80º Aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alvaiázere

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alvaiázere comemorou o 80º aniversário no passado dia 8 de março.

O dia começou com o toque da sirene e hastear da bandeira com guarda de honra. Houve missa de sufrágio por intenção dos Bombeiros e Diretores falecidos a que se seguiu a romagem ao cemitério para a devida homenagem e recordação.

Com os sons da fanfarra a ecoarem pelas ruas da vila, de volta ao quartel, em formação, receberam oficialmente as entidades convidadas, entre os quais estiveram os Deputados da Nação, Raul Castro e Margarida Balseiro Lopes.

Aberta a sessão solene, teve a palavra em primeiro lugar o Presidente da Assembleia Geral, João Paulo Guerreiro que apresentou as boas vindas a todos e homenageou todas as mulheres, na pessoa da Presidente da CMA, Célia Marques, por presidir às comemorações neste dia da mulher que coincide com os 80 anos da Associação que representam muitos sacrifícios, coragem e determinação no passado e no presente.

De seguida foi lida a Ordem de serviço que contemplava a distinção de bombeiros com medalha de grau ouro, 15 anos de assiduidade, 1 estrela, nomeadamente, Oficial Bombeiro de 2ª, Carlos Eduardo Simões Alves; Bombeiros de 2ª Tiago Simões, André Brás e João Rosa e Bombeiros de 3ª: Tiago Santos, Mauro Sousa, José Lourenço e Tiago Marques. Após a imposição das medalhas usou da palavra, o Comandante, Mário Bruno que depois de dar muitos recados aos que têm obrigação de apoiar este tipo de associações de voluntários, elogiou e agradeceu a todos aqueles que contribuíram para esta causa, como as estruturas locais, principalmente a Câmara Municipal, aos homenageados e condecorados e à direção pelo empenhamento em proporcionar ao corpo ativo os meios possíveis para o bom desempenho do seu papel. Reafirmou a confiança nos homens e mulheres e dos mais jovens que dispõe, e agradeceu ainda a todos a presença. Reforçou o repto da necessidade de ajuda às entidades competentes na resolução dos muitos problemas da Associação.

Seguiu-se o Presidente da Direção, Joaquim Simões, que depois de cumprimentar todos os presentes e condecorados agradeceu a sua presença em mais este aniversário ”celebramos 80 anos de vida. Colecionamos 80 anos de história. Recordamos e agradecemos a grandeza de alma dos nossos fundadores. Alimentamo-nos, dia a dia, do seu exemplo, da sua tenacidade, da sua entrega e disponibilidade, em prol da ajuda desinteressada aos que dela precisam” Recordou os tempos difíceis da 2ºguerra mundial que se viviam na época da fundação, “mas o ideal era nobre e motivador o que ajudou a avançar: “ fazer bem sem olhar a quem”. Chegamos aos 80 anos e mantemos a chama, a força e a determinação que foram, ano após ano, transmitidos pelos órgãos sociais e comando, tendo sempre como bússola orientadora: a proteção de pessoas e de bens”. Finalizou com agradecimentos ao quadro de honra, dirigiu uma palavra de muita gratidão, assim como às empresas JJR e Odraude e ao Município de Alvaiázere e em especial, recordou o falecido Chefe José Guerreiro enumerando as suas qualidades que levaram a esta homenagem que possuía “pela sua humildade, pelo trato afável, pela entrega, pelo orgulho que tinha na farda que envergava e quis levar consigo. Este bom homem deve constituir um exemplo a seguir para todos nós, quer com operacional, quer como HOMEM.” Com um agradecimento especial a toda a família”. Felicitou ainda todos os bombeiros que receberam crachás e medalhas em função dos tempos de serviço prestado.

Após esta intervenção usou da palavra o presidente da Federação Distrital de Bombeiros, Comandante Almeida e Lopes que após os cumprimentos habituais, lamentou-se por nos dias de hoje não ser fácil falar de bombeiros, mas ouviu atentamente as queixas do Comandante, Mário Bruno, que mostrou uma posição firme na defesa dos Bombeiros que acompanha. E apoiou a sua posição que efetivamente os bombeiros só conseguem salvar vidas se estiverem em segurança e estes devem estar na linha da frente para fazerem formação. Salientou a necessidade de se saber viver com a mudança e respeitar todos. Concluiu que urge mudar mentalidades, analisar o passado e colher lições positivas no presente para preparar o futuro, aderindo às experiências e avançando para a frente.

Após esta intervenção fez-se um interregno nos discursos para homenagear os privados: as empresas JJR e Odraude; a CMA de Alvaiázere; o Comandante Miguel e a título póstumo o Chefe, José Guerreiro, com crachás de ouro.

