Alvaiázere recebeu confrarias de todo o país na celebração do Queijo do Rabaçal
No passado fim de semana de 16 e 17 de maio teve lugar em Alvaiázere a XXXVI Feira do Queijo do Rabaçal. Inserido na vasta programação do evento, teve lugar também no sábado, dia 16, o XXIII Capítulo da Confraria do Queijo do Rabaçal. Numa lógica de rotatividade pelos seis concelhos que integram a Terras de Sicó – Associação de Desenvolvimento, coube este ano ao Concelho de Alvaiázere acolher o evento, cujo município, na pessoa do seu presidente, João Paulo Guerreiro, em final de mandato garante a presidência desta Associação, durante cerca de mais um mês.
Deste modo, Alvaiázere foi o palco das comemorações do evento, com a Confraria do Queijo do Rabaçal a dar o pontapé de saída da programação do evento, proporcionando às trinta e uma Confrarias Gastronómicas e Báquicas, o prazer de, na qualidade de anfitriões, a degustação de uma enorme variedade de produtos da região das Terras de Sicó, do queijo, ao vinho, o mel, os enchidos, o Chícharo, leguminosa, produto identitário do nosso concelho, entre outros produtos de enorme qualidade. Qualidade que foi salientada pelos diversos oradores durante o momento alto do Capítulo, a entronização de novos Confrades e Confreiras, que a partir daquele momento juraram assumir a promoção e divulgação do Queijo do Rabaçal.
Momento igualmente destacado, para salientarem a visão arrojada dos seis municípios fundadores desta Região, Terras de Sicó, apesar de fazerem parte de distritos diferentes, três municípios pertencentes ao distrito de Leiria e outros três pertencentes ao distrito de Coimbra e de cores políticas diferentes. União que pretendem cimentar, a avaliar pelas palavras, quer do atual presidente da Terras de Sicó – Associação de Desenvolvimento, quer pelos responsáveis da Confraria do Queijo do Rabaçal, quer ainda pelos restantes autarcas presentes, em representação dos restantes municípios.
Saiu reforçada a união que os caracteriza, os propósitos que defendem em prol da valorização da enorme qualidade dos diversos produtos que integram esta região demarcada, pretendendo assumir-se como uma região turística de excelência
Alvaiázere quer sair de associação do Alto Ribatejo para avançar com Azeite Terras de Sicó IGP
CONCELHO CONTINUA IMPEDIDO DE INTEGRAR OFICIALMENTE O PROJETO DAS TERRAS DE SICÓ
Alvaiázere quer integrar oficialmente o projeto do futuro Azeite Terras de Sicó IGP, mas continua preso a um entrave burocrático que impede o concelho de avançar com os restantes municípios da região. O alerta foi deixado pelo presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere, durante a abertura da ExpoSicó, perante o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes.
O autarca defendeu que Alvaiázere, apesar de ser “dos seis concelhos o que tem mais produção de azeite”, continua ligado à Associação de Produtores do Alto Ribatejo, uma estrutura com a qual diz não existir “qualquer relação social ou geográfica”.
Segundo explicou, essa situação impede o concelho de se juntar formalmente ao território das Terras de Sicó para criar uma Identificação Geográfica Protegida (IGP) própria para o azeite produzido na região.
“PRECISAMOS QUE NOS SOLTEM AS AMARRAS”
Na sua intervenção, o edil alvaiazerense disse que os agricultores locais querem integrar um projeto com o qual se identificam “em termos de identidade, cultura e tradição”. Mas, para isso, “precisamos que nos soltem as amarras de uma associação que pouco nos diz e que nada nos valoriza”, afirmou.
O autarca recordou ainda que Alvaiázere tem uma forte tradição ligada à oliveira galega, uma variedade menos intensiva, mas que pode diferenciar a qualidade do azeite produzido no território.
“A oliveira galega que temos não é tão rentável como a plantação extensiva, mas poderá dar a este território uma vantagem na qualidade do seu azeite”, referiu.
A intenção passa por criar um azeite com identidade própria, associado às características das Terras de Sicó, em vez de continuar integrado noutra região produtora.
“Temos de ter um Azeite Terras de Sicó com as características Terras de Sicó e não estarmos aqui um pouco como apêndice de outro na produção dos seus azeites”, sublinhou.
UM PROCESSO QUE SE ARRASTA HÁ ANOS
O processo não é novo. Segundo o presidente da Câmara, esta é uma reivindicação antiga dos municípios e produtores da região, mas que continua sem solução.
A criação de uma IGP permitiria reforçar a valorização comercial do azeite produzido no território, proteger a origem do produto e criar maior reconhecimento para os produtores locais.
Além do azeite, o autarca aproveitou ainda para defender o reconhecimento do Vinho Terras de Sicó como DOC, lembrando o trabalho desenvolvido ao longo das últimas duas décadas.
MINISTRO ADMITE ANALISAR SITUAÇÃO
Na resposta, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes admitiu analisar o processo, mas deixou a ressalva de que será necessário perceber se existem impedimentos legais relacionados com a atual integração de Alvaiázere noutra associação produtora.
“Em relação ao azeite, teremos que ver se há aí algum conflito que a legislação impede de ser resolvido”, afirmou. “Não havendo nenhum conflito em termos legais”, o problema poderá ser resolvido, acrescentou o governante.
GAL TERRAS DE SICÓ TAMBÉM PREOCUPA AUTARCAS
Durante a intervenção na ExpoSicó, o presidente da Câmara aproveitou ainda para deixar um apelo ao Governo relativamente ao futuro dos GAL, os Grupos de Ação Local, responsáveis por apoiar investimentos em territórios rurais.
O autarca alertou para a incerteza que estas estruturas enfrentam no final de cada quadro comunitário, defendendo maior estabilidade no financiamento.
Recordou que o GAL Terras de Sicó executou mais de 100% das verbas atribuídas no Portugal 2020 e transformou cerca de três milhões de euros em mais de oito milhões de investimento no território.
Para o atual quadro comunitário, disse acreditar que os novos três milhões de euros disponíveis poderão ultrapassar os dez milhões de euros em investimento.
TRÊS PROJETOS ESTRATÉGICOS PARA AS TERRAS DE SICÓ
Na mesma intervenção, foram ainda destacados três projetos considerados prioritários para o território.
Entre eles está o projeto “Do Prado ao Queijo”, ligado à valorização da fileira do Queijo Rabaçal, a candidatura da Arte dos Muros de Pedra Seca a Património Cultural Imaterial da UNESCO e o reforço da Rede das Aldeias de Calcário.
Projetos que, segundo o autarca, assentam todos na identidade do Maciço Calcário Sicó-Alvaiázere e na valorização das características únicas do território.
João Paulo Guerreiro critica plano da ZEC Sicó/Alvaiázere e acusa ICNF de “matar” projeto da paisagem protegida
O presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere criticou duramente o Plano de Gestão da Zona Especial de Conservação (ZEC) Sicó/Alvaiázere, considerando que o documento foi imposto sem ouvir os municípios e que traz “fortes restrições” ao uso do território. As declarações foram feitas por João Paulo Guerreiro durante a abertura da Exposicó, realizada em Alvaiázere nos dias 16 e 17 de maio, perante o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes.
O autarca afirmou que o plano do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) coloca em causa anos de trabalho desenvolvido na região, sobretudo o projeto da futura paisagem protegida das Terras de Sicó. Em resposta, o ministro admitiu que a situação é “inaceitável” e garantiu abertura para rever a legislação.
As críticas surgem um mês depois de o jornal “O Alvaiazerense” ter noticiado a entrada em vigor do plano de gestão da ZEC Sicó/Alvaiázere, que abrange cerca de 46,7% do território do concelho, equivalente a 7.489 hectares.
“ALGO AQUI NÃO VAI BEM”
Perante uma plateia onde estavam representantes políticos, empresários e agentes locais, João Paulo Guerreiro apontou diretamente ao ICNF. O presidente da Câmara lembrou que o município tenta rever o Plano Diretor Municipal há mais de 12 anos, processo que continua sem conclusão devido à necessidade de articulação com mais de três dezenas de entidades.
“Algo aqui não vai bem”, afirmou, sublinhando o contraste entre a demora da revisão do PDM e a rapidez com que o plano da ZEC Sicó/Alvaiázere entrou em vigor.
Segundo o autarca, cerca de metade dos 162 quilómetros quadrados do concelho está abrangida pela Zona Especial de Conservação Sicó/Alvaiázere. Ainda assim, garante que o município nunca foi formalmente ouvido durante o processo.
João Paulo Guerreiro criticou o facto de o plano ter sido implementado “em três meses”, sem pedido de parecer à Câmara Municipal, nem sequer “não vinculativo”. Disse ainda que o município apenas tomou conhecimento do processo “por portas travessas”.
“EU SOU O COVEIRO, MAS O ASSASSINO É O ICNF”
Um dos momentos mais fortes da intervenção aconteceu quando o presidente da Câmara relacionou o novo plano com o processo de criação da futura paisagem protegida de Sicó, tema que vinha a ser trabalhado entre municípios e entidades da região.
Segundo João Paulo Guerreiro, o novo enquadramento ambiental “deita por terra” mais de seis anos de trabalho conjunto para “encontrar um equilíbrio entre conservação da natureza e desenvolvimento do território”.
“Eu fico com o papel de ser o cangalheiro, o coveiro do projeto da paisagem protegida de Sicó. Eu sou o coveiro, mas o assassino é o ICNF”, afirmou.
O autarca considera que o plano é “altamente restritivo” na aplicação dos solos e demasiado vago na definição de mecanismos de valorização económica e financiamento.
RESTRIÇÕES PREOCUPAM
A entrada em vigor do Plano de Gestão da ZEC trouxe novas limitações ao território. Conforme o “O Alvaiazerense” noticiou em março, passam a existir restrições mais apertadas à construção em solo rústico, abertura de caminhos, alterações ao uso do solo e instalação de energias renováveis.
Muitas intervenções ficam dependentes de parecer do ICNF. A circulação motorizada fora de caminhos autorizados também passa a ser proibida em várias áreas sensíveis.
O impacto faz-se sentir sobretudo junto de proprietários, agricultores e habitantes das zonas rurais, onde existe receio de maiores dificuldades para construir, investir ou desenvolver atividades ligadas à agricultura e floresta.
Apesar disso, o plano prevê incentivos ao pastoreio extensivo, recuperação ambiental e acesso a apoios europeus ligados à conservação da natureza.
MINISTRO ADMITE FALHAS E PROMETE ALTERAÇÕES
Na resposta ao presidente da Câmara, o ministro da Agricultura mostrou-se compreensivo com as críticas e admitiu que os municípios deviam ter sido envolvidos no processo.
“Eu acho inaceitável que não tenha sido ouvido”, disse José Manuel Fernandes, referindo-se à ausência de consulta ao município de Alvaiázere.
O governante explicou, no entanto, que Portugal estava obrigado a acelerar a criação das Zonas Especiais de Conservação devido a processos europeus pendentes. Segundo o ministro, o país já pagou cerca de 10 milhões de euros em multas e continuava sujeito a penalizações diárias de 41 mil euros por incumprimento.
Ainda assim, deixou garantias de abertura para alterar o decreto-lei e a portaria associados ao plano de gestão. “Vamos lá trabalhar nas alterações”, declarou, defendendo que “não há boa decisão sem o envolvimento do território”.
José Manuel Fernandes reforçou também que a proteção ambiental deve coexistir com a coesão territorial, a agricultura e a valorização económica das regiões.
FUTURO DA PAISAGEM PROTEGIDA CONTINUA EM ABERTO
Apesar da tensão em torno do plano da ZEC, o ministro mostrou-se disponível para continuar a trabalhar na criação da futura paisagem protegida de Sicó, projeto visto pelos seis municípios das Terras de Sicó (Alvaiázere, Ansião, condeixa, Penela, Pombal e Soure) como uma oportunidade para promover o turismo de natureza, os produtos locais e valorização do património natural e paisagístico.
Para já, permanece a incerteza sobre o impacto das novas regras no desenvolvimento do concelho de Alvaiázere. A revisão do PDM continua por concluir e os autarcas das Terras de Sicó defendem maior equilíbrio entre conservação ambiental e capacidade de fixar população e investimento no território.
Do Pasto ao Queijo: autarcas e Governo defendem apoios para salvar a pastorícia nas Terras de Sicó
EXPOSICÓ 2026 ABORDOU O FUTURO DA PASTORÍCIA NAS TERRAS DE SICÓ
A continuidade do Queijo Rabaçal passa hoje por um desafio maior do que produzir queijo. Falta garantir rebanhos, pastagens e pessoas no território. A preocupação marcou a abertura da 36.ª ExpoSicó, realizada em Alvaiázere nos dias 16 e 17 de maio, onde autarcas e Governo reconheceram que a pastorícia deixou de ser economicamente viável nas Terras de Sicó, tal como em muitas zonas do país, e defenderam novos apoios para inverter a situação.
Foi neste contexto que o presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere, João Paulo Guerreiro, apresentou o projeto “Do Pasto ao Queijo”, uma iniciativa que pretende criar espaços para a instalação de rebanhos geridos de forma sustentável, garantindo matéria-prima para a produção do Queijo Rabaçal.
Na cerimónia de abertura, o autarca lembrou que o queijo “é o ex-líbris desta região” e alertou para a necessidade de criar condições para manter viva toda a cadeia produtiva.
“Se deixou de haver rebanhos nas Terras de Sicó, porque eles deixaram de ser economicamente viáveis”, constatou.
Segundo João Paulo Guerreiro, o projeto ainda necessita de definir o modelo de gestão e depende do apoio do Ministério da Agricultura e da CCDR, mas o objetivo está definido: recuperar áreas de pastagem e incentivar a atividade pecuária ligada ao queijo.
UMA FEIRA QUE PROMOVE TODO O TERRITÓRIO
A ExpoSicó é promovida anualmente pela Terras de Sicó – Associação de Desenvolvimento, de forma rotativa, nos seis concelhos que integram o território das Terras de Sicó: Alvaiázere, Ansião, Condeixa, Penela, Pombal e Soure.
Este ano, Alvaiázere recebeu aquele que é considerado o maior certame de promoção dos produtos endógenos da região. Além da XXXVI Feira do Queijo Rabaçal, o evento incluiu a XXXI Mostra de Vinhos Terras de Sicó, a XXI Mostra de Azeite e Mel da Serra de Sicó e a XI Exposição de Cerâmica Artística.
Ao longo dos dois dias passaram pelo certame mais de 50 expositores ligados à agroindústria, artesanato e produção regional. A componente cultural voltou também a marcar presença, reforçando a ligação entre património, gastronomia e identidade local.
Na sua intervenção, João Paulo Guerreiro destacou precisamente essa dimensão coletiva e identitária do território.
“Há mais de 36 anos, os autarcas [da região] perceberam, à frente do seu tempo, que o intermunicipalismo era uma ferramenta fundamental para o crescimento e valorização do território”, referiu, sublinhando que “é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa”.
GOVERNO PROMETE APOIO À PASTORÍCIA
Presente na abertura do certame, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, respondeu diretamente ao desafio lançado pelos autarcas e garantiu abertura para apoiar o projeto “Do Pasto ao Queijo”.
O governante defendeu que a produção de queijo depende da existência de animais, pastores e pessoas a viver no território. E lembrou que a pastorícia tem também um papel importante na prevenção de incêndios. “Se tivermos animais, ovelhas e cabras, teremos redução do material combustível”, frisou.
José Manuel Fernandes destacou ainda o programa de pastorícia extensiva financiado pelo Fundo Ambiental, num total de 30 milhões de euros. O apoio prevê incentivos à instalação de produtores durante cinco anos (8.400€/ano nos primeiros três anos e 2.400€/ano, nos últimos dois anos).
O ministro anunciou também apoios à conversão de mato em pastagem, reforço das ajudas às raças autóctones e incentivos à instalação de jovens agricultores.
Segundo explicou, projetos agrícolas até 500 mil euros podem receber apoios até 60%, com um limite máximo de 400 mil euros.
AGRICULTURA MODERNA E FUTURO DE SICÓ
Ao longo da intervenção, o ministro insistiu na ideia de que a agricultura atual está longe da imagem tradicional associada ao setor.
“Hoje a agricultura é modernidade, é robótica, é inteligência artificial”, afirmou, defendendo uma mudança de perceção sobre o papel dos agricultores.
José Manuel Fernandes alertou ainda para o envelhecimento do setor agrícola. Disse que a média de idades dos agricultores portugueses ronda os 64 anos, acima da média europeia, fixada nos 57.
Para o governante, territórios como as Terras de Sicó precisam de produção agrícola para manter população, economia e paisagem.
“A agricultura é essencial para a coesão territorial, mas também para a competitividade do território”, sublinhou.
A discussão em torno do Queijo Rabaçal acabou por mostrar uma realidade cada vez mais evidente: produzir queijo não depende apenas do saber fazer tradicional. Depende também de conseguir manter rebanhos, garantir rendimento aos produtores e criar condições para que haja novas gerações interessadas em continuar a atividade.
Sem isso, um dos produtos mais emblemáticos das Terras de Sicó arrisca perder a base que lhe dá origem. E foi precisamente essa mensagem que ficou no centro da ExpoSicó deste ano: proteger o queijo passa, antes de tudo, por tornar novamente possível viver da pastorícia.





