Hoje, para não escrever sobre os resultados das eleições legislativas nem sobre as inevitáveis extravagâncias (leia-se: gastos excessivos) em ano de eleições autárquicas, dedico estas linhas a temas históricos — e a outros mais triviais.
No mês de maio, coincidentemente, aconteceram alguns factos curiosos relacionados com a palavra leão.
No dia 8 de maio, Robert Prevost foi eleito Papa, adotando o nome de Leão XIV.
No futebol, o Sporting Clube de Portugal — cujo símbolo é precisamente um leão — alcançou a tão desejada “dobradinha”, conquistando o campeonato nacional e a Taça de Portugal, um feito que não ocorria há 23 anos.
No plano histórico, vale a pena recordar que normalmente associamos a fundação de Portugal ao ano de 1143, data do Tratado de Zamora, celebrado entre D. Afonso Henriques e o seu primo, Afonso VII, rei de Leão e Castela. No entanto, foi apenas a 23 de maio de 1179, há exatamente 845 anos, que o Papa Alexandre III emitiu a bula Manifestis Probatum. Este documento é de importância fundamental na história nacional, pois formalizou a independência de Portugal e reconheceu D. Afonso Henriques como rei. A bula marca, assim, um momento decisivo na formação do reino e na consolidação da identidade portuguesa, confirmando oficialmente a separação do Condado Portucalense do Reino de Leão.
E termino com outro documento histórico em que um Papa de nome Leão teve um papel crucial para Portugal.
A 7 de junho de 1514, em Roma, o Papa Leão X emitiu a bula Dum fidei constantiam, pela qual atribuiu aos reis de Portugal o padroado de todas as igrejas e benefícios eclesiásticos nos territórios situados desde o Cabo Bojador até à Índia. Estas igrejas foram então integradas na Ordem de Cristo, sob jurisdição espiritual do vigário de Tomar.