Após as homenagens, retornou-se aos discursos, desta vez, o Secretário da Mesa dos Congressos da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Marques, que também mostrou recetividade aos apelos do Comandante, Mário Bruno para a necessidade de mais meios. Como solução apontou que o financiamento urge ser revisto, já que a proteção civil é feita com bombeiros e tem de se olhar de uma maneira diferente para estes. Se encararmos o socorro no país sem bombeiros, não é possível fazer proteção civil. Apelou por fim para a necessidade de críticas construtivas, na medida em que todos fazem parte da Liga dos Bombeiros. Referiu ainda que o funcionamento da escola de formação para os bombeiros para pode recorrer a outros meios de angariação de fundos. E deixou um exemplo da escola nacional de bombeiros que teve de fazer formação privada para angariar fundos e respondeu assim a mais um aspeto focado pelo Comandante, Mário Bruno. Deixou uma mensagem de esperança e de confiança no futuro e terminou lembrando que no dia desde aniversário também se comemora o dia mulher pelo que felicitou a presidente CMA, Célia Marques e na sua pessoa todas as mulheres presentes. Congratulou-se, ainda por aparecerem cada vez mais mulheres bombeiras, felicitando estas de modo particular.

De seguida o Comandante da ANEPC, Comandante, Duarte Costa, lembrou igualmente o dia internacional da mulher, que deve ser assinalado não por palavras mas por ações, e neste sentido apelou para a vinda de mais mulheres para os comandos. Realçou a importância de ser uma mulher a presidir as cerimónias decorrentes, como um sinal muito positivo, num caminho, mais próximo, para uma igualdade maior na sociedade. Reforçou, mais uma vez, que não se faz proteção civil, sem uma forte participação da Câmara Municipal.

Por fim prestou homenagem ao Comandante pela maneira destemida e firme como defende os seus bombeiros e como conseguiu fazer-nos sentir que estes são os mais importantes nestas estruturas. Deixou mais uma mensagem de esperança que no futuro se consiga uma linha condutora de ligação das necessidades dos Bombeiros Voluntários como um exemplo de cidadania pelos ideais e valores e de respeito pelos outros. Defendeu ainda a urgência de existirem profissionais que assegurem um trabalho de concentração de esforços. Apelou ainda para que o estatuto dos Bombeiros Voluntários seja assumido e respeitado por todas as estruturas, mas que exige também o saber do que se quer. Concluiu dirigindo uma palavra para os mais jovens, por serem o futuro solicitando uma salva de palmas, que surgiu ruidosa. As famílias também não foram esquecidas por serem elas o amparo e proteção, deixando também uma palavra de apreço pois sem o apoio destas não se consegue avançar.

Encerrou os discursos a Presidente da Câmara Municipal, Célia Marques, que depois de cumprimentar todos os presentes fez um hino de agradecimentos aos bombeiros por considerar estes um braço armado na luta contra as desgraças na sociedade civil, e continuou no mesmo tom “São o amparo nos momentos de aflição, são o pilar que não verga e não parte quando precisamos de socorro. Incorporam muitos dos valores por vezes esquecidos na sociedade, e que tanta falta nos fazem: a abnegação, a coragem, a solidariedade, mas também a amizade, o respeito e o companheirismo”.

Considerou os corpos de bombeiros uma escola de valores e é pelo reconhecimento destes que o Município aprovou incentivos para os membros da nossa comunidade serem bombeiros, “através de isenções de taxas municipais, da prestação de apoios específicos na educação, entre outros”.

Considerou os bombeiros como uma família, que arriscam a vida pelos outros, pelo que enalteceu “o verdadeiro espírito de entrega e solidariedade” que marcaram estes “80 anos de serviço à comunidade alvaiazerense, com a mesma missão: -servir e proteger, prestar auxílio a quem necessita e ser uma garantia de segurança e proteção da população”. E é pelo serviço prestado às comunidades que a Presidente da CMA, justificou o apoio, sempre que possível, dado pelo Município. Agradeceu a condecoração e reconhecimento feito à CMA, fazendo um paralelismo, pelo trabalho desenvolvido com os mesmos objetivos, ”para o mesmo desígnio que esta corporação: servir, ajudar e ser o garante do bem-estar e do conforto dos alvaiazerenses”

Também evidenciou em matéria de proteção civil o trabalho, de mérito, que está a ser feito pela Comunidade Intermunicipal de Leiria, “um sistema integrado de videovigilância e deteção automática para a prevenção de incêndios florestais que está em funcionamento desde 2018”.

Justificou a necessidade neste dia de aniversário fazer memória “de todos quantos ao longo destas 8 décadas serviram esta associação, diretores, benfeitores, associados e bombeiros. A todos e para todos o meu reconhecido agradecimento e admiração!”.

Após a sessão solene todos os presentes foram convidados para a bênção de uma viatura de doentes que foi presidida pelo Reverendo Padre Celestino Ferreira Brás com a presença junto deste do Comante, Mário Bruno e o Presidente da Direção, Joaquim Simões.

Depois desta longa jornada o almoço-convívio para bombeiros e convidados no salão de festas foi do agrado de todos. E porque o dia era de aniversário, cantaram-se com alegria os parabéns e partiu-se o bolo e todas as mulheres presentes tiveram ainda direito, num gesto simpático a uma flor, por ser o seu dia.

Mais um aniversário, e este emblemático, de 80 anos que decorreu em salutar ambiente de confraternização.

Teodora Cardo