O Ano Novo chega e traz consigo sempre novas esperanças. As pessoas abraçam-se, brindam, desejam felicidades e as risadas misturam-se ao som da música, num ritual coletivo que, embora repetido ano após ano, é sempre mágico.
No entanto, é nas casas, nas mesas repletas de comida que o Ano Novo se faz realmente presente.
O desperdício alimentar é uma realidade triste que se esconde por trás da abundância e mesas fartas. Ao mesmo tempo, milhões de pessoas em condições de vulnerabilidade lutam para encontrar o suficiente para se alimentar, e, em muitos casos, acabam dependendo de doações ou dos programas de assistência para sobreviver.
A seguir, deixo o poema “Ano Novo” de Carlos Drummond de Andrade, que reflete sobre as expectativas e o significado de recomeçar a cada ano.
“Ano Novo”
Carlos Drummond de Andrade
A cada ano que passa, a cada dia que passa,
percebo mais profundamente que a morte é uma
tentação, e que, para não ceder a ela, devemos
trabalhar intensamente.
Não importa o que fizemos, o que somos,
mas o que queremos ser. Não importa o que
passou, mas o que está por vir.
De nada adianta saber o que já sabemos.
Não adianta saber. O que importa é o que vamos
desbravar, o que vamos descobrir.
Ano novo, vida nova, se possível.
Ano novo, vida nova, se possível…
Ano novo, vida nova.”
Bom Ano!