PROPRIEDADE: CASA DO CONCELHO DE ALVAIÁZERE

DIRECTOR: MARIA TEODORA FREIRE GONÇALVES CARDO

DIRECTOR-ADJUNTO: CARLOS FREIRE RIBEIRO

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Prevenir ou confiar na sorte?

Vulcões, sismos, inundações, fogos, vendavais e outras intempéries sempre existiram e sempre existirão. Segundo especialistas, esses fenómenos ocorrerão com maior frequência e, possivelmente, com maior intensidade. Podemos fugir a eles? Podemos. Vou dar alguns exemplos.

Sabemos que Lisboa está situada numa zona sísmica e que estamos à espera de um terramoto. Podemos resolver o problema? Sim. Basta deslocalizar toda a cidade. Mas é viável? Não! Temos, então, de arranjar formas de mitigar o problema: destruir e reconstruir edifícios sem condições para suportar um terramoto, e construir “zonas de segurança altas” onde as pessoas possam abrigar-se em caso de tsunami.

Podemos evitar os efeitos nefastos das inundações? Podemos. Mas é viável? Não! No caso do Mondego, por exemplo, teríamos de eliminar a baixa de Coimbra, povoações como Ereira e ainda destruir terrenos agrícolas. Podemos mitigar? As barragens e outros equipamentos não resolvem completamente, mas ajudam bastante.

Podemos acabar com o flagelo dos fogos? Sim. Basta retirar as casas e aldeias do meio das florestas, matas ou zonas abandonadas, ou, então, fazer o contrário: remover espécies de árvores como eucaliptos, resinosas e acácias num raio de 100 metros de edificações, vias principais de comunicação e linhas de energia e telecomunicações. O que arderia fora dessas áreas seria insignificante, pois sabemos que grande parte da nossa “floresta” é, na verdade, “lixo”. Esta medida faz também sentido no caso de vendavais, como o que testemunhámos recentemente. Nunca imaginei que uma autoestrada fosse interditada devido a árvores caídas na via.

Tivemos muita sorte! Sem água, sem eletricidade, sem comunicações, sem formas de nos deslocarmos ou de sermos ajudados, pois as estradas estavam intransitáveis. Se este evento tivesse ocorrido no verão (já que o vento não conhece estações), bastaria uma pequena faísca para que tivéssemos milhares de mortos e casas queimadas.

Aprendemos alguma coisa? Parece que não. Nas zonas não atingidas pela tempestade Kristin, já foi tomada alguma medida preventiva?

E se tivermos um verão prolongado e seco? Talvez tenhamos sorte.