PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE

DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO

DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO

Alvaiázere avança com meio milhão de euros para recuperar dos estragos

ALVAIÁZERE REAGE À MAIOR TEMPESTADE DE SEMPRE COM MEIO MILHÃO DE EUROS E SOLUÇÃO INÉDITA NAS COMUNICAÇÕES

Mais de 500 casas intervencionadas, rede elétrica quase reposta e Maçãs de D. Maria com solução pioneira no distrito

Um mês após o fenómeno meteorológico extremo que atingiu Alvaiázere na madrugada de 28 de janeiro, o concelho continua a recuperar de um dos episódios mais graves de que há memória. Segundo o presidente da Câmara Municipal, João Paulo Guerreiro, “mais de 90% do parque habitacional e empresarial foi afetado”, num cenário que classificou como “catastrófico”.

Logo nas primeiras horas, praticamente todas as vias estavam bloqueadas, não havia energia elétrica nem comunicações e várias habitações sofreram danos significativos, sobretudo nas coberturas.

A zona norte do concelho foi a mais penalizada ao nível da rede elétrica, com destaque para parte da freguesia de Alvaiázere e toda a freguesia de Maçãs de D. Maria. Ainda assim, “podemos afirmar que todo o território foi afetado de forma muito grave aos mais variados níveis”.

PRIORIDADE FOI GARANTIR ACESSOS E SERVIÇOS ESSENCIAIS

A Comissão Municipal de Proteção Civil reuniu ainda a 27 de janeiro, perante os alertas de precipitação intensa e vento forte. O Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil foi ativado às 7h30 do dia 28.

Nos primeiros dias, o concelho esteve isolado, contando apenas com meios próprios. Bombeiros Voluntários de Alvaiázere, Serviço Municipal de Proteção Civil, Juntas de Freguesia, GNR, Sapadores Florestais, empresas locais e dezenas de voluntários trabalharam no terreno.

“A nossa preocupação foi garantir acesso a todas as habitações e circulação nas estradas para que nenhuma pessoa ficasse isolada”, sublinha João Paulo Guerreiro. Num curto espaço de tempo, as vias principais e secundárias foram desobstruídas.

A partir de 2 de fevereiro, chegaram reforços externos, com militares do Exército, a Unidade de Emergência de Proteção e Socorro da GNR e três corporações de bombeiros voluntários. No total, foram intervencionadas cerca de 500 habitações.

Depois de restabelecidos os acessos, a prioridade passou por assegurar condições básicas. Estabilizar coberturas, evitar falhas no abastecimento de água, repor energia e recuperar comunicações.

Cinco dias após a tempestade, cerca de 60% do concelho já tinha eletricidade e 98% estava novamente com abastecimento de água. Atualmente, a água encontra-se estabilizada e a energia praticamente a 100%, existindo apenas situações pontuais que, segundo o presidente, devem ser comunicadas pelos proprietários à E-Redes.

COMUNICAÇÕES CONTINUAM A PREOCUPAR

Se a água e a eletricidade estão praticamente normalizadas, o mesmo não acontece com as comunicações.

O Município manifestou formalmente a sua preocupação junto das operadoras e da ANACOM. “Subsistem situações absolutamente inaceitáveis para as populações e para as instituições locais”, afirma o autarca.

Entre os problemas identificados estão ausência total de rede móvel e internet em várias localidades, postes e cabos partidos ainda por reparar, falta de resposta eficaz a pedidos de assistência e escassez de meios técnicos no terreno.

“As comunicações eletrónicas constituem hoje um serviço essencial à vida das populações”, reforça João Paulo Guerreiro, lembrando que a falha destes serviços afeta o contacto com familiares, o funcionamento de empresas e o acesso a serviços públicos e de saúde.

MAÇÃS DE D. MARIA RECEBE SOLUÇÃO INOVADORA

Perante as falhas persistentes, o Município instalou na freguesia de Maçãs de D. Maria um poste com ligação via Starlink, tornando Alvaiázere o primeiro concelho do distrito de Leiria a implementar esta solução em contexto preventivo.

