Pela primeira vez escrevo um artigo ao segundo dia do respetivo mês. E faço-o porque nenhum acontecimento que possa acontecer no resto do mês de Janeiro, seja mais importante que as palavras que agora escrevo.
Acabo de chegar a casa do funeral do “Ti Alberto” (como sempre o tratei e tratarei), ou do “Alberto do Valbom”, ou do “Alberto do armazém”, e não podia deixar de lhe dedicar este artigo.
O Ti Alberto não era um Homem bom. Era um Homem extraordinário!
Conheci o Ti Alberto não sei bem quando. Talvez quando nos levava no autocarro da Câmara para as excursões da escola, ou nas saídas mais longínquas da filarmónica. Mas sempre o admirei.
No seu registo competente, de respeito e de compreensão para com os rapazes da minha tenra idade, soube sempre tolerar as nossas traquinice ou por vezes parvoíces, mas sem nunca nos deixar abusar.
Já mais tarde, nos Bombeiros, foi sempre um didata.
“Bom dia rapaziada”. Era assim que começa o dia, com o seu sorriso e alegria muito própria.
Dia sem conta…manhãs sem fim, para logo se seguida por um ponto à ordem do dia e perguntar … “ já pensaram no almoço? Para mim, é o que vocês quiserem!”
E lá começavam as lições de culinária, com quem tanto aprendi e onde durante a confecção lá vinham lições de vida e ensinamentos dos Bombeiros e da vida do dia a dia.
Depois na Câmara onde era um exemplar encarregado e anda hoje recordado com saudade.
O meu primeiro trabalho como estagiário, foi propor a limpeza do parque de merendas da Serra de Alvaiázere. Após aprovação do Presidente da Câmara (Dr. “Varito”), fomos ao local e ficou combinado, “Rapaz, isto vai ser feito entretanto, mas vai ficar impecável que isto é bem bonito”. E ficou, como sempre ficavam os trabalhos que mandava fazer, dentro da exigência e rigor que tinham de ser empregues.
Já reformado, a vida foi-lhe traiçoeira. Um AVC , quase o incapacitava na totalidade, não fosse o seu apego à vida, à família e a tudo o que o rodeava. Lembro-me de o encontrar no ginásio da fisioterapia e de ele dar aulas de motivação a pessoas que não tinham um terço sequer das suas limitações. “Oh menina…ande lá com isso, que o que você tem não é nada comparado com o que tenho e se eu vou ficar bom, você também vai ter de ficar!”
Era vê-lo alegre e contente por estar vivo. Era o Amor incondicional pelos netos, a disponibilidade para os amigos, era o dia das vindimas, era o dia 16 de Dezembro ou o dia de provar a água-pé, era a porta aberta sempre que lá passava e me recebia com um “Então rapaz…!”.
As pessoas de quem gostamos só morrem verdadeiramente quando nos esquecemos delas e por isso, Ti Alberto, jamais morrerá para mim, até porque um Bombeiro jamais morre… permanece nos nossos corações eternamente!
Um cumprimento à sua esposa, filhos, nora e genros e em especial aos seus netos… são uns sortudos no Avô que tiveram.
Até sempre Ti Alberto.