A natureza chateou-se connosco! E sem pedir licença, entrou pelas nossas casas, anexos, empresas, edifícios e estruturas públicas, destruiu quase por completo o nosso património florestal e reduziu a uma pequena parte a nossa autoestima.
Foi implacável, cruel.
Não escolheu vítimas. Todos, de alguma forma, fomos afetados pelos efeitos devastadores da “ciclogénese explosiva” que varreu o nosso concelho de uma ponta a outra literalmente.
Num prazo de três horas, vimos sonhos de uma vida ruir, trabalho de décadas no chão, projectos de futuro serem adiados.
Mas há uma coisa que esta tempestade não nos tirou. A nossa coragem, a nossa vontade de nos reerguermos, a nossa força, a nossa resiliência e acima de tudo o nosso orgulho de comunidade.
E por isso… Esta é a nossa hora!
É a hora de darmos as mãos e colocarmos telha por telha, tijolo por tijolo no seu lugar!
É a hora de replantarmos cada árvore que caiu!
É hora de ajudarmos os nossos vizinhos, mais vulneráveis.
É hora de esquecermos quezílias e apressarmos os nossos passos, em direção a que mais precisa!
É hora de todos, todos, todos sermos uma verdadeira comunidade. Temos de ser exemplo pelos melhores motivos. E pelo que vi nos dias seguintes à tormenta, somo capazes de tudo isto. Vi entre ajuda, vi compaixão, vi preocupação, vi a coragem e o trabalho de quem combatia a dor e o sofrimento.
Poderá ser um lugar comum, mas temos mesmo de ser mesmo mais fortes no presente para podermos reerguer o nosso futuro. Depende de todos nós!
Duas notas finais.
Uma para a ACREDEM. As instalações da sua moderna creche sofreram danos consideráveis que impossibilitavam a sua utilização. Como sempre, a direcção e as suas funcionárias não mandaram a toalha ao chão. Arregaçaram mangas e em tempo record equiparam de uma forma extraordinária, as salas do pavilhão desportivo para receberem as suas mais de quarenta crianças que utilizam aquele espaço. Pode parecer pouco, mas não é. Só quem acompanhou o que ali foi feito, pode avaliar o carinho e amor empregues naquele espaço, permitindo aos pais daquelas crianças voltar aos seus empregos e normalizar o seu dia a dia na medida dos possíveis. Parabéns ao Henrique Rosa, à sua direcção e a todas as funcionárias e voluntários que possibilitaram esta pequeno “milagre”.
Uma segunda nota para o presidente do Município João Paulo Guerreiro. Enfrenta pela segunda vez em pouco mais de quatro anos de mandato, a fúria da natureza.
Nesta última, foi sempre um dos primeiros a chegar e o último a sair do posto de comando. Ouviu, analisou, orientou e decidiu. E decidiu sob a pressão se quem vê o seu território devastado. Foi sempre sereno, tenho em conta o cenário com que se deparava a cada saída, a cada visita ao território e aos Alvaiazerenses que sofriam. Manteve sempre a calma nos momentos mais tensos e difíceis. Esta postura num cenário destes, torna-se num exercício muito difícil de controlar. Conseguiu, e assim mostrou-se um verdadeiro líder, juntamente com toda a sua equipa.