O equipamento garante cobertura funcional até 150 metros, inclui iluminação noturna, pontos de carregamento de dispositivos móveis e ligação à internet por satélite com elevada estabilidade. Está preparado para funcionar até 10 dias sem exposição solar e permite a ligação simultânea de até 128 dispositivos.

A escolha da freguesia não foi aleatória. Foi a mais afetada ao nível da energia e comunicações, ficando particularmente vulnerável durante os episódios de intempérie.

Segundo o presidente, trata-se de “um investimento estratégico na resiliência do território”, que será alargado, a seu tempo, às restantes freguesias.

APOIOS ÀS FAMÍLIAS E EMPRESÁRIOS NO TERRENO

Desde o primeiro dia, a Câmara colocou equipas municipais em circulação em todas as freguesias para identificar riscos e prestar apoio direto à população. A ação social mantém o acompanhamento dos casos mais vulneráveis.

Foram criados locais de apoio à população em todas as freguesias, com acesso a banhos, internet e pontos de carregamento. Estão também disponíveis espaços para deposição de resíduos de demolição, construção e material florestal.

As Juntas de Freguesia receberam lonas, telhas e outros materiais para apoio à cobertura de habitação própria permanente. Foram ainda criados sete centros de atendimento para ajudar no reporte de danos e na candidatura a subsídios.

A autarquia aprovou uma revisão orçamental que reforça o fundo de emergência municipal em meio milhão de euros e promoveu sessões públicas de esclarecimento.

João Paulo Guerreiro destaca que a resposta foi possível graças ao “profissionalismo, dedicação e forte espírito de entreajuda que caracteriza a comunidade alvaiazerense”.

Mais do que números, esta crise deixou marcas nas casas, nas empresas e na vida diária das pessoas. Mas também mostrou a capacidade de mobilização do concelho que, mesmo isolado nos primeiros dias, conseguiu reorganizar-se e responder às necessidades imediatas.

Município cria Fundo de Emergência com 500 mil euros para apoiar famílias e empresas

IMPACTO DA TEMPESTADE AINDA SEM VALOR FECHADO

O impacto financeiro da tempestade Kristin ainda não está totalmente apurado, mas a Câmara Municipal de Alvaiázere admite que será elevado. Em causa estão danos em infraestruturas públicas, habitações e atividade económica local.

É prematuro avançar com um valor definitivo. No entanto, podemos afirmar que o impacto financeiro será muito significativo, tanto ao nível da reposição de infraestruturas como do apoio social necessário”, afirmou o presidente do Município, João Paulo Guerreiro.

Perante a dimensão dos prejuízos, o executivo avançou logo a 6 de fevereiro com uma revisão orçamental. A principal medida foi a criação de um Fundo Municipal de Emergência, no valor global de 500 mil euros.

Desse montante, cerca de 400 mil euros destinam-se a apoiar famílias afetadas e 100 mil euros dirigidos a empresas. O apoio municipal funcionará de forma complementar aos seguros e aos mecanismos de apoio do Estado.

Segundo o autarca, trata-se de um esforço financeiro relevante para um município com a dimensão de Alvaiázere. “Estamos a falar de intervenções que exigem investimento considerável, o que representa um esforço acrescido para a Câmara Municipal. Mas iremos fazê-lo até ao último cêntimo disponível e até conseguir resolver todas as situações que tenham enquadramento legal”.

A prioridade imediata passa por repor condições de segurança e normalidade. Mas o presidente defende que é igualmente essencial preparar o concelho para o futuro.

João Guerreiro considera que fenómenos extremos, como a tempestade Kristin, são cada vez mais frequentes e que o território tem de estar melhor preparado. “A força da natureza não pode ser eliminada, mas os seus efeitos podem e devem ser mitigados”.

