O chícharo voltou a ser o rei da mesa em Alvaiázere. Entre 2 e 5 de outubro, o concelho recebeu mais uma edição do Festival Gastronómico Alvaiázere Capital do Chícharo, com gastronomia, produtos locais, artesanato, música e várias iniciativas culturais.
Mais do que uma mostra gastronómica, o certame voltou a funcionar como ponto de encontro da comunidade e como montra do que Alvaiázere tem para oferecer a quem visita o concelho.
A edição deste ano teve ainda um significado particular. Foi o primeiro grande evento realizado em Alvaiázere depois da tempestade Kristin.
CHÍCHARO E MUITO MAIS
O chícharo esteve naturalmente no centro do festival, mas a oferta não se ficou por este produto.
O presidente da Câmara Municipal, João Paulo Guerreiro, destacou também o queijo, o vinho, o azeite, as ervas aromáticas e outras iguarias associadas ao território. “O nosso festival do chícharo não é apenas o chícharo, é muito mais do que o chícharo. É cultura, é tradição, é união”, afirmou.
As tasquinhas voltaram a ser um dos pontos fortes do recinto, permitindo às associações apresentar receitas de chícharo e outros produtos, ao mesmo tempo que encontraram no festival uma oportunidade para angariar verbas. “O festival gastronómico permite às associações conseguirem alguns meios financeiros para desenvolver as suas atividades ao longo do ano”, frisou o autarca.
Ao todo, 13 associações estiveram diretamente envolvidas no recinto.
MAIS DE 20 RESTAURANTES DERAM A PROVAR CHÍCHARO
A gastronomia do festival não ficou limitada ao recinto. Mais de 20 restaurantes aderiram à iniciativa, permitindo provar pratos de chícharo em diferentes pontos do concelho.
A adesão da restauração reforçou a dimensão económica do evento e ajudou a levar a iniciativa a mais localidades de Alvaiázere.
As tasquinhas e os restaurantes são, assim, duas das principais portas de entrada para quem quer conhecer a gastronomia associada ao chícharo.
Mas o festival tem “um impacto muito grande” tanto no comércio local, como na atividade das associações, salientou João Paulo Guerreiro.
Para o presidente da Assembleia Municipal, Carlos Graça, o festival representa muito mais do que um evento comercial.
“É mais que um evento comercial, é uma mostra da nossa história, o celebrar a nossa ruralidade, mas também a cultura e o saber fazer dos alvaiazerenses”, referiu.
Aquele responsável destacou ainda a gastronomia, o vinho, o azeite, o artesanato e a doçaria como elementos de uma identidade local que importa preservar.
A mesma ideia esteve presente na intervenção da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes. A governante destacou o chícharo enquanto elemento da história e da identidade de Alvaiázere, defendendo que o património de um território também é constituído pelos saberes, práticas e formas de fazer transmitidos entre gerações. “O valor cultural do chícharo não está apenas no seu produto”, evidenciou.
FESTIVAL QUER TRAZER VISITANTES DE VOLTA
Uma das ambições do município é que quem visita Alvaiázere durante o festival regresse ao concelho noutras alturas do ano. E Carlos Graça deixou esse anseio: “fica o desejo que, através dos nossos produtos e da nossa hospitalidade, Alvaiázere possa atrair mais visitantes ao longo de todo o ano, dinamizando a economia local”.
“É importante que o chícharo tenha servido para isso, que a Feira tenha servido para isso, para que Alvaiázere atraia, depois ao longo do ano, aqueles visitantes que agora nos visitam, talvez pela primeira vez”, afirmou.
“É isso que é importante, é nós sermos capazes, pela nossa simpatia e pela nossa hospitalidade, fazer com que eles voltem a Alvaiázere mais vezes”, acrescentou.
COMPRAR LOCAL PARA MANTER ECONOMIA EM MOVIMENTO
O festival serviu também para reforçar um apelo aos próprios alvaiazerenses: comprar produtos produzidos no concelho.
Carlos Graça lembrou que o trabalho dos produtores só tem continuidade se existir procura. “Quando nós compramos produtos locais, isso significa dinamizar, da maneira mais direta possível e de modo mais correto, a nossa economia local”.
O responsável deixou ainda um alerta para a importância de manter o consumo de produtos associados à ruralidade do território.
“É importante comprar e consumir os nossos produtos locais, porque só através desse consumo, podemos continuar a incentivar os produtores a produzir. Se eles produzirem, mas não houver consumo, eles desistem e, com isso, perde a economia local e perdemos todos”, frisou.
UM MOMENTO PARA RECUPERAR O ÂNIMO
A edição deste ano teve ainda uma dimensão simbólica. Depois dos estragos provocados pela tempestade Kristin, o festival foi encarado pelo município como uma oportunidade para recuperar o ânimo e voltar a juntar a população.
“Enfrentávamos juntos momentos muito difíceis, (…) mas chegou o momento de virar a página, de ver para além daquilo que foi a destruição, a infelicidade e a tragédia que nos abateu”, afirmou João Paulo Guerreiro, salientando que “é altura de seguir em frente”.
Portanto, “vamos usar este momento para virar a página, reerguer o nosso território e, nada melhor do que estes quatro dias de festa, de união, de alegria e de partilha, para nos dar força para seguir em frente”, adiantou, destacando que “esse é também um dos objetivos principais desta 22ª edição do Alvaiázere Capital do Chícharo”.
E foi isso mesmo que aconteceu. Durante quatro dias, o chícharo voltou a reunir à mesa associações, restaurantes, produtores, visitantes e população local. A festa serviu para celebrar uma tradição com mais de duas décadas, mas também para mostrar que a gastronomia pode continuar a ser uma ferramenta de promoção e dinamização económica de Alvaiázere.
A 22.ª edição terminou com o mesmo desafio com que começou: valorizar aquilo que distingue o concelho e transformar essa identidade em motivo para visitar, conhecer e regressar a Alvaiázere.





