessoais, pouco se importando com a morte de centenas e milhares de seres humanos, muitos deles crianças inocentes, e com os danos, morais e materiais, por eles causados.
Em suma, dir-se-á que estes países se acham investidos de um poder supremo que podem usar como lhes aprouver, sem ouvir ou consultarem previamente as Instituições da comunidade internacional ou eximindo-se, após a consumação dos factos, a prestarem-lhe quaisquer justificações.
Ignorando o diálogo e a diplomacia, comportam-se cada vez mais arrogantemente, exibindo os seus arsenais bélicos como prova duma pretensa legitimidade que não possuem mas que tentam, por todos os meios, que lhes seja reconhecida.
Vejam-se, a título de exemplo, as alegadas e repetidas justificações dos responsáveis pelos dois maiores conflitos em curso na actualidade, nomeadamente a guerra Rússia-Ucrânia e EUA (Estados Unidos da América)-Irão no Médio Oriente.
As consequências e danos deles decorrentes passam diáriamente na Comunicação Social e são por demais evidentes, pese embora muitos deles como o aumento do custo dos combustíveis, o encarecimento de bens alimentares, a subida da inflacção e o agravamento da economia sejam de menor visibilidade no imediato e só se façam sentir mais diferidamente no tempo.
No momento em que escrevo e apesar de alguns rumores informativos sobre eventuais negociações em curso, não confirmadas pelos contendores, não é possível antever ou ter uma ideia revestida de alguma credibilidade àcerca da eventual cessação destes conflitos, mas não há qualquer dúvida de que quanto mais tarde ela vier a acontecer, mais danos e prejuízos causará à humanidade.
E porquê, a favor de quem? Obviamente no interesse e proveito de quem os determina e alimenta e à revelia de todos os demais que, apesar de para aí não terem metido prego nem estopa, pagam um preço alto e amargo pelas consequências de tais conflitos.
E o que ainda é mais preocupante nestes tempos de exacerbado belicismo é que, face às insuficiências do Direito Internacional e crescente irrelevância de Instituições internacionais como a ONU (Organização das Nações Unidas) para assegurar e garantir a paz entre os povos, os poderosos deste mundo se sintam cada vez mais soltos e à vontade para fomentar e fazer a guerra a seu bel-prazer, custe isso o que custar.
Não é fácil apontar uma via ou um caminho para inverter este estado de coisas e alterar a actual situação, mas estou crente de que sem regras e sem princípios, estabelecidos e respeitados por todos, dificilmente a sociedade mudará o rumo dos acontecimentos e alcançará um futuro de paz.
Para isso, há que retomar o diálogo e privilegiar a diplomacia!