Entre as medidas estruturais que aponta como prioritárias estão a criação de redundância nas redes essenciais, como energia, comunicações e abastecimento de água, garantindo alternativas em caso de falha. Defende também a constituição de stocks estratégicos de materiais de construção e equipamentos, para permitir respostas mais rápidas após eventos severos.

O ordenamento do território e a sensibilização para práticas agrícolas e ambientais mais resilientes às alterações climáticas são outras áreas que considera fundamentais.

“Não se trata de vencer a natureza, mas de preparar o território e as comunidades para resistir, responder e recuperar com maior rapidez e menor impacto. A resiliência deve ser encarada como um investimento estrutural no futuro”, sublinha.

Numa mensagem dirigida às populações mais afetadas, o edil deixa uma garantia: “a Câmara Municipal de Alvaiázere não deixará ninguém para trás”. O autarca destaca a capacidade de superação da comunidade e apela à união. “Já superámos dificuldades no passado e, com união e trabalho, voltaremos a fazê-lo”.

João Guerreiro faz ainda questão de reconhecer o trabalho dos colaboradores da Câmara e das Juntas de Freguesia, mobilizados desde o primeiro momento, bem como o empenho dos Bombeiros de Alvaiázere, do Exército e da GNR. Sublinha que a atuação destas entidades foi determinante na proteção de pessoas e bens, muitas vezes em condições meteorológicas adversas.

“A tempestade atingiu-nos de forma muito forte e rápida. Vamos recuperar também de forma rápida, mais fortes e resilientes que antes”, conclui.

Município conclui relatório preliminar no início de março e garante que todas as famílias sinalizadas tiveram resposta

LEVANTAMENTO APONTA DANOS GENERALIZADOS EM HABITAÇÕES, EMPRESAS E PATRIMÓNIO

A tempestade Kristin provocou danos generalizados em todo o concelho de Alvaiázere e obrigou à ativação de um vasto dispositivo de emergência para apoiar a população. Habitações atingidas, empresas com prejuízos significativos, estradas obstruídas e património severamente danificado marcam o balanço provisório feito pelo presidente da Câmara, João Paulo Guerreiro.

Segundo o autarca, “a tempestade Kristin afetou drasticamente o concelho de Alvaiázere e provocou uma destruição generalizada”. Inúmeras habitações ficaram danificadas, registaram-se quedas de árvores sobre casas e vias municipais, cortes de energia elétrica e falhas nos meios de comunicação.

Os prejuízos estendem-se às empresas locais, aos caminhos florestais e a vários equipamentos públicos e infraestruturas municipais. O património cultural, natural, religioso e arqueológico também foi severamente atingido. “Todos os alvaiazerenses foram direta ou indiretamente atingidos de forma significativa”, sublinha João Paulo Guerreiro, lembrando que, nas semanas seguintes, novas intempéries, embora de menor intensidade, vieram dificultar os trabalhos de socorro e reposição da normalidade.

Neste momento, está em curso um levantamento técnico rigoroso para apurar os danos com maior precisão. O relatório preliminar deverá estar concluído na primeira semana de março. Esse documento será fundamental para fundamentar pedidos de apoio institucional e garantir que o concelho tem acesso aos mecanismos de compensação disponíveis.

No terreno, a prioridade foi a proteção das pessoas. Logo na manhã de 28 de janeiro, equipas municipais e das juntas de freguesia percorreram todas as freguesias para identificar riscos e prestar informação direta à população. Foram sinalizados vários agregados familiares em situação de maior vulnerabilidade.

Foi criada uma Zona de Concentração e Apoio à População no Pavilhão Municipal, por onde passaram mais de 120 pessoas. Cerca de 55 ficaram ali alojadas temporariamente. O espaço assegurou condições de conforto, higiene e cuidados de saúde. A estrutura foi encerrada a 11 de fevereiro, depois de resolvidas as situações mais urgentes.

“Em duas semanas foi possível solucionar os problemas das pessoas que ali deram entrada”, afirma o presidente da Câmara. As soluções passaram pelo recurso a habitações sociais, pela intervenção em casas próprias permanentes ou pelo apoio da rede familiar, sempre com acompanhamento próximo do Município.

Em todas as freguesias onde foi possível, foram ainda criados Locais de Apoio à População com acesso a banhos, internet e pontos de carregamento de equipamentos, numa fase em que muitos agregados estavam sem eletricidade.

Paralelamente, o Município manteve contacto direto com o Governo. João Paulo Guerreiro reuniu com o Primeiro-Ministro, com os ministros da Economia e das Infraestruturas e recebeu no concelho a Ministra da Administração Interna, a Ministra da Saúde, o Secretário de Estado da Proteção Civil e o Secretário de Estado da Energia. Houve também reuniões com responsáveis regionais da E-Redes, da Segurança Social, da GNR e do Exército.

Para o autarca, “a resposta a uma situação de emergência não se mede apenas pelos resultados visíveis no terreno, mas sobretudo pela dedicação aplicada, pelo profissionalismo e pelo espírito de serviço demonstrados por todos os intervenientes”.

O compromisso, garante, mantém-se até que a última situação associada à tempestade esteja resolvida. Para muitas famílias e empresas do concelho, os próximos meses serão decisivos para recuperar habitações, atividade económica e estabilidade.

Tempestade Kristin obriga ao cancelamento do Festival da Juventude e da FAFIPA

AUTARQUIA CANALIZA RECURSOS PARA APOIAR FAMÍLIAS E EMPRESAS AFETADAS

A Câmara Municipal de Alvaiázere decidiu cancelar o Festival da Juventude e a FAFIPA, que estavam previstos para abril e junho, na sequência dos estragos provocados pela tempestade Kristin no concelho. A prioridade, garante o presidente da autarquia, é concentrar todos os meios na recuperação do território e no apoio às pessoas afetadas.

“Após a passagem da tempestade Kristin, tomámos a decisão de cancelar os dois eventos”, afirma o presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere, João Paulo Guerreiro. O autarca reconhece que não foi uma escolha simples. “Esta não foi uma decisão nada fácil, até porque sabemos que estes eventos fazem parte de uma estratégia de promoção do território e que muito nos dizem enquanto comunidade”.

O Festival da Juventude e a FAFIPA têm sido, nos últimos anos, momentos de dinamização económica e social, atraindo visitantes e apoiando o comércio local. Para muitos empresários, sobretudo da restauração e serviços, representam também um reforço importante nas receitas.

Ainda assim, o executivo municipal entende que o momento exige outro tipo de respostas. “Perante os impactos provocados pela tempestade, entendemos que o momento exige sacrifícios, solidariedade e total concentração naquilo que é verdadeiramente prioritário: as pessoas e o seu bem-estar”, sublinha João Paulo Guerreiro.

Segundo o presidente, o foco está na segurança e na recuperação das famílias e empresas que sofreram danos. “O nosso foco está, e continuará sempre, na segurança, na recuperação das famílias e empresas afetadas e na reposição das condições de normalidade no território como um todo”.

A autarquia admite que ainda há necessidades por avaliar no terreno, sobretudo junto da população mais vulnerável. Existem situações que requerem acompanhamento próximo e reforço das respostas sociais.

“Há ainda necessidades a avaliar, respostas a reforçar e situações que exigem acompanhamento próximo, especialmente junto da população mais vulnerável. É esse o nosso foco total”, afirma o edil.

A Câmara garante que vai manter a sua dinâmica de trabalho, ajustando prioridades e criando mecanismos adicionais de apoio a quem mais precisa. “Agora, o essencial é cuidar, reconstruir e garantir que ninguém fica para trás”, conclui João Paulo Guerreiro.

Para já, os grandes eventos ficam em segundo plano. A prioridade está nas pessoas e em “reerguer Alvaiázere”.