PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE

DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO

DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO

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O novo Presidente da República

Começo por dizer que simpatizo com António José Seguro (AJS), embora não lhe reconheça virtudes suficientes para poder ser um bom Presidente da República.

Primeiro. Não foi AJS que ganhou as eleições. Foi a direita que as perdeu!

Ao fragmentar-se em 3 candidatos, a direita diluiu os seus votos e não possibilitou uma vitória logo à primeira volta. O PSD (tal como nas eleições europeias) arriscou ao apoiar um candidato que não garantia nada a não ser um mau resultado. Um candidato como Rui Moreira (ex presidente da CM do Porto) na minha opinião, garantia à partida uma candidatura com o apoio da IL bem como uma vasta franja do centro.

Mesmo não ganhando à primeira volta (o que duvido), ganharia à segunda volta sem qualquer margem de dúvida.

Por isso AJS só teve de ir a jogo. O resultado (66,83%) só foi possível não por mérito de AJS, mas acima de tudo por um não voto em André Ventura, pois este não representa a direita moderada e equilibrada do espectro político Nacional.

Como dizia no inicio do artigo , simpatizo com AJS pois parece-me ser um Homem com valores, fiável e credível. Mas isto só não chega para se ser um bom Presidente da República. É preciso ter sentido de Estado e uma boa leitura política. E é aqui que AJS deixa um pouco a desejar pois poderá cair na tentação de querer agradar à esquerda (tal como Sampaio) e não deixar governar quem legitimamente foi eleito para tal.

Por exemplo. Na campanha cometeu o erro de dizer que com ele na presidência, não deixaria passar a reforma laboral que o governo apresentou em sede e concertação social. Não o devia ter dito, pois se o governo chegar a acordo com os parceiros sociais o Presidente da República não deve intrometer-se na governação do País pois esse não é o papel dele.

Espero também que não caia na tentação de querer ser um Presidente popular ( à imagem de Marcelo Rebelo de Sousa) de modo a garantir a credibilidade que o cargo exige. Selfies e beijinhos em excesso, não são compatíveis com este cargo.

É necessário criar mecanismos que permitam regular e vigiar a ação do governo. É necessário exigir do governo o cumprimento de seu programa eleitoral, de cumprir com as metas de execução do PRR, exigir crescimento económico e justiça social, entre outros eixos de ação.

Se AJS conseguir ser exigente com o governo sem querer ser ele o governador, poderá sucesso, caso contrário temo que o Pais caia em eleições antes do tempo previsto, o que não pode acontecer!

Termino desejando uma Páscoa Feliz a todos os leitores.