PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE

DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO

DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO

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As facadas na nossa democracia

A nossa democracia já não é assim tão jovem quanto isso. 52 anos de vida, já deviam ter permitido uma sociedade mais justa, com menos assimetrias, com mais desenvolvimento económico e social, melhor saúde, mais justiça e por aí fora.

Vários episódios e acontecimentos contribuíram ao longo dos anos para este estado de degradação generalizado das instituições democráticas. Destaco 4.

1- Morte de Sá Carneiro. Considerado por muitos como o melhor político da sua geração, deixa-nos de forma suspeita e envolta em mistério. Assassinato? Acidente? Nunca se chegou a saber ao certo mas pelo que tenho lido as provas são mais que evidentes. Foi um assassinato de alguém que levava a política a sério, que servia o Pais e não se servia dele. Que não servia lobbies e interesses, que procurava o desenvolvimento do País e que tinha uma coragem inabalável. Perdeu-se um Primeiro Ministro que estava a conduzir Portugal para uma paz que não se fazia sentir até então, que contribuía a credibilização externa de um País pobre e inculto. Com a sua morte criou-se um vazio de ideias de esperança, de descrença, diria mesmo irreparável. Nunca mais tivemos um político com a sua inteligência, postura e discurso.

2 – Saída de Durão Barroso para a presidência da Comunidade Europeia. Um ato de traição. Durão Barroso tinha sido eleito Primeiro Ministro de Portugal em Abril de 2002 e sai em julho de 2004, com uma maioria parlamentar do PSD e do CDS. Traiu os Portugueses que votaram nele, não cumpriu o que se tinha proposto cumprir e realizar, saiu, mergulhando o País numa crise que se viria a manifestar mais tarde com a queda de um governo de maioria absoluta liderado por Santana Lopes, que leva José Sócrates ao poder. Quem não cumpre o seu mandato por ambições pessoais e que colidem com o interesse Nacional, não é digno nem credível de figurar do quadro dos políticos de referência. Uma desilusão.

3-José Sócrates. Não vale a pena falar muito de José Sócrates. Já todos sabemos o que fez, o que andou a fazer e o que ainda vai fazer (desta feita para se livrar da pena de prisão). Poderia estar aqui a adjetivar esta personagem, mas as palavras que me vêm à memória não são as mais prestigiantes. Foi a meu ver o político que pior serviu ou mais prejudicou a democracia em Portugal. Descredibilizou os organismos, instrumentalizou o estado a seu belo prazer, aproveitou o poder para benefício próprio, vilipendiou Portugal e os Portugueses e continua a descredibilizar as instituições nomeadamente as judiciais de uma forma irreversível que pode ferir de morte a democracia Portuguesa.

4 – A falta de qualidade dos políticos Portugueses. Enquanto escrevo este artigo oiço na televisão a detenção de uma série de notáveis do PS numa operação que tem como origem lavagem de dinheiro, corrupção, entre outros crimes.

Claro que ninguém é culpado sem prova em contrário, mas não deixa de ser assustador tudo que se tem passado com a classe política em Portugal.

A falta de preparação social, económica e política de quem ocupa quadros políticos é hoje gritante. O “carreirismo” que mina os partidos, traduz-se na falta de qualidade que estes têm hoje. E aqui quem ganha é quem não devia sequer existir. É o populismo, o extremismo, o desanimo e o descrédito. Lamento que este seja o nosso presente…porque este presente não augura nada de bom para o nosso futuro.

Recebam um abraço.