Em tempo de incêndios, as declarações de alguns autarcas, desculpabilizando-se do que está a acontecer nos seus concelhos, fazem-me rir. Pois bem, brevemente iremos ter eleições autárquicas e como, em resultado das alterações climáticas, os incêndios serão uma inevitabilidade, gostaria que refletissem sobre o seguinte: é preferível gastar milhões no seu combate, (cada concelho terá o seu meio aéreo?), ou na sua prevenção?
Optando pela segunda opção, elenco algumas possíveis medidas a serem aplicadas (muitas das quais já estão no papel há anos):
Gestão do Território e Limpeza
Fiscalizar e garantir a limpeza de terrenos (faixas de gestão de combustível junto a habitações, estradas, linhas elétricas e zonas industriais);
Criar brigadas municipais de limpeza e silvicultura, empregando trabalhadores locais ou parcerias com associações, para ajudar idosos ou pessoas sem meios para limpar os seus terrenos;
Apoiar a reconversão agrícola em terrenos abandonados para reduzir áreas de mato;
Eliminar as plantas infestantes (acácias e outras);
Criar zonas de descontinuidade florestal: zonas agrícolas e abrir ou reforçar caminhos rurais e aceiros que funcionem como corta-fogos naturais.
Reforço de Meios e Infraestruturas
Aumentar reservatórios e pontos de água estratégicos em zonas rurais e florestais;
Melhoria dos acessos rurais para veículos de combate a incêndios;
Investimento em vigilância local (torres de vigia, drones partilhados entre concelhos, câmaras em pontos críticos);
Apoio às corporações de bombeiros voluntários com formação contínua e equipamentos atualizados.
Envolvimento da Comunidade
Campanhas de sensibilização regulares (antes do verão) sobre limpeza de terrenos, queimas e uso responsável do fogo.
Formação nas escolas e associações sobre autoproteção, evacuação e prevenção.
Apoiar pastoreio tradicional e outras atividades que ajudem na limpeza natural do mato.
Incentivar o voluntariado local em vigilância comunitária durante épocas críticas.
Planeamento e Regulamentação
Planos Municipais de Defesa da Floresta atualizados e divulgados à população;
Zonamento urbano seguro, proibindo novas construções em áreas de alto risco sem medidas preventivas (faixas de proteção, materiais resistentes ao fogo);
Aplicar coimas de forma efetiva a quem não cumpre limpeza de terrenos, mas também apoiar financeiramente quem não tem meios;
Parcerias intermunicipais para gerir áreas florestais contíguas.