Espalhados um pouco por todo o lado vejo cartazes com uma frase que soa como um alerta: “Os imigrantes não podem viver de subsídios.” Eu não poderia estar mais de acordo.
Coloquemos, agora, a mesma frase sob um prisma mais abrangente: “Os portugueses não podem viver de subsídios.” Não podem e não devem. Parece-me que estamos todos de acordo. Os subsídios são, no fim das contas, uma ajuda momentânea, um paliativo. A verdadeira dignidade está no trabalho, no esforço e na contribuição para a sociedade, com o pagamento de impostos.
Sim, pagar impostos, pois é com eles que se financiam as estruturas do Estado. Não vale a pena queixarmo-nos da falta de qualidade do, por exemplo, Serviço Nacional de Saúde ou das reformas baixas. A reforma que cada um recebe deve ser o reflexo do que foi declarado ao longo de sua vida contributiva.
Agora, uma pergunta impõe-se: Será que o Estado deve financiar os partidos (ou candidatos) e as suas campanhas? Lembro que o valor das subvenções públicas garantidas a cada partido já soma quase 20 milhões de euros por ano. Como contribuintes que somos, já nos pediram a opinião? Lembro que cada voto vale cerca de 3,5 euros a cada partido. Para evitar a abstenção seria mais lógico dar essa quantia a cada eleitor.
Já imaginaram um cartaz com a frase: “Os políticos não podem viver de subsídios?”
Será que o partido autor da frase inicial já renunciou ou tenciona renunciar à subvenção atribuída?
É verdade que os políticos representam ou querem representar a sociedade e devem ter ajudas, mas não consigo perceber por que razão os que têm menos de 50 mil eleitores não têm o mesmo direito. Ou melhor, percebo, pois, todos íamos fazer um dinheirinho extra.
Por isso, talvez a verdadeira questão seja: quem quer entrar para a política que o faça com honestidade, que apresente, sem rodeios, a lista dos apoios que recebeu ao longo da sua trajetória. Mas antes, muito antes da campanha eleitoral.
A transparência é uma coisa muito bonita, mas é, sobretudo, uma coisa necessária. Pois se queremos um país onde todos, imigrantes ou nativos, trabalhem e contribuam, é preciso que os exemplos venham de cima. Não podemos exigir de quem não pode dar.
Concluindo, os subsídios são como a roda de emergência de um carro: devem ser usados em último caso, quando a estrada da vida fica difícil. Mas a verdadeira viagem, essa, é feita com o motor do trabalho, da dignidade e da transparência.