PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE

DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO

DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO

Oito aldeias de Alvaiázere com investimento de 330 mil euros para travar incêndios e despovoamento

“Condomínios de Aldeia” vai devolver segurança, vida e futuro a oito localidades do concelho de Alvaiázere

O concelho de Alvaiázere prepara-se para dar um passo importante na regeneração do seu território rural. O município vai avançar, já este inverno, com a criação de oito “Condomínios de Aldeia”, um projeto inovador que pretende reconverter zonas florestais de risco em espaços agrícolas produtivos e seguros, devolvendo vitalidade às comunidades.

Esta primeira fase abrangerá Amieiras, Cabeças e São Neutel, na freguesia de Maçãs de D. Maria; Laranjeiras, Mosqueiro e Pomares, na freguesia de Alvaiázere; e Macieira e Vidoal, em Almoster.

INTERVENÇÃO ABRANGE 100 HECTARES E 180 HABITAÇÕES

O investimento total ronda os 329.848,35 euros, financiados a 100% pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através do Fundo Ambiental. No total, o projeto vai intervir em 100 hectares e beneficiar cerca de 180 habitações, com um custo médio de 41 mil euros por condomínio.

A prioridade recaiu sobre aldeias classificadas de risco elevado de incêndio, segundo a carta de perigosidade florestal do concelho de Alvaiázere. “Estes projetos apenas podem ser implementados em freguesias consideradas prioritárias”, explica a Câmara Municipal, referindo que Almoster, Alvaiázere e Maçãs de D. Maria foram consideradas prioritárias pela tutela em 2025.

DO EUCALIPTO AO CASTANHEIRO: MUDAR A PAISAGEM PARA PROTEGER VIDAS

As aldeias selecionadas partilham uma paisagem dominada por monocultura de eucalipto e é aí que o projeto quer fazer a diferença.

Segundo a autarquia, pretende-se “reconverter algumas áreas envolventes às áreas edificadas, numa faixa de 100 metros, que neste momento têm ocupação florestal, em áreas agrícolas através de instalação de pomares de castanheiros e outras fruteiras”.

Além disso, está prevista a substituição gradual dos eucaliptos por espécies autóctones, como carvalhos e sobreiros, criando barreiras naturais mais seguras e favorecendo a biodiversidade. Antes de qualquer plantação, será feita uma “redução da carga combustível”, removendo vegetação excessiva e criando faixas de proteção em redor das aldeias.

MAIS SEGURANÇA, MAIS VIDA, MAIS FUTURO

A Câmara acredita que os “Condomínios de Aldeia” podem ser um ponto de viragem para o território. “Estes projetos oferecem uma melhoria na qualidade de vida”, um “reforço da segurança e do sentido de comunidade”, mas também “é expectável” que possam contribuir para a “revitalização demográfica, através da chegada de novos habitantes – jovens, famílias ou profissionais em teletrabalho – que ajudam a contrariar o despovoamento e o envelhecimento da população”, sublinha o município.

A autarquia acredita que “esta renovação gera um novo dinamismo social e económico, impulsionando o comércio local, a restauração, os serviços e até a criação de emprego direto e indireto”, ajudando a reverter o despovoamento que há décadas afeta o concelho.

Além disso, “a presença de novos moradores pode também funcionar como catalisador para a requalificação das infraestruturas existentes e para a valorização do território”.

UMA APOSTA ESTRATÉGICA DE REGENERAÇÃO RURAL

Atualmente, as aldeias abrangidas enfrentam dois grandes riscos: “os incêndios rurais e o despovoamento”. Assim, “a criação destes condomínios pode ser entendida como uma medida estratégica de regeneração do mundo rural”, pensada para transformar as fragilidades em oportunidades.

O município quer “lugares vibrantes, seguros, habitados e sustentáveis”, onde as pessoas possam viver com qualidade de vida e segurança.

POPULAÇÃO NO CENTRO DAS DECISÕES

Um dos pilares do projeto é o envolvimento direto dos moradores e proprietários. A gestão dos condomínios será “participada pelos residentes”, que terão voz ativa na “manutenção e desenvolvimento das infraestruturas e serviços do condomínio, com base nas reais necessidades e prioridades dos que habitam e conhecem o território”, refere a edilidade.

Nesse sentido, estão previstas “reuniões comunitárias, sessões de esclarecimento e canais permanentes de comunicação”, bem como parcerias com juntas de freguesia, associações e outras entidades locais, garantindo sustentabilidade e continuidade mesmo após o fim da fase de investimento.

“Este modelo de gestão, baseado na corresponsabilização e na proximidade, tem como principal objetivo criar comunidades resilientes e autónomas, capazes de dar continuidade ao investimento feito e de adaptar o projeto às transformações futuras”, frisa a autarquia.

OBRAS ARRANCAM AINDA EM 2025

Os primeiros trabalhos vão começar ainda este ano, com conclusão prevista até março de 2026. “Esta fase inicial será dedicada à preparação dos terrenos, à articulação com os proprietários e moradores locais, e à concretização das primeiras intervenções no terreno”, salienta.

A Câmara Municipal garante que esta é apenas a primeira etapa de uma estratégia mais ampla. “Estas ações servirão como modelo e ponto de partida para uma expansão progressiva a outras zonas do concelho, num processo faseado, participado e ajustado às dinâmicas locais”, conclui o município.

Carina Gonçalves