PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE

DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO

DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO

Tempestades causaram prejuízos de 60 milhões de euros em Alvaiázere

AUTARQUIA ALERTA PARA INCAPACIDADE FINANCEIRA E RISCO ACRESCIDO DE INCÊNDIOS NO CONCELHO

O concelho de Alvaiázere registou mais de 60 milhões de euros de prejuízos na sequência do mau tempo que atingiu a região nos meses de janeiro e fevereiro. O valor, avançado pelo presidente da Câmara Municipal, João Paulo Guerreiro, reflete danos extensos em infraestruturas públicas, instituições e património local, sendo considerado incomportável para a capacidade financeira do município.

“Já reportámos a todas as entidades que nos solicitaram, inclusive à CCDR, a enormidade de danos que tivemos em Alvaiázere. É um valor muito grande, mais de 60 milhões de euros”, afirmou o autarca, à margem de uma reunião da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria.

Os estragos abrangem várias áreas do território. Estão em causa infraestruturas municipais, equipamentos de instituições particulares de solidariedade social, associações locais e também património cultural e religioso. A dimensão dos danos acabou por surpreender o executivo. “Pensei que, no apuramento de danos, não fosse tanto, pensei que andássemos por cerca da metade deste valor”, admitiu João Paulo Guerreiro.

Perante este cenário, a autarquia está agora a trabalhar com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-Centro) para encontrar soluções de apoio que permitam avançar com a recuperação. Ainda assim, o presidente da Câmara não esconde as limitações do município. “É um valor realmente muito grande, que nós não temos capacidade financeira no município para recuperar”, sublinhou.

Nesta fase, a prioridade está centrada na prevenção de novos riscos, sobretudo com a aproximação do verão. A limpeza das áreas florestais, a desobstrução de caminhos e a recuperação de linhas de água são intervenções consideradas urgentes. “Já somos um território muito vulnerável [a incêndios florestais] e estamos muito preocupados com a desobstrução de estradas, com a limpeza das florestas”, alertou.

O autarca deixou também um aviso direto sobre o curto prazo disponível para agir. “Temos aqui uma janela de dois ou três meses para fazer a intervenção” e, caso isso não aconteça, o concelho pode voltar a enfrentar uma situação crítica. “Se não fizermos esse trabalho, daqui a três meses podemos estar outra vez em catástrofe, em aflição”, frisou.

João Paulo Guerreiro considera ainda que a resposta no terreno não tem acompanhado a urgência da situação. “Os meios disponibilizados não estão a ser suficientemente rápidos, nem suficientemente robustos para podermos dar uma resposta rápida”, afirmou, reforçando a necessidade de reforço de recursos.

Apesar das dificuldades, o presidente da Câmara mostra confiança na capacidade de recuperação do concelho e no apoio das entidades nacionais. “Os alvaiazerenses são muito resilientes, queremos retomar mais fortes do que o que estávamos antes da tempestade do dia 28 de janeiro”, referiu.

As intempéries que atingiram o país durante várias semanas provocaram danos significativos em várias regiões, mas, em Alvaiázere, o impacto assume uma dimensão particularmente relevante, com efeitos diretos na vida das populações, na segurança do território e na capacidade de resposta local nos próximos